terça-feira, junho 22, 2010

Cultura e malandragem


(outra charge antiga. Não é que faltem ideias, falta é tempo mesmo. Mas vale!)

A morte do escritor português José Saramago, prêmio Nobel em Literatura, causou grande comoção nos fãs do autor de “Ensaio sobre a Cegueira” – e até naqueles que não apreciam o estilo literário do português, mas que compreendem a importância do escritor no mundo das letras. Eu me incluo neste último grupo.

E até quem nunca leu um livro de Saramago se manifestou. E dentre diversas declarações, houve uma que me chamou a atenção. Uma modelo quase desconhecida chamada Solange Gomes soltou a seguinte pérola em seu twitter: “Pergunta que não quer calar...rs, será que aqui todo mundo sabe quem é Saramago? Ou foram correndo falar com o Tio Google?”; logo depois a modelo afirmou que não gostava de ler.

Evidente que a “modelo” aproveitou a morte de um escritor mundialmente cultuado para fazer uma provocação e conseguir uns 15 segundos de fama – e acho que não conseguiu – mas por incrível que pareça a moça fez um apontamento interessante.

Em um país onde a leitura é um hábito praticado por uma pequenina parcela da população, é natural que nem todos conheçam ou sequer tenham ouvido falar em José Saramago. E muitas pessoas nas redes sociais pela internet confessavam isso, perguntando quem era Saramago. Imediatamente eram “atacados” com comentários do tipo “aff (!), que falta de cultura, não sabe quem é Saramago”, “ o brasileiro é muito alienado” e outras expressões no mesmo nível e para pior.

Isso não deixa de ser uma forma de Cyberbullying, uma modalidade de violência onde indivíduos são humilhados, intimidados e assediados por outro(s) individuo (s) através de tecnologias digitais. Quando um sujeito chama um indivíduo de “burro” por desconhecer o escritor Saramago está cometendo uma agressão. O fato de não conhecer o escritor português configura um sujeito sem cultura, alienado? É preciso tomar cuidado para não repetir velhos erros perigosos do passado, apenas para citar um exemplo: os colonizadores portugueses e espanhóis chegaram à América e dizimaram centenas de milhares de nativos pelo fato dos mesmos “não possuírem cultura” – no caso, a cultura dos valorosos habitantes da Península Ibérica.

Se grande parte da população brasileira não conhece Saramago, Machado de Assis, Lima Barreto, Fernando Pessoa, Charles Bukowski, Tchekov e muitos e muitos outros escritores isso não quer dizer que seja alienada ou sem cultura. Há outras razões para isso, mas isso fica para outra postagem. Sim, tem a ver com educação, mas também com o que o escritor e professor Daniel Pennac, em seu “Como um Romance”, adverte: o verbo ler não suporta o imperativo.

MALANDRAGEM
Jogador de futebol brasileiro, em boa parte, gosta de dar uma de “malandro”, mas quando é vítima de “malandragem” do jogador adversário fica revoltadinho. E isso acaba se estendendo para boa parte dos torcedores que aprovam a malandragem principalmente se é usada para ganhar um jogo.

Na partida entre Brasil X Costa do Marfim, vencida por 3x1 pela nossa seleção, o atacante Luís Fabiano fez um lindo gol, chapelando duas vezes os zagueiros adversários na grande área. Um golaço, pena que todo irregular: o atacante usou o braço duas vezes para levar vantagem no lance. Todo mundo comemorou, é claro, mas o gol deveria ser anulado.

Estranho foi o comportamento de muitos torcedores em não se importar com a irregularidade do lance. Diziam que “o importante é ganhar” e ninguém levantou a voz para dizer que o gol “foi roubado”. Curiosamente esses mesmos torcedores são aqueles que detonam o ex-jogador e agora treinador da Argentina, Maradona, pelo gol feito de mão na Copa do Mundo de 1986, no México; condenam também o jogador Thierry Henry, da França, que usou a mão para levar vantagem em um lance que se tornou o gol que classificou a seleção de seu país para a Copa do Mundo na África do Sul.

Já na expulsão do jogador Kaká, da seleção brasileira, o jogador da Costa do Marfim foi malandro e se aproveitou do nervosismo do bom moço camisa 10 da seleção brasileira e cavou a falta, fez uma encenação e conseguiu o cartão vermelho para o brasileiro. Neste caso quase todos levantaram a voz para dizer que “foi roubado”, a expulsão “foi injusta”, etc – mas se esquecem que o jogador Rivaldo usou de um expediente muito pior na Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul/Japão ao simular uma bolada no rosto quando na verdade o adversário chutou a bola em sua perna. Na ocasião foram poucos torcedores e “especialistas” que saíram em defesa do jogador turco e muitos elogiaram a “esperteza” do jogador brasileiro.

É como cantava Bezerra da Silva: “malandro é o cara que sabe das coisas”. Mas de vez em quando aparece um cara que sabe um pouco mais. Coitado dos “mané”, que “da vida tem muito o que aprender”.

FÉRIAS
Este humilde e tosco blog ficará sem atualizações por uns 15 dias, afinal é período de férias e festividades juninas pelo Nordeste e este escriba partirá para algum local ignorado pelo sertão ou chapada diamantina. Certamente que os 4 ou 5 corajosos leitores não sentirão falta. Até breve e viva Seu João, vendedor de milho, amendoim, vinho e tocador de sanfona dos bão!

Sem malandragem, me siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

terça-feira, junho 15, 2010

Brasil, 15 de Junho de 2010, 15:30

Hospital

- Doutor Quemada! Doutor Quemada!
- Vai, Robinho! Pedala, Robinho! Isso, toca pro Kaká! Vai Kaká!
- Doutor Quemada! Doutor Quemada!
- Enfermeira, vai ver se tô na esquina...uhhhhhhh! Droga, Luís Fabiano!
- Doutor Quemada, temos uma emergência! Um paciente está com a cabeça rachada e em estado grave no centro cirúrgico!
- E daí? Dá uma aspirina pra ele e pede um eletro encefalograma! Toca essa bola, Maicon!
- Doutor, o caso é grave! Só estamos aguardando o senhor!
- Amém, enfermeira! Ah, mas que droga! Chama o oftalmologista!
- Doutor, o caso é pra uma cirurgia na cabeça, o senhor é neurocirurgião, o caso não tem nada a ver com oftalmologista!
- Eu tô falando desse bandeirinha! Onde já se viu? Marcar impedimento nesse lance? Ah, que que é isso, tá precisando de óculos! Ladrão!

Congresso Nacional

- Bem, doutor Pitanga! Aqui estamos! Vamos fechar logo aquele esquema que conseguimos arrumar?
- Esquema? Hum, é, esse esquema do Dunga é muito defensivo, não gosto!
- Deputado Pitanga! Estou aqui falando de um negócio que trará muitas vantagens para nós e o senhor assim, disperso?
- Vantagens? É, também acho! A Coréia do Norte é muito fraca, tem que golear pra abrir boa vantagem no grupo!
- Deputado! Assim o senhor me ofende! Não instalei aqueles grampos todos e passei horas e horas na escuta dos senadores e ministros para o senhor chegar aqui e falar de futebol!
- Escuta? Ah, sim, essas vuvuzelas são muito chatas e esse narrador também é insuportável!
- Desisto! Senhor deputado Pitanga, ou o senhor me dá atenção agora ou vou procurar outro deputado para fechar negócio. Mas devo advertir-lhe que o senhor está prestes a perder uma excelente oportunidade!
- Perder? Sai pra lá, seu pé frio! O Brasil vai fazer 4 x 0 nesse timinho da Coréia! Vamu lá, Brasil! Arrebenta esses comuna!

Barraco da Periferia

- Ae mano! Tá na hora! Vamo descolar uns presentinho de São João, aproveitá que tá todo mundo ligado ni jogo e vamo fazê a festa!
- Peraí, pô, dá um tempo. Ó lá, começou!
- Porra, Picolé! A gente num combinou, cacete? Ia fazê uns arrastão nas loja e aproveitá que tá todo mundo distraído com jogo?
- Pô, Bafão, dá um tempo, quase me fez perder esse lance!
- Puta merda, tu é foda mesmo! Vou desligar essa porra e aí...
- Vai fazê o que, mano?
- Carai, vamo logo, se liga: os policia tá tudo assistino jogo, os segurança, as loja tudo dando sopa, vamo lá, cacete, pegá umas LCD, uns computado, uns som...
- Ae, Bafão, dexa dá o intervalo, aí nóis vai, pô, relaxa aê!
- Merda, fazê o que, tu é mole, tamo vacilano aqui e...
- OLHA O LADRÃO! OLHA O LADRÃO!
- Ih, sujô! Dá no pé, Picolé!
- Qualé, Bafão, to falano pro Kaká soltá a bola, tá prendeno dimais a bola e tão roubano ela direto! Tá assustado, Bafão?

Motel

- Ai, amor, enfim, sós! Um quartinho só pra nós dois, pelo menos por algumas horas livres daquela megera da sua esposa!
- Droga!
- O que foi, amor?
- Neste quarto aqui a TV só pega canais pornôs!
- Hum...é? Que bom, nada como um filminho pra esquentar, né? Vem cá...
- Peraí, gata, dá um tempo. Vou ligar pro gerente! Isso não pode ficar assim!
- Como? O que foi, o que está acontecendo?
- Cadê o jogo, pô? Cadê? Quem quer ver essa porcaria de filme pornô, filme pornô é tudo igual, assistiu um, assistiu todos!
- O que? Não acredito! Seu babaca, eu estou aqui! Eu estou aqui e você preocupado com jogo. Com futebol?
- Ei, espere um pouco!
- O que foi?
- Você!
- O que que tem eu?
- Sua roupa...
- Ah, até que enfim você reparou amor! Gostou desse conjuntinho? Bem sexy, não? E o decote? Não quer ver mais de pertinho?
- Hoje é jogo do Brasil e você tá usando vestido azul e branco, cores da Argentina??? Pô, gata, cadê o seu patriotismo?

O MELHOR DA COPA ATÉ AGORA
Campanha “ Eu quero a seleção da Dinamarca no Brasil em 2014, na sede em Salvador”.

Créditos das imagens: folha e globo esporte

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sexta-feira, junho 11, 2010

Agora é só Copa do Mundo! E viva o futebol!

Charge antiga, mas vale...recordar é viver! =)

E começa mais uma Copa do Mundo, desta vez na África do Sul. Serão 32 países que disputarão o título de futebol mais cobiçado do planeta. Os favoritos de sempre, como Brasil, Argentina, Itália, Alemanha estarão lá, bem como os “quase favoritos” como Espanha, Holanda, França e Inglaterra, além de seleções que pelo visto serão verdadeiros sacos de pancada como Coréia do Norte, Argélia e Nova Zelândia.

0 X 0

Futebol hoje é um negócio da... FIFA. A Federação Internacional de Futebol vai lucrar cerca de US$ 4 bilhões com esta Copa do Mundo na África. A grana vem dos direitos de transmissão – para se ter uma ideia a Festa de abertura da Copa foi transmitida para 215 países por diversas emissoras de TV- e patrocinadores. Para sediar a Copa do Mundo, a África do Sul estourou o orçamento previsto para a construção de novos estádios: de US$ 2,15 bilhões para US$ 4,15 bilhões. Percebam que os números não são nada humildes, afinal tratam-se de “bilhões”. Os números também não são tão modestos quando nos referimos aos salários de jogadores “de elite” como Robinho, Ronaldinho, Kaká e Luís Fabiano. Um garoto com 18 anos de idade como Neymar já ganha seguramente seus R$ 100 mil. Para milhares de garotos, é o sonho da ascensão social: carros importados, mansões, mulheres, jóias, tudo o que o dinheiro pode proporcionar. E muitos garotos desprezam o estudo atrás do sonho de ser um jogador de futebol profissional.

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De posse de tais informações, algumas pessoas atacam o futebol – sobretudo no Brasil: “ Com esse dinheiro todo era possível construir escolas, hospitais, equipar a polícia, mas o brasileiro é alienado, só pensa em futebol, Copa do Mundo, é um absurdo!”

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É verdade que com essa dinheirama toda é possível construir muitas coisas, mas vamos com calma. O futebol não é causa de “alienação” nenhuma e tampouco tem a ver com “desenvolvimento e subdesenvolvimento”. Os ingleses são loucos por futebol e não consta que a Ilha da Rainha seja subdesenvolvida e nem que os súditos sejam, espera-se, “alienados” – da mesma forma a Alemanha, Holanda e Espanha, entre outros. O que é digno de cartão vermelho por aqui é a educação pública praticamente falida e o desconhecimento do que seja cidadania. Cidadania que seria útil, por exemplo, para cobrar onde a grana do seu imposto é aplicada. Nestes pontos – e tantos outros – o Brasil ainda ocupa a 3ª divisão e precisa melhorar muito caso queria chegar à divisão de elite.

1 x 2

Como nesta época em cada canto do Brasil se “respira” futebol e envolve até mesmo quem não gosta do esporte, o fato do evento acontecer na África do Sul serviu para uma coisa muito importante: as pessoas vão conhecer a história de Nelson Mandela.

2 x 2

Espantei-me quando perguntava aos meus alunos em diversas turmas – e põe diversas nisso! – se eles conheciam ou já ouviram falar em “Nelson Mandela” e a resposta era negativa, seguido de um “quem?”. Poucos, pouquíssimos alunos ( de Ensino Médio e EJA- Educação de Jovens e Adultos)conheciam o líder sul-africano que lutou contra um dos regimes mais nojentos do século XX: o apartheid.

2 x 3

Foi bom: falei para estas turmas sobre Nelson Mandela e o regime conhecido como apartheid e alguns alunos relataram exemplos de discriminação racial aqui em Salvador, a Terra da Alegria e da Felicidade. E como a África do Sul e a capital baiana possuem semelhanças nesta questão racial! - o que lá era explícito, aqui continua velado e muitos não tem consciência que são vítimas de preconceito. É verdade que esse tipo de discussão funcionou bem melhor nas salas de EJA – Educação de Jovens e Adultos do que nas salas de Ensino Médio lotadas de adolescentes mais preocupados com outras coisas – do tipo: quanto tempo o professor iria ficar naquele blá-blá-blá?

3 x 4

Mas como nos conta uma fábula russa, “ ciscando num monte de esterco o galo encontrou uma pérola”, a discussão rendeu observação muito interessante de uma aluna:
- Então o guerreiro de verdade é Nelson Mandela, que ficou esse tempo todo na cadeia e lutou por uma causa boa, e não esses jogadores que aparecem na TV dizendo que são guerreiros e ganhando dinheiro pra beber cerveja!

4 x 4

O futebol pode nos contar muitas coisas sobre os costumes e comportamentos de uma época. Como escreveu Nélson Rodrigues, “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”. E acrescento: no cotidiano também. Como já dito, além de uma ferramenta para ascensão social, o futebol também funciona como uma espécie de “identidade nacional”: quantos brasileiros que viajam ao exterior nunca ouviram um “ Brazil? Pelé! Ronaldinho!”? E é interessante notar como o futebol foi, de certa forma, uma espécie de “democracia racial” conquistada gradativamente. No ínicio do século XX no Brasil os negros eram proibidos de jogarem futebol – era um esporte aristocrático; aos poucos os negros e mestiços conquistaram espaço e venceram o preconceito – embora ainda exista.

Deixo uma indicação literária para quem não gosta de futebol mas também não nega que o Brasil vive um período de euforia/esperança (a esperança em tornar-se protagonista, deixando o "complexo de vira-lata" em outro plano) em Copas do Mundo: “Futebol ao sol e à sombra”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. O livro traz histórias curtas e deliciosas – algumas nem tanto, como a chegada de João Havelange ao poder na FIFA – e o melhor: é baratinho. Recomendado para quem é fanático e para quem não gosta de futebol. Eduardo Galeano é um excelente escritor.

5 x 4

E vamos todos juntos, pra frente Brasil, salve a seleção! Apesar do Dunga e seus 11 perebas, fica difícil não torcer pelas arrancadas de Kaká, as pedaladas de Robinho, os gols de Luís Fabiano e a técnica invejável de Felipe Melo, Josué, Júlio Batista...er...bem, deixa pra lá. E conselho final para quem vai assistir à Copa pela TV: no controle remoto existe uma tecla chamada “MUTE”: ela será muito necessária, pois pior do que as Vuvuzelas, só mesmo a narração do Galvão Bueno.

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domingo, junho 06, 2010

Reflexões, muitas felicidades e muitos anos de vida!

Com tantas coisas estranhas e interessantes acontecendo no mundo como o legado de George Bush vivo e atuante em Israel, Dunga elogiando a educação do Zimbábue – do ditador Robert Mugabe, procurem saber sobre esta figura e “divirtam-se” – e por aqui na Terra de Santa Cruz aprovado o projeto “Ficha Limpa” ( não foi o Maluf que fez), venho dar vazão ao meu ego narcisista(!) e compartilhar com os meus parcos e gentis leitores que aqui aparecem de vez em quando minha desprezível técnica da “escrita automática”.

Sabem o que é isso? Aprendi quando cursei a faculdade. Vou simplificar: é algo parecido com “diarréia mental”, ou seja, o sujeito vai escrevendo as coisas sem pensar direito. A julgar pelo o que vejo no orkut, twitter e uns prints de MSN, muita gente faz isso muito bem.

Mas eu estou aqui refletindo um pouco sobre meu aniversário. Sim, foi 04/06, não é uma data bonita? Eu gosto muito dela, soa bem. Não vou publicar o ano porque como dizem no twitter seria uma #putafaltadesacanagem – seja lá o que isso queira dizer especificamente.

Geminiano do segundo decanato, regido pelo planeta mercúrio. Segundo a astrologia isso significa que sou inteligente, curioso, estudioso, perspicaz, versátil e extremamente mentiroso – segundo as características de Mercúrio, o deus da comunicação e dos trapaceiros. Mercúrio não é Baco, mas é do balacobaco – gíria antiga, dos anos 80 (eu acho), o que deixa pistas sobre minha faixa etária, mas não me pergunte o significado disso, senão eu pergunto o que significa “caraca, mó irado”.

As profissões mais indicadas para um geminiano são aquelas relacionadas à comunicação, literatura e, claro, ensino. Hey, teacher, estava escrito nas estrelas, hein? No amor...bom, no amor eu pulo este capítulo. Talvez quando a lua estiver em Vênus eu possa escrever melhor sobre este tema.

E quanta baboseira até aqui. Como eu já afirmei, é a escrita automática, é assim que funciona. No dia do meu aniversário, numa sexta-feira, dei uma boa olhada no espelho. Felizmente ele não estilhaçou com essa cara feia - e estava pior ainda por não ter dormido o quanto gostaria - mas observei com mais atenção essa minha face refletida no espelho. Todos mundo dá uma paradinha em frente ao espelho e ajeita o cabelo, limpa os dentes, enxagua o rosto, enfim, se preocupa com a estética e a aparência.

Porém quantos se olham no espelho e enxergam de verdade o que ele reflete? Eu fiz isso depois de muito tempo. Esteticamente enxerguei um sujeito que outrora tinha mais cabelo e estes eram pretos, mas mesmo assim talvez eu esteja melhor do que quando era adolescente, com aquele cabelão todo e costeletas enormes. Mas isso não importa, dei uma boa olhada no espelho e vi um reflexo pálido, apenas. De alguém que precisa renovar e se renovar, que talvez precise sorrir mais e como diria o velho safado do Bukowski, parar de se importar com coisas que não merecem importância. Mentira, ele diria isso de outro modo, mas deixa pra lá.

O aniversário serve para isso: para se olhar no espelho e refletir de fato a trajetória que a pessoa fez até ali dentro deste circuito fechado que é a vida e que sempre retorna para um ponto do passado – mais ou menos a teoria do eterno retorno de um filósofo maluco. Teoricamente é uma volta ao ponto exato do qual a pessoa nasceu, uma espécie de marco zero. Um recomeço. E a partir disso olhar pro espelho e projetar onde, como e com quem deseja comemorar o aniversário no ano que vem ou daqui a 10 anos. É construir, planejar. Talvez este seja o melhor presente de aniversário.

Mas não reclamaria de ganhar um desses carrões esportivos que valem uns R$ 300 mil. Como eu não ligo para carros, venderia e compraria uma casinha com quintal, jardim, uma biblioteca, espaço para uma rede, um cachorro – certo dois: Capeto ( do Fantasma) e Rufferto ( do Groo) - e uma nega chamada Teresa. Ok, não precisa se chamar Teresa. E um time de futebol de salão infantil, meninos e meninas vestindo a camisa do Santos. Será que é isso o que eu quero no ano que vem? Daqui a 5 anos? 10 anos? Tive a oportunidade de tornar tudo isso real até no ano passado – menos os R$ 300 mil. Mas sou geminiano. Inconstante. E com tendência à burrice, no meu caso. O jeito é aprender com os erros, por mais dolorosos que sejam.

E chega de texto emo. Foi isso que pareceu e apareceu. Não farei revisões, portanto não estranhem se aparecer um erro assassinando a última Flor do Lácio: para o pior texto de todos os tempos, isso – erros ortográficos – é fichinha.

Escrito na passagem do dia 04/06 para o dia 05/06. Mais velho, não: mais experiente, o que no meu caso não significa muita coisa. Trilha sonora de Seasick Steve, um daqueles tiozinhos desconhecidos lá do Delta do Mississipi que fazem miséria com uma slide guitar: “man from another time”. Bem apropriado.

Na próxima edição voltaremos ao normal.

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