sábado, dezembro 09, 2017

Está tudo absolutamente normal. Será?


O dicionário Webster em sua versão online possui uma seção chamada “word of the day” (palavra do dia). É bem interessante: não apenas apresenta o significado e a categoria gramatical que a palavra pertence, mas também podemos descobrir a sua etimologia (origem e formação), sinônimos e quando foi usada pela primeira vez em língua inglesa.

Todos os dias recebo via e-mail uma nova palavra em inglês. Não faz muito tempo que a “word of the day” foi uma bastante comum e de fácil entendimento: normal. É um cognato, ou seja, uma palavra em inglês que tem o mesmo significado e grafia em português. Ninguém tem dúvidas sobre o seu significado: algo comum, habitual, conforme a um modelo, valor social/cultural ou padrão. A própria etimologia da palavra indica tais significados, também.  

É curioso pensar um pouco mais sobre esta palavra e como ao longo dos séculos o conceito sobre “normal” foi estabelecido e passando por modificações. Pessoas vendidas em mercados negreiros e tratadas por “peças” durante muito tempo foi atividade vista como normal, da mesma forma que crianças de 4 e 5 anos de idade limpadoras de chaminés e até mesmo a perseguição de mulheres acusadas de bruxaria para serem queimadas em praça pública.  

Leio algumas notícias na imprensa em que os jornais e autoridades gostam de destacar a palavra "normal" e mesmo "normalidade". Por exemplo, uma aluna é assassinada dentro de escola atingida por "bala perdida" e poucos dias depois divulgam que as aulas estão "acontecendo normalmente", mesmo que o bairro esteja passando por uma situação de insegurança em que muitos estudantes não consigam chegar à escola. Este é apenas um exemplo dentre vários que demonstram de que forma somos moldados pelo "funcionando normalmente", enquanto vamos para o trabalho espremidos como sardinhas enlatadas nos ônibus lotados, deixamos crianças em escolas caindo aos pedaços em seu entorno de violência, aceitamos passivamente políticos envolvidos em esquemas quase inimagináveis de corrupções e nos acostumamos com uma rotina que envolve medo, inseguranças, violências.

Fico imaginando de que forma seremos vistos daqui a 100 ou 200 anos – caso a humanidade não se extermine até lá. Se atualmente ainda temos escolas que ameaçam desabar sobre as cabeças de alunos e professores, se temos professores recebendo treinamento para situações de guerra, se temos um trânsito que mata 47 mil pessoas por ano, se temos uma sociedade que se entope de medicamentos antidepressivos e de agrotóxicos nos pratos em suas refeições, nada isso deveria ser considerado normal. Uma frase atribuída ao filósofo e educador indiano Krishnamurti traduz bem este sentimento: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente”.  

De fato, não é saudável, tanto que existe até uma patologia chamada “normose”, um conceito criado pelos psicólogos Pierre Weill, Jean Yves Leloup e Roberto Crema. A normose, segundo os autores, “é o resultado de um conjunto de crenças, opiniões, atitudes e comportamentos considerados normais, logo em torno dos quais existe um consenso de normalidade, mas que apresentam consequências patológicas e/ou letais”. Experimente fazer algo que não esteja nos padrões do que é considerado como normal e imediatamente recairão críticas sobre este comportamento. “A normose”, prosseguem os autores, “nos impede de sermos quem realmente somos”. Todos os dias temos agentes e instituições ditando modelos e valores sobre o que devemos fazer, consumir e agir no dia a dia – e ai de quem não segui-los: será chamado de “anormal” e termos semelhantes. Quem gostaria de ser chamado assim?

Ao longo dos séculos certas situações e comportamentos “normais” foram mudando e é isso que dá alento para o futuro e sobre as perspectivas para futuras gerações. Difícil manter algum otimismo diante de um panorama aparentemente desfavorável, mas procuro sustentar um fio de esperança, até porque mudanças na sociedade não acontecem do dia para a noite. Levam tempo e envolvem coragem e resistência. Felizmente os inconformados estão por aí, quebrando certos modelos de “normalidade” e tal como aconteceu em outros tempos, são rotulados como ingênuos, idealistas, malucos, perigosos, inimigos da ordem.  

A pergunta feita pelo escritor Tolstói há mais de 100 anos após observar e indignar-se com a organização da vida na sociedade russa, ainda é válida para estes nossos tempos: “mas precisa mesmo ser assim?” É o que questionam os inconformados e considerados idealistas. Creio que precisamos ouvir mais o que estes têm a nos dizer e também nos juntarmos às fileiras de inconformados e agir de alguma forma. Claro que seremos rotulados com aqueles termos nada lisonjeiros, mas é impossível não lembrar do inspirado John Lennon que cantou “você pode achar que eu sou um sonhador/ mas eu não sou o único”. 

Com certeza não é, John. 

domingo, outubro 15, 2017

Professores, não desistam!


Roberto Ferreira, Diva Guimarães e Helley Abreu Batista. Não se tratam de nomes badalados nas mídias, não são famosos. Mas são dois nomes que merecem ser lembrados e admirados. Em comum, a profissão: professores.

Roberto Ferreira é o professor que procurou acalmar seus pequenos alunos com música enquanto um tiroteio acontecia no entorno da escola, no Rio de Janeiro; Diva Guimarães é a professora aposentada que contou sua trajetória na Feira Literária de Paraty (RJ) e emocionou a todos; Helley Abreu é a professora que tentou impedir um criminoso de jogar álcool e atear fogo em seus alunos em uma creche de Minas Gerais. O professor Roberto está aí para contar para contar sua história, bem como a professora Diva fez em Paraty. Infelizmente, a professora Helley teve 90% do corpo queimado e não resistiu.

Estes exemplos demonstram que ainda podemos ter esperança na humanidade, apesar do trágico desfecho com a professora mineira. Os tempos atuais estão áridos, os noticiários apresentam fatos e notícias desanimadoras todos os dias e manifestações de ódio dão o tom principalmente nas redes sociais, onde o passatempo preferido de muitos internautas aparentemente é agredir uns aos outros e descarregar todas as ignorâncias e preconceitos possíveis. Tudo isso nos exaure emocionalmente e aos poucos acontece o pior: simplesmente deixamos de nos importar. Admitimos que "é assim mesmo", naturalizamos e incorporamos toda a aridez destes tempos.  

O que os professores e as professoras fazem, ao menos boa parte deles, é manter a esperança viva através da Educação, apesar de inúmeras dificuldades. Não é preciso repetir o quanto a profissão docente é desvalorizada no Brasil – todos sabemos. Mesmo assim, os professores não desistem. Há alguns anos estive em uma palestra voltada para administradores e gestores e o palestrante afirmou que o perfil do funcionário do século XXI é aquele que reúne características como flexibilidade, dinamismo, criatividade, espírito de liderança e trabalho em grupo. Imediatamente pensei nos professores, que reúnem todas essas características. Sim, há problemas quanto à formação docente, mas é preciso falar também das qualidades destes profissionais que estão sempre em busca do melhor para suas aulas e alunos. Quem é professor sabe como funciona: um filme ou uma música durante o momento de lazer pode se transformar em plano de aula; até a estampa de uma camiseta em um aluno vira aula e das boas – por exemplo, a camiseta com o símbolo do Capitão América para explicar a origem do herói e contextualizar com a 2ª Guerra Mundial e a entrada nos Estados Unidos no conflito. Eu já fiz isso e foi ótimo.

Tudo o que eu falei até agora tem a ver com a parte pedagógica da profissão, mas vai além de conteúdos de inglês, matemática, história, português: quantas vezes os professores não fizeram as vezes de conselheiros, incentivadores, ouvintes de alunos que carecem apenas de um pouco de atenção? Quantas vidas não foram modificadas através de um professor ou professora que dedicou alguns minutos do seu tempo para aconselhar sobre caminhos tortuosos, para incentivar algum talento, para ouvir histórias de vida que fornecem pistas sobre o desinteresse nos estudos e baixo rendimento de alunos? A visão pragmática sobre Educação que tem como argumento “professor tem que ensinar somente o conteúdo e nada mais” não se sustenta diante do que encontramos todos os dias nas escolas.  

Como já afirmei, estes tempos estão áridos para todos. Os professores também sentem isso através da violência (o Brasil é um dos países que mais agridem docentes), do desprestígio social/profissional e problemas de saúde decorrentes da profissão, sem contar uma marcha delirante, perigosa e que visa cercear a autonomia docente como o projeto “Escola Sem Partido”Poucos jovens querem seguir a carreira de professor e precisamos mudar a forma como tratamos a Educação. Diante de tantos problemas e tamanho descaso, a pergunta que sempre surge é: como os professores resistem e continuam nesta profissão?

Uma boa resposta vem do filósofo e professor Mario Sérgio Cortella: “Nós acreditamos numa coisa incrível: que gente foi feita para ser feliz e que esse é o nosso trabalho”. Longe de recorrer a clichês de autoajuda ou apelando para o senso comum que atrela o magistério ao sacerdócio, qual é o professor que não se alegra ao ver o desenvolvimento de seus alunos? Em tempos raivosos e turbulentos, termos como “esperança” e “sonho” podem parecer ingênuos e até tratados como bobagem, mas se resistimos é porque ainda acreditamos que a Educação é transformadora e libertadora. 

Certamente é o que move o professor Roberto, a professora Diva e o que movia a professora Helley. É o que me move e também a muitos colegas pelo Brasil, professores que não abandonam a esperança e o sonho e procuram compartilhá-las os seus alunos. Em tempos de negatividade, ignorâncias ostentadas e apatia, não podemos esmorecer - e não iremos.  

sexta-feira, setembro 08, 2017

"As viagens são parteiras de pensamentos".


Li em algum lugar que “a melhor parte de uma viagem é o caminho, não o destino”. Claro que isso é bastante relativo, afinal uma viagem para encontrar o seu amor, por exemplo, tem o destino como a melhor parte. Mas entendo o significado desta frase. Ousadamente tomo a liberdade de parafrasear: “a melhor parte de uma viagem é o caminho que fazemos para dentro de nós mesmos”. Por isso tomei emprestada a definição do filósofo e escritor Alain de Botton como título para estas reflexões. 

Não sou um grande entusiasta por viagens, confesso. Aprendi a lidar bem com a rotina e a gostar e fazer bom proveito dos tempos livres. Há algum tempo, porém, tenho feito viagens constantes (em que o destino é a melhor parte) e estas são feitas na maioria das vezes através de ônibus, com tempo estimado entre 6 a 8 horas de estrada. Nestes tempos imediatistas onde esperar um download de arquivo por 2 ou 3 minutos já causa ansiedade em muita gente, imagine passar 8 horas em uma poltrona de ônibus e, pior, sem conexão wi-fi: para muitos é o tédio absoluto e a “salvação” chega através da rede de dados móveis nas cidades onde o sinal é bom o suficiente.

Cada um passa o tempo de viagem como quiser, não tenho nada com isso. No entanto eu sempre achei que essas viagens longas são ótimas oportunidades para mergulharmos onde muitos de nós não conseguimos fazer no dia a dia ou até mesmo evitamos: o nosso interior, nossos pensamentos. Gosto de “viajar na janela” justamente para contemplar as paisagens, as cidadezinhas e povoados ao longo do caminho. É mais ou menos o que o historiador inglês Roman Krznaric nos recomenda, baseado nas peregrinações do poeta japonês Bashô: “Deveríamos despender tempo viajando, deixando espaço livre em nossa mente para a contemplação e seguindo num ritmo lento o bastante para apreciar as belezas e torpezas da paisagem”. Nestes espaços para a contemplação faço uma viagem dentro da viagem. 


Temos muita pressa em chegar aos nossos destinos. A ansiedade em conhecer determinado lugar ou a saudade em rever as pessoas queridas e amadas é compreensível, mas nem sempre é possível conseguir aquela passagem de avião por um preço acessível e encurtando em boas horas a viagem; quem pode viajar de carro às vezes imprime velocidades elevadas e até perigosas para “não perder tempo”. Uma parada a fim de apreciar um rio ou uma queda d´água é impensável para muitos motoristas. De modo geral, devido à pressa e à ansiedade, deixamos de lado a contemplação e a reflexão – e em nosso dia a dia rotineiro e repleto de atividades não abrimos espaço para estas práticas. Até mesmo a leitura de um livro é tarefa constantemente adiada devido a tantos estímulos sonoros e visuais de aparelhinhos eletrônicos nos alertando de compromissos (ou futilidades) o tempo todo.


Por isso aprendi a apreciar aquelas 6, 8 horas de viagem em um ônibus. É um momento para leitura sem interrupções do celular ou distrações com TV ou rádio – embora sempre exista a possibilidade do passageiro ao lado ser um tagarela inconveniente ou usar o celular sem fone de ouvido. No caso da leitura, o texto flui melhor e o mergulho na história também; mas a “estrela” da viagem é a contemplação das paisagens e os pensamentos que voam. 


Aquela casinha isolada no meio do nada, quem será que mora lá? Como se vira (ou se viram) para sobreviver? Será que eu conseguiria viver em tal condição? O sertão após um período de chuvas fica bonito com essa vegetação – que flores são aquelas? Parecem margaridas. A grama verdinha com as chuvas e as flores amarelas constituem uma linda paisagem! O passageiro que viaja ao meu lado me conta que são flores de malva e que atraem as abelhas. Lembro da tragédia ambiental em curso que poucos têm conhecimento: o desaparecimento das abelhas e como isso afeta terrivelmente o equilíbrio ecológico e até mesmo a produção de alimentos. E essa cidadezinha? Simpática, o prédio mais alto ainda é uma igrejinha: hoje construímos prédios sem graça com sei lá quantos metros de altura. Lembo das disputas sobre os maiores prédios do mundo? Tem algo a ver com topo, estar mais alto, posição de destaque, poder. Acho tudo uma grande bobagem. Mas isso deve estar ligado ao meu medo de altura, penso. Ou talvez por não apreciar disputas inócuas, sem sentido. Pensando bem, qual disputa faz sentido, afinal? 

Deixo os pensamentos fluírem juntamente com as paisagens em movimento, relembro fatos e coisas que aparentemente são banais e revelam-se complexos, intercalo com trechos do livro que estou lendo e que merecem maiores reflexões, observo vida e vidas, placas (isso pode ser divertido) e casas, árvores e pastagens, torço por rios cheios e colheitas fartas para aquele agricultor solitário trabalhando a terra. Pela janela do ônibus abro outras janelas e desta forma sigo um conselho de Thoreau: “seja o Colombo de novos continentes e mundos inteiros dentro de si mesmo, abrindo novos canais, não de comércio, mas de pensamento”. 

E ao final desta jornada, quando questionado se fiz boa viagem, a resposta é positiva tanto para a viagem propriamente dita quanto para meus devaneios. É hora de celebrar os encontros e reencontros - com os familiares, amigos, a amada e, claro, com si mesmo. 

Referências: 
A arte de viajar - Alain de Botton. Editora Intrinseca
Sobre a arte de viver - Roman Krznaric. Zahar Editora
Walden - Henry David Thoreau. Editora LePM


Fotos: do autor. 

quarta-feira, agosto 09, 2017

Charges do 1º Semestre de 2017

Uma "retrospectiva" do 1º semestre de 2017 através de alguns rabiscos feitos por este autor que vos escreve.

O ano começou no ritmo das (polêmicas) reformas que o (des)governo Temer promoveu ou tenta promover - Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência. 




                                      

Mas antes tivemos a "Reforma" do Ensino Médio que promete "revolucionar" a Educação no país.

No meio disso tudo não poderia faltar ele:



E a galera que curte um churrasquinho ou não passa sem carne foi surpreendido pela Operação Carne Fraca - aquela da "carne podre":




Muita gente achou que alertar sobre carne podre vendida nos açougues e supermercados fosse algo ruim: 


Mas não tem jeito: se você prefere uma saladinha, vai encontrar ingredientes nada recomendáveis.


Pelo menos todo mundo ficou sabendo quem é Joesley Batista, JBS e o mais importante: o filho do Lula não é o dono da Friboi. Com as denúncias de Joesley a situação do "presidente" Michel Temer parecia insustentável, mas como é bom ter amigos em situação privilegiada, não é?





Se a casinha de Michel Temer não caiu, o mesmo não pode ser dito do senador Aécio Neves. A verdade é que não salva um.

                          

Mas para alegria de uns e tristeza de outros, tivemos em Curitiba O EVENTO DO SÉCULO!



Um grande evento que mobilizou a nação e os comentaristas especializados tentavam orientar a população com opiniões relevantes:

                                     

No fim, tudo não passou de mais uma pataquada.

                                      

Com tudo isso parece que os valentes e aguerridos manifestantes "contra a corrupção" e pela "moralidade política" que tomaram as ruas em 2016 cansaram ou não viram mais motivos para protestos e as panelas voltaram a servir apenas para cozinhar um arroz e fritar uns bifes.


Mas o (des)governo tentava aprovar as reformas encomendadas pela FIESP, CNI, Ruralistas e ainda houve quem se manifestasse - e estes receberam o "carinho" dos comentaristas de internet.


Para se manifestar ou fazer greve no Brasil é preciso seguir uma série de protocolos: 

                                      

Principalmente sem atrapalhar o "deus-trânsito"!

As reformas estavam demorando mais do que o previsto para serem aprovadas, o que deixou algumas pessoas preocupadas.

                                       

Apesar de tanta preocupação desta gente comprometida com o progresso da Nação, a Reforma Trabalhista foi aprovada. 

                                    



As discussões na internet, principalmente nas redes sociais, continuaram ponderadas e com elevado nível de boas maneiras.


E com muita inteligência:


Por falar em Terra Plana, tem uma galera que acredita em cada coisa...


Há até quem acredite que a Justiça no Brasil é igual para todos... 



... e que o país esteja no rumo certo! 


Felizmente o Brasil é um país lúdico: nada como relaxar e gozar a vida com uma boa festa junina e no Nordeste se mantém a tradição e...não, pera: 



Como "tá difícil pra todo mundo", o jeito é apelar para Santo Antônio - mas ele sabe o que você andou falando sobre as fotos de casais no Dia dos Namorados no Facebook. 


Precisamos de umas festinhas para distração do noticiário, principalmente do noticiário político: 


O bom é que no meio de tantas traições ainda encontramos exemplos de amor e fidelidade por aí. 

Mas o melhor é mesmo seguir o conselho que o médico deu no ano passado. 


Até para evitar certos problemas...

... e viver melhor! 



Em suma, o negócio é aproveitar a vida...


... que não vem com receita ou manual de instruções. 


Meus rabiscos estão aqui e no Instagram: @jaimegbr. 


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