sexta-feira, junho 01, 2012

A greve dos professores da rede estadual da Bahia

(clique na imagem para melhor visualização) 

A greve dos professores da rede estadual de ensino básico da Bahia já passa dos 50 dias. Além de 1 milhão de alunos sem aulas, o governador da Bahia, Jaques Wagner ( PT), resolveu cortar os salários dos grevistas e o movimento foi considerado ilegal pela justiça. Até a presente data ( 01 de Junho) não houve um acordo para o fim de greve e as manifestações de professores, pais e alunos na ruas de Salvador e cidades do interior são cada vez maiores. O governador, no entanto, permanece inflexível e afirma que só abre negociações e efetua a devolução dos salários se os professores retornarem ao trabalho. 


Para entender a greve


Em Novembro de 2011 o governo da Bahia assinou um acordo com a categoria se comprometendo a pagar o reajuste do Piso Nacional do Magistério – um reajuste de 22,22%, com o piso passando de R$ 1.187 para R$ 1.451. Tais valores são definidos ( e corrigidos) de acordo o FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica

O governo da Bahia alega que já paga o Piso Nacional aos professores desde 2009 e que “não há como oferecer o reajuste de 22%”. No entanto tal "reajuste" foi concedido apenas aos professores de nível médio ou licenciatura curta – já para os demais professores o reajuste foi de 6,5%, o mesmo para todo o funcionalismo. Na verdade o "reajuste" a estes professores é uma espécie de trapaça: o que o governo fez foi transformar gratificações - e outras vantagens adquiridas pelos professores ao longo do tempo - em subsídios. 

Além disso, o governo da Bahia também afirma pagar “salários acima de Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo”. De acordo com as informações do site da Secretaria de Educação da Bahia, um professor com pós-graduação em regime de 40 horas recebe R$ 3.817,00 de remuneração – um professor iniciante, segundo o governo, recebe R$ 2.084,00. 

Estes valores, infelizmente, não são verificados nos contracheques dos professores da rede estadual. Assim temos o quadro que levou a greve a passar dos 50 dias: o descumprimento do acordo por parte do governo da Bahia - e Wagner, ingenuamente, afirmou "não saber" de tal documento assinado - o não pagamento do reajuste do piso salarial para todos os professores, o corte de salários, a greve considerada ilegal e principalmente a intransigência do governador Jaques Wagner.


Tudo igual na Bahia: "cabeça branca" continua.  

O grupo político de Antônio Carlos Magalhães dominou a Bahia por décadas até ser derrotado em 2006 nas eleições para governo do Estado por Jaques Wagner, do PT. A esperança de que finalmente os baianos teriam mudanças significativas no governo e nas políticas públicas aos poucos se tornou frustração, principalmente em áreas como Educação e Segurança Pública. Quem é professor na Bahia, tanto da rede básica quanto das universidades estaduais, sabe o que é o governo Wagner – em 2011 os professores universitários permaneceram em greve por 2 meses e em 2007 também houve longa greve dos professores da rede básica. 

O que causa estranheza, seja em 2007, 2011 ou 2012, é a postura intransigente e arrogante do governador Jaques Wagner, um ex-sindicalista que alçou projeção política através de participações e apoios a greves – e não apenas ele, mas também muitos políticos do PT que marcavam presença em assembleias sindicais e manifestações grevistas e hoje, no “poder”, viraram as costas, seguem o burocrático discurso oficial e há até deputado da "base governista" que  desrespeite professores - e desta vez sobrou até para alguns pais de alunosEm todas estas greves ocorridas durante o mandato de Wagner houve ameaças de corte de salários ( que aconteceram, no caso dos professores) e uso de propaganda incessante em diversas mídias ( TV e rádio, principalmente) para tentar convencer a população de que este é um governo aberto ao diálogo e age com transparência – e alguns jornalistas “formadores de opinião” e parte da imprensa baiana fazem coro ao governador tentando atribuir a culpa da greve única e exclusivamente aos professores, utilizando termos como “radicalização” (por parte dos professores), “greve ilegal”, “alunos prejudicados” e “o governo não pode pagar”. Talvez seja receio em perder as verbas de propaganda do governo. 

E o governador Jaques Wagner mantém uma característica interessante: não importa o que esteja acontecendo na Bahia - greve da PM, greve dos professores, a pior seca no sertão nos últimos 30 anos - a saída de Wagner é o aeroporto. Trata-se do governador que mais viajou ao exterior no atual mandato - imaginem se ele fosse Ministro do Turismo. 


Mas não tem dinheiro mesmo? 


A justificativa do governador da Bahia – e de quase todos os políticos quando se fala em verbas para a Educação – é a falta de dinheiro ou, se preferirem um termo no “economês”, a famosa “restrição orçamentária”. 

A verba do FUNDEB para a Bahia para 2012 é de R$ 2,2 bilhões; 60% deste valor deve ser utilizado para remuneração dos professores. Perguntas: o que é feito deste dinheiro? Por que o governo Jaques Wagner não é transparente quanto ao destino desta verba? Por que tanta dificuldade em cumprir uma Lei Federal?   

Enquanto isso o governo da Bahia comemora, sempre com muita propaganda, a escolha de Salvador e do estádio da Fonte Nova como uma das sedes para a Copa das Confederações em 2013 e, claro, Copa do Mundo em 2014. Ninguém se entende quanto aos custos do estádio: para o Tribunal de Contas da União, o valor ultrapassa R$ 1 bilhão; para o governo federal, o valor ficará em R$ 597 milhões; e para o governo estadual, a Fonte Nova custará R$ 592 milhões. E o mais interessante de tudo: durante 15 anos o governo da Bahia deverá pagar R$ 107 milhões (por ano!) conforme previsão do contrato de parceria público-privada. E os números para a Copa não param de impressionar: R$ 6,712 bilhões sairão dos cofres públicos para a construção e reformas de estádios. Ah, o “legado”? Qual foi o legado que os Jogos Pan-Americanos de 2007 deixou ao Rio de Janeiro? Na época só se falava do “legado” e das “melhorias” que os jogos trariam para a cidade - e pelo visto não foi muita coisa

Nada contra o futebol, pelo contrário, mas a pergunta permanece: não tem dinheiro mesmo?

De novo, Gustavo Ioschpe...

...aparece dizendo que “aumentar o salário do professor não é um caminho para melhorar a qualidade da educação”. Talvez o economista e “especialista em educação” (!) não saiba que, dentre as profissões de nível superior, o magistério paga os salários mais baixos – e este é um dos motivos para um “apagão” no ensino público, onde faltam professores principalmente de disciplinas como Matemática e Química.

É claro que Educação de qualidade vai além da questão salarial, mas tal questão não deve ser excluída. Como é possível que um país com a 6ª ou 7ª  economia do mundo pague salários tão irrisórios no magistério, desestimulando quem queira seguir a carreira de professor? Como falar em qualidade de ensino se os professores precisam pular de escola em escola pela cidade para completar carga horária estafante e assim melhorar um pouco os salários?  

Entre o referido "especialista" e Paulo Freire, a escolha é óbvia: “Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles.” ( in Pedagogia da Autonomia)

Infelizmente, pelo visto, Jaques Wagner e o PT da Bahia ( além dos partidos da base governista) demonstram que preferem as palavras do tecnocrata Gustavo Ioschpe munido de "dados e estatísticas". E pensar que o PT, um dia, teve Paulo Freire como Secretário da Educação na cidade de São Paulo...

40 comentários:

  1. Olá, passando para conhecer seu blog.
    Acredito que esta é uma classe que deveria ser bem remunerada.
    beijos

    http://aquifofura.blogspot.com.br/

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  2. Amigo Jaime!
    Seu texto é muito consciente e esclarecedor.
    Todos sabemos que a educação brasileira é deixada para o segundo plano desde os tempos coloniais, em razão disso, nossa luta é tão árdua e perene.
    Somente somos superiores na educação, em todas as américas, do instável país do Haiti.
    Os governos de todas as esferas (municipais, estaduais e federais)só dão misgalhas e esmolas para educação e, muitas vezes não cumprem ou é assistencialismo. Como não há ninguém por nós, professores, nem mesmo sindicatos atuantes, o único recurso para se reivindicar é a greve, no entanto, parece que o judiciário foi cooptado pelo governo, uma vez que, depois de oito anos de mandato, o governador já nomeou mais de noventa por cento dos magistrados.
    Quem não vive do minguado salário da educação é muito fácil achar que a valorização do provento não proporciona melhoria.
    Ainda bem que aqui, no amazonas, travessamos uma fase de melhoria.
    São iniciativas como esta mensagem de protesto que vão conscientizar e desalienar para que exige uma educação melhor, mais justa e mais eficiente.
    Sou solidário aos colegas baianos.

    Abraços!

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    1. Ah, esqueci-me de falar que a charge está espetacular.
      Diz tudo.

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    2. Bento, permita-me destacar uma frase de seu comentário que eu achei sensacional:

      "Quem não vive do minguado salário da educação é muito fácil achar que a valorização do provento não proporciona melhoria."

      Por que um professor trabalha 60 horas semanais pulando de escola em escola nos 3 turnos? ( manhã/tarde/noite)Claro que não é por "amor" especificamente, não é verdade? E é bom lembrar que o trabalho do professor não está restrito apenas à escola - ele prepara aulas, planeja e leva até material próprio de sua residência para a sala de aula. Já vi colegas levando aparelho de TV para a escola.

      Que condições!

      Um abraço e obrigado!

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  3. Boa tarde, Jaime.
    Acho realmente triste ver uma pessoa que se criou em meio às greves agir desta forma, ou seja, depois que se passou pro outro lado, dane-se os que ficaram pra trás.
    E o show de desculpas só aumenta, pra estádio tem dinheiro, mas para a Educação, não?
    Aqui no sul também não é muito diferente, o pessoal tem de apelar pra greve apenas para tentar que se pague o piso nacional previsto por lei.
    É mole?
    Não, definitivamente, não.
    Abraço e um bom final de semana pra ti, Jaime.

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    1. Jacques, eu soube das notícias aí pelos lados do Sul sobre o Piso Nacional. E o governo do Partido dos Trabalhadores, quanta ironia. Se ainda havia alguma "esperança", mataram de vez.

      Abraço e obrigado, Jacques!

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  4. Oi Jaiminho,

    Tudo bem? Estou vivendo situação parecida, pois sou professora de Universidade federal e estamos parados por um aumento de 4% que não foi cumprido e só com a medida provisória da Dilma, o meu contracheque chegou com esse excelente aumento, menor que a inflação em 2011.

    Quando penso nas palavras daquele Mauricinho, fico pensando se ele já esteve em sala de aula calorenta e sem a mínima condição de infraestrutura ou mesmo se ele já foi ameaçado por alunos, como nas escolas aqui de Alagoas.

    Sou Nordestina, mas entendo o porquê das mazelas da região, pois a educação é totalmente deixada de lado, afinal não aumenta os votos de cabresto.

    No mais, sempre vou a Salvador e, inclusive, estarei aí na próxima semana para avaliação em uma faculdade. O que vejo? Um total descaso com a cidade, que não tem segurança, apresenta deficiência na limpeza urbana, mas que está construindo um estádio digno de Roma.

    Meu amigo, podemos tomar um café no domingo, segunda ou terça à noite? Quem sabe, poderemos elaborar um manifesto do cotidiano do professor no Brasil ou mesmo sermos amigos reais?

    Beijos e com final de semana!

    Lu

    t

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    1. Oi, Luluzinha.

      Tenho acompanhado também a greve nas Federais - curiosamente, aqui na Bahia, a UFBA ainda não aderiu à greve.

      Eu acho que a única vez que o Mauricinho esteve em uma sala de aula de uma dessas escolas foi quando o Jornal Nacional apresentou um quadro sobre Educação e ele, Mauricinho, foi o "especialista" a "apontar erros e acertos" em algumas escolas. Foi o fim!

      E sobre Salvador é exatamente isso. Perfeito. E você nem mora por aqui, imagine se fosse moradora.

      Respondi lá no FB, Luluzinha. Espero que dê certo! :)

      Bjs!

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  5. Jaime, como sempre você conseguiu sintetizar a situação de forma brilhante e muito clara. Parabéns!

    A educação no Brasil está cada vez mais desvalorizada e o governo com certeza gosta que seja assim. Uma vergonha, um absurdo.

    E o pior: vocês ainda terão que pensar no calendário de reposição. Essa será uma das piores partes... na minha escola, por exemplo, foram 15 dias de greve e a situação já ficou completamente desgastante até o final do ano. Quem dirá... 50 dias!!!

    A única coisa que posso dizer nesse momento é: boa sorte! E vou torcer para que essa história não termine simplesmente em pizza. Bjos!

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    1. Vivi, obrigado. A reposição de mais de 50 dias...vamos ver o que acontece. Mas o importante é não ceder naquilo que é de nosso direito: o governador precisa entender que se trata de uma Lei Federal e esta deve ser cumprida! E mais ainda porque o governo assinou acordo comprometendo pagar o reajuste para a categoria do magistério.

      Que isso não termine em pizza. No Piauí parece que os professores conseguiram, mas após 70 e poucos dias.

      Absurdo.

      Bjs!

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  6. Ola Jaime,
    Excelente charge!

    Cara, o governo não leva a sério a educação, que de fato deveria ser prioridade. Enquanto 10% do PIB não for direto para a educação creio que não haverá alternativas só remendos.

    O que está acontecendo na Bahia é um absurdo, contudo um reflexo direto da sequência de erros na políticas públicas quanto a educação.

    Abraços, Flávio.
    --> Blog Telinha Crítica <--

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    1. Flávio,

      as políticas públicas para a Educação muitas vezes são equivocadas e mal distribuídas. Esse é outro problema também. E sem falar nos desvios: o que deveria ser dinheiro para a Educação acaba virando festa junina, carnaval e campanha política.

      Abs!

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  7. Jaimezinho, a historia por aí está se repetindo tal qual foi por aqui! Aí eu penso... sabe aquele ditado que "é tudo igual, só muda de endereço"??? Pois é... acho que é bem por aí!

    Porém, eles poderiam mudar de endereço mesmo. Né? Digo, todos para um memso endereço. Sei lá... eu sugiro que se mandem para o quinto dos inferno!! MArte! A puta que pariu! Ou qualquer outro lugar bem longe da gente... poxa, desculpe aí! Não consigo me controlar quando o assunto é esse. É um assunto que me deixa daquele "tipim"... com os nervos à flor da pele!

    A charge ficou perfeita...

    Mas, ainda fiquei imaginando aquela com o humor negro sendo postada. Tá, eu sei, daria muiiiito pano pra manga! haahahahahah

    Adorei ver que vc publicou!

    bjks JoicySorciere => CLIQUE => Blog Umas e outras...

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    1. Eu quis dizer *adorei ver que vc publicou, mesmo diante das "polêmicas" que giram em torno desse assunto!

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    2. Joicy,

      então, lembrei do Jaques Wagner, o governador que mais viaja no Brasil. Eu não tenho problemas em que ele viaje, o problema é ele voltar! rsrs

      É revoltante mesmo. Não peça desculpas, eu quase não me controlo às vezes também hahaha

      Pois é, os dedos coçaram e decidi escrever e publicar - a versão light, né? rsrs

      Bjks!

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  8. Jaiminho, meu bichinho!
    ... dos trópicos! rsrs
    Seguinte, excelente teu texto, creio que a charge, aliás excelente também, já falaria por si.
    Não sou profissional da educação, mas como brasileira, assistir a uma coisa dessas, me deixa no mínimo furiosa e no máximo..., nem dá para dizer.
    A verdade é que a educação está em último plano de qualquer governo, e quando existem os mal-intencionados (quando não existem eles?), se vê esse tipo de coisas, interesses escusos, lobos que tiram suas peles de cordeiro, e mostram quem realmente eram todo o tempo. É a vida política de nosso país, é a realidade de ver o mais importante jogado para o lado, como se lixo fosse.

    Beijinhos e te cuida!
    Ótimo fim de semana!

    Assinado: ... loira! :)

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    1. Cissinha,

      minha nêga loira, seguinte: obrigado pelo seu comentário. E é exatamente isso: a nossa política partidária repleta de lobos vestindo peles de cordeiro. E tão convincentes! E nessas disputas de poder e acordos inclusive com empresários que financiam campanhas, "falta dinheiro" para o que é mais importante.

      Obrigado! :)

      Beijinhos! ....dos trópicos!

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  9. Decidi q no próximo semestre tentarei uma licenciatura. Resumo das reações ouvidas: "onde vc está com a cabeça?!"
    A educação está muito desacreditada pela sociedade. Não sei se isso parte da população ou se ela só assimilou. Sei q o descaso dos políticos tem uma raiz mais profunda e ao menos um galho pode ir pra conta de quem os elege.

    ps: Mas tive alguma esperança ao participar de uma manifestação pelas bandas de cá (apesar de continuar acreditando q greve na educação não é o caminho), senti que existe mais "empatia" do que eu pensava (talvez tbm seja pelos altíssimos índices de rejeição dos governos municipal e estadual).

    bjohnny!

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    1. Moça cabofriense,

      políticos não são ET´s ou entidades que aparecem sabe-se lá de onde. Eles têm uma origem e uma história. Aí cabe aos eleitores pesquisar a trajetória dos fulanos - ou dos partidos. O diabo é quando chegam ao "pudê" e aí adeus história, ideologia, etc.

      Eu acho legal você tentar uma licenciatura. Posso adivinhar? Vai ser História! :)

      Bjks!

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  10. Jaime.. Infelizmente a educação aqui no nosso pais não esta nas prioridades do governo. E não da pra pensar em bons educadores se não dermos a eles salarios dignos.

    Não basta o pais estar evoluindo economicamente. A educação é a base para que tenhamos uma população mais critica, mais conciente, que não troque seu voto por um favor qualquer!

    Um bj..

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    1. Perfeito, Ma. 6.a ou 7.a economia do mundo e que não consegue oferecer uma Educação de qualidade à população? Tem algo errado aí, não é?

      Bjs!

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  11. Fala meu camarada, beleza?

    Rapaz, esse episódio todo envolvendo um governador do PT é ilustrativo de como o partido se "endireitou" ao longo do seu processo de sair da oposição para a situação. É vergonhoso o que estão fazendo com os profissionais de educação da Bahia, coisa que jamais se poderia imaginar de um governo dito de "esquerda".

    E outra coisa, se gabar de que paga salários maiores do que o RJ não é nenhuma vanglória. Aqui no Estado o piso é um dos mais baixos do país inteiro, graças ao governo Sérgio Cabral, aliado de primeira hora do governo PT, não por acaso partido deste Jaques Wagner.

    Triste também é ver colegas meus ainda sairem em defesa deste partido, quando já não se pode, há muito tempo, perceber a diferença de postura de um governande do PT, do DEM ou do PSDB. Muito triste isso.

    Espero que a luta dê em bons resultados para a categoria.

    Grande abraço!

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    1. Grande Almir,

      eu venho dizendo que este governo de Jaques Wagner (PT) aqui na Bahia vem sendo bastante didático. Há tempos que o Partido dos Trabalhadores deu uma guinada para a manutenção do poder, não importa com quais métodos ou aliados isso aconteça. Muito parecido ao que fez o PSDB em 94 para emplacar o FHC.

      Ninguém jamais imaginaria que Wagner tomaria atitudes tão autoritárias como a de um ACM: corte de salários, greve considerada ilegal, recusa em negociar, tratamento desrespeitoso a uma categoria. Complicado assim.

      Tomara! Um abraço!

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  12. Oi Jaime
    Ótimo texto, vc escreve tão bem sério, quanto escreve os diálogos engraçados! A situação aqui em São Paulo, acho que já te disse, mesmo sendo o Estado mais rico do País é a mesma, um descaso total, sabe porque? Porque os políticos não tem os filhos em escola pública. Lembra da campanha que o CQC lançou? Parlamentares coloquem seus filhos em escolas públicas? É claro que isso não vai acontecer, mas seria uma boa, daí eles iriam valorizar mais a classe dos professores.
    Bjos. e um ótimo domingo.

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    1. Oi, Luciana!

      Obrigado. É, eu sei como andam as coisas em SP, tenho acompanhado com amigos e colegas daí. E isso porque é de fato o Estado mais rico e com melhores condições do país. Imagine os demais estados, com honrosas exceções.

      Bjs!

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  13. Olá, querido Jaime!
    Pois, greve... Infelizmente é a única arma que a classe dos professores tem para fazer valer seus direitos [ou ao menos tentar]. Os professores de ensino fundamental e médio precisam ser valorizados para que valorizem também o seu trabalho. A Universidade Federal do Maranhão está em greve, porém não apoio no todo, pois a maioria dos professores não sabe o que é ser um professor e o salário que ganham é muito mais do que o trabalho NOJENTO [desculpe!] que alguns fazem.

    T.S. Frank
    www.cafequenteesherlock.blogspot.com

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    1. Olá, Ticy querida!

      Pois é: se mandar carta ou e-mail resolvesse algo...a que ponto temos que chegar para ter um direito assegurado por lei cumprido! Inacreditável!

      É, é uma pena que seja assim na UFMA...infelizmente sempre há os maus profissionais, em qualquer ramo. :(

      bjs!

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  14. Temos a triste mania de achar que os professores são uns acomodados, e que fazer greve só prejudica. É certo que a culpa maior de tudo isso é do governo, retirando aquela porcentagem suja de educadores. Mas até quando vamos deixar que eles sejam tratados assim? Até quando você vai votar em políticos só porque na festa da cidade ele trouxe seu cantor favorito? Até quando você vai levar porrada e beijar os pés daqueles que te chutam?

    Voltei com a minha vida na internet, atualizando o blog, o vlog, e quero muito a sua participação em tudo isso. Acredito que essa troca de informação, esse compartilhamento do nosso ser, ou do que pensamos, gostamos, é super válido!

    Aguardo sua visita!

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    1. Olá, Garota Misteriosa! Você tocou em um ponto interessante: as verbas da educação que muitas vezes são desviadas para a promoção de festas com artistas renomados, principalmente no interior. Uma vergonha!

      Bom saber que retornou. Em breve farei uma visita! :)

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  15. Cara, o Brasil é um dos países mais rico do mundo. Tem sempre dinheiro para sustentar e aumentar o salário dos políticos (e suas mordomias) e não tem para aumentar o salário dos professores, polícia, etc.

    Cara eu sou super a fã de greves e principalmente protestos violentos. Só assim o governo teme seu povo. Conta-se nos dedos quantas manifestações pacifistas deram certas. Acho que o pau tem que rolar solto e deve se haver protestos com mais ganas.

    Os governos são safados e o pior de tudo é quem coloca eles lá somos nós. Foda.

    Tu é mega politizado né?! Volta e meia vejo lance teu no twitter relativos a política e futebol hehe.

    Abraçãoo


    ----
    Site Oficial: JimCarbonera.com
    Rascunhos: PalavraVadia.blogspot.com
    Esboços visuais: The-tramp-mind.tumblr.com

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    1. Jim, o que me incomoda é saber que este país, mesmo com toda essa corrupção e má distribuição dos impostos, ainda é um dos mais ricos do mundo e ainda assim trata com tamanho descaso setores essenciais como Educação, Saúde, Segurança Pública, etc.

      No Chile tivemos 200 mil pessoas nas ruas em Santiago a favor da Educação. Espero, um dia, haver tamanha mobilização por aqui também.

      hehehe Rapaz, política é uma coisa que praticamos todos os dias e em situações muito comuns: uma reunião em condomínio, o acerto de um serviço, uma negociação com professores em sala de aula para falar sobre provas e trabalhos, etc. O que acaba afastando muita gente das discussões políticas é justamente o PARTIDARISMO, ainda mais agora que no Brasil temos uma espécie de "Fla x Flu" ou "Gre X Nal" partidário. Assim não dá.

      E futebol é a paixão do povão hahahaha

      Abraço!

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  16. Jaiminho,
    vim te agradecer pelo comentariãooooooo no post da minha parceria com o Jacques!
    Ri um monte haha!
    Beijinhos e ótima semana e espero que o niver tenha sido booommm!!!

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    1. Cissinha, eu dei muita risada com o texto da parceria entre vocês! Ficou sensacional!

      Beijinhos e obrigado por tudo! :)

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  17. Essa situação da greve na Bahia e em várias universidades federais só me enche de desesperança quanto ao futuro do Brasil. Não é questão de pessimismo, mas o que vai acontecer é a perpetuação das mazelas seculares: quem pode pagar pela educação, vai se manter naquela classe social minoritária que dita os rumos das cidades, estados e do país. Quem é pobre vai continuar pobre vivendo no perrengue sendo iludido por medidas de "inclusão" e falsas melhorias mas que, na verdade, só o exclui ainda mais.

    Os empresários deveriam ter uma postura em relação a essas greves na educação afinal de contas, eles vão ser prejudicados futuramente pela falta de mão-de-obra qualificada. Se é que já não estão sendo. Como eles vão poder crescer? Vão começar a importar mão-de-obra qualificada e barata da China? Como iremos nos manter no posto de 6ª maior economia do Globo? E bem, sabemos que na verdade, quem manda no país e na política, não é o povo, mas os empresários que, por sua vez, controlam o povo.

    Sempre achei que as greves fossem capazes de fazer o povo acordar pra realidade porque seria algo que os prejudicaria diretamente, mas vejo que isso não acontece. Quando o transporte público da região metropolitana de Florianópolis para, eles apenas ficam choramingando porque vão ter que gastar mais dinheiro com vans que cobram o dobro da passagem - a prefeitura legaliza o trabalho destas vans durante estas greves. Nesta brincadeira, os cidadãos gastando com transporte uma quantidade quase igual ao que ganham em um dia de trabalho por medo de perderem o emprego ou terem desconto por falta no contracheque.

    Acho que isso é o que deve estar acontecendo na Bahia. O povo está revoltando, está se mobilizando? Ou está conformado "foi sempre assim, e assim sempre será, amém?". Sendo assim, não existe uma luta por serviços públicos de qualidade, mas uma necessidade de investir o pouco do salário em planos de saúde e escola particular para os filhos. Esta parece ser a única via para sair da estagnação social e obter alguma qualidade de vida... ou virar atriz-modelo-manequim, ex-BBB, jogador de futebol ou ganhar na loteria.

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  18. ;é muito legal gostei do texto .....so que também fiquei ate hoje sem reber 6 mes no periodo de 2010 ...é uma vergonhar trabalhar e nao receber nada....matricula é 11459801-6

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