quarta-feira, abril 29, 2009

Gripe do porco, das aves, do homem e outros bichos

(a charge tosca é de autoria do dono deste blog. Clique na imagem para vê-la em tamanho maior)


Embora eu seja um senhor avançado em anos ( ora, um sujeito com 30 anos de idade e que não acompanha os gadgets e novidades deste mundinho moderninho e utiliza o telefone celular apenas para "falar com outra pessoa" é praticamente um idoso) não costumo ser saudosista ou rancoroso com este esperado século XXI.

Mas devo confessar que sinto falta do tempo que “gripe aviária” era conversa mais reservada aos biólogos, ornitólogos, zoólogos e amantes das aves em geral preocupados com a saúde dos emplumados e que “gripe suína” era apenas um palmeirense gripado.

Como não podemos contrariar algumas leis da natureza, a gripe suína surge como mutação genética ( ah, que saudade quando eu lia isso apenas nos quadrinhos do X-MEN) entre vírus de gripes que afetam seres humanos, suínos e aves. Ou seja, como é algo novo, as vacinas atuais podem não ter efeito sobre esta mutação. Talvez o imbatível chá de alho da vovó resolva.

Alem do bombardeio de informações, entrevistas com médicos, opiniões abalizadas e sensatas de celebridades, cuidados e recomendações referentes à gripe suína, surgem também as famosas e impagáveis teorias da conspiração. Eu já falei aqui que adoro essas teorias porque abusam da criatividade e, quem não tiver cuidado, acaba “comprando” a tese. Ou, pior, clicando naquele link que traz a notícia "atriz Salma Hayek está com a gripe suína".

As melhores até agora falam sobre ataque bioterrorista sob o comando dele, o mitológico Bin Laden. Como se não bastasse, este vírus foi criado em laboratório e foi “solto” no mundo a mando do Osama ( talvez o "pequeno acidente" ocorrido nos frascos com vírus que acabaram explodindo em um trem na Suíça tenha sido coisa da Al Qaeda). Ou teria sido pela ordem dos Illuminati? Há quem diga que a culpa foi da OMS (Organização Mundial de Saúde) em um complexo jogo de interesses envolvendo FMI e o Banco Mundial, que financiariam tratamentos e remédios para os países mais pobres atingidos pelo vírus. Tudo com “programas de ajustes fiscais” (leia-se “privatização” e fim de direitos trabalhistas) e taxas de juros camaradas, é claro, afinal o mundo está em crise e chega de perder dinheiro, não é mesmo?

Deixando as teorias conspiratórias de lado, recorro novamente ao historiador norte-americano Mike Davis, já citado outras vezes neste blog. Davis escreveu em 2006 o livro chamado “O Monstro bate à nossa porta – a ameaça global da gripe aviária” , do qual o título já diz a que veio. Criticado pelo seu tom “apocalíptico”, Davis apenas se baseia em fatos extraídos de documentos oficiais e que obviamente não são de conhecimento público.

Ou seja, não é “catastrofismo” e tampouco o autor é um visionário: o confinamento de animais para abate (notadamente frangos e suínos), o desmatamento de florestas e matas para benefício de grandes fazendas, as péssimas condições de higiene em granjas industriais e "fundo de quintal", o modo como estes animais são tratados e abatidos e o contato entre seres humanos acabam criando condições para o surgimento de novas doenças ou variações virais como é o caso deste agente da gripe suína. Davis cita o exemplo de uma dessas megafazendas de criação de suínos nos EUA que produz mais esgoto do que a cidade de Los Angeles, segunda maior cidade dos Estados Unidos com quase 4 milhões de habitantes (sem contar a região metropolitana). Se pensarmos o que acontece ao redor do mundo em megafazendas, granjas industriais e em açougues clandestinos sem a mínima condição de higiene, não é difícil prever que a humanidade continua e continuará exposta a estes vírus e suas mutações.

Leptospirose, ebola, dengue, malária, gripe aviária, gripe suína...saudades da velha comida da vovó, que tinha em sua fazendinha 1 dúzia de galinhas, 3 porquinhos (não, não tinha nenhum lobo mau) e ninguém ficava doente por isso.

domingo, abril 26, 2009

Querido diário...


Querido diário: hoje acordei, escovei os dentes e fiquei feliz porque a chuva parou e o sol finalmente deu as caras em Salvador e também...

Não. Não é isso. Vou começar meu “querido diário” de outra forma. Deixe-me ver...já sei:

Querido diário: hoje acordei com uma dolorosa missão a cumprir. Finalmente consegui entender o formulário simplificado do Imposto de Renda e irei alegremente ao banco cumprir meu dever de cidadão para auxiliar no programa de milhas da câmara dos deputados e senado brasileiro. Eu realmente me orgulho disso, de forma que...

Também não. Tá muito chato falar sobre isso novamente e todo mundo enjoou sobre este assunto. E falar em imposto de renda é doloroso, mesmo sabendo que o governo adora, afinal o dinheiro será utilizado em projetos relevantes para a população. Mas como é difícil escrever um diário! Achei que fosse mais simples. Ah, já sei! Começarei assim:

Querido diário: Lula é o cara mesmo! Depois de ser elogiado pelo Barack Obama, aparecer no South Park e anunciar que terá um blog e conta no Twitter, agora anda trocando correspondências com o Bono Vox, aquele vocalista de uma banda chamada U2. E o Bono elogiou o presidente, chamando-o de “campeão dos pobres”. Acho que o Lula até aprendeu a cantar aquela musiquinha “it’s a beautiful day cumpanhero”. Lula é pop!

Ainda continua ruim. Não está ao nível de um querido diário. Deixe-me ver...posso falar do almoço de hoje. Não, não quero que os meus leitores peçam a receita secreta do Miojo Galinha Caipira e Tang Uva, nada disso. Ah, já sei, agora vai:

Querido diário: fui à Bienal do Livro da Bahia. Um evento cultural é sempre interessante de se frequentar, mas a Bienal precisa ser repensada para tornar-se mais relevante e atrativa. Há pouca ou quase nenhuma diferença das edições anteriores, se bem que deram uma melhorada nos espaços destinados a entrevistas e bate-papo com autores. (foi bacana o espaço dos cordelistas - sempre ótimos - e a Arena Jovem. Ponto para a organização.) Mas uma Bienal em que os preços dos (bons) livros são rigorosamente os mesmos praticados pelas livrarias da cidade não motiva tanto os soteropolitanos.

Mas, como dizia um amigo, Bienal não é lugar pra comprar livros, é lugar pra trocar uma ideia com escritores. Então tá. Bati um papo bem legal com o Antônio Cedraz, criador das geniais tirinhas da “Turma do Xaxado”. Gosto muito da simpatia e da humildade do Cedraz, que também faz um trabalho bacana em várias escolas. Deu até umas dicas de desenho e incentivou este tosco blogueiro que rabisca de vez em quando uma bobagem ou outra. ( sim, estas charges mal feitas que vocês encontram por aqui são de autoria grootesca) A Bienal já teria valido a pena somente por este bate papo. Parabéns ao Cedraz!

Outra coisa que me animou muito na Bienal: fuçando aqui e ali nos estandes (e achando uma edição jóia do Homem-Aranha por uma pechincha) encontrei um livro sensacional: “Meu sonho é cidadania”, do José Luiz Datena. Sim, ele mesmo, o Datena, pô! Cadê as imagem, cadê as imagem, pô! O livro tem poesias, umas crônicas e fotos, muitas fotos do “povão” e da periferia. Isso me animou: se a Karina Bacchi e o Datena podem lançar um livro, por que eu não posso lançar um livro também?( nem que seja pela janela) Talvez seja a parte mais difícil, afinal já plantei árvores mas ainda não tenho filhos, embora isso não seja tão complicado – basta eu ganhar na mega sena ou virar presidente do Paraguai e deverão surgir alguns rebentos aqui e ali, nunca se sabe.

Ainda na Bienal. Havia um estande bem interessante por lá e que me chamou a atenção: “Saiba como anda seu stress”. Até pensei mesmo em “medir meu stress” da mesma forma como se “mede a pressão” nas farmácias, só que olhando melhor para o estande, vi que era de uma editora que representava o L. Ron Hubbard. Quem? Já ouviu falar da cientologia, aquela religião um tanto assim...hã..."não convencional" frequentada por astros de Hollywood como Tom Cruise, Jennnifer Lopez e John Travolta? Pois é. Além do mais, a moça que estava “medindo o stress” dos visitantes parecia que estava era hipnotizando as pessoas. Sei lá se sou paranóico, mas não quis saber da representante do Hubbard, não...

Ah, agora, sim, isso está parecendo um querido diário. Melhorou bastante!

- Mas Groo, ficou sem foco, tem um monte de assuntos aí! Você vai postar isso no blog? Vai arruinar sua reputação!

Vou, ora! Um blog não é um diário pessoal? Então! Os meus compreensivos 5 ou 6 leitores podem escolher o tema que mais se identificarem e comentar. Eu nem sabia que tinha reputação...agora, fica quieto e me deixa assistir o vídeo do Joaquinzão detonando o Gilmar Dantas Mendes! Dá-lhe Barbosão!

quinta-feira, abril 23, 2009

"Apagão" de professores

clique na imagem para ampliá-la
Meus parcos e corajosos leitores já perceberam que o tom deste blog muda quando o assunto é relacionado à educação. Isso porque este humilde blogueiro trata a educação com a seriedade que o assunto merece. Gostaria de ter o senso de humor de grandes especialistas do tema como Gustavinho Ioschpe, Cláudio Moura Castro e Gilberto Dimenstein, mas como não tenho esta verve humorística, espero que se contentem com meus pobres escritos com uma roupagem mais séria desta vez.

E é justamente pelo fato de não tratar a educação a sério que está causando um fenômeno interessante no estado da Bahia: a falta de professores no ensino fundamental e médio nas escolas, o que tem levado inclusive a manifestações de alunos nas ruas reivindicando este “pequeno detalhe” na sala de aula, o professor.

Tal situação não chega a ser uma novidade. Em 2007 o MEC já mostrava preocupação com um “apagão” de professores no ensino médio. Só na Bahia faltam 7,3 mil professores notadamente de disciplinas como Química, Física, Biologia e Matemática. O governo estadual ( que nada faz para tornar a profissão mais atrativa) já anunciou que utilizará professores temporários através de contratos por tempo de serviço.

Além do magistério não ser uma profissão atrativa por inúmeras questões (baixos salários para cargas horárias excessivas, violência nas escolas, precária infra-estrutura de trabalho, apenas para citar "alguns" exemplos) existe um descaso dos governos disfarçado sob marketing educacional, estatísticas e gastos equivocados.

O governo baiano adquiriu um recurso que à primeira vista parece ser interessante: a TV Pen-Drive. Adquiridos ao custo de R$ 38 milhões, os aparelhos – TV’s que permitem o uso de pen-drive para expor imagens, vídeos e áudio MP3 - já estão nas escolas, mas continuam nas caixas à espera de instalação em boa parte das escolas e, segundo a secretaria de educação, os professores serão capacitados para a utilização do recurso, que funciona com um pen-drive específico. Isso ainda não aconteceu.

Este é um bom exemplo de gasto equivocado até o momento. A questão não é adquirir aparelhos caros com tecnologia de ponta (é bom para o marketing político) e sim observar a estrutura das escolas para que tais aparelhos possam de fato ser úteis no processo de ensino e aprendizagem. Qual a vantagem de uma TV de custo elevado se a escola não tem professores, não tem estrutura elétrica adequada ou sequer materiais básicos para alunos e professores? Se é para passar imagens, música MP3 e alguns vídeos na TV, um simples CD de R$ 0,99 e um aparelho de DVD dos mais baratos atendem satisfatoriamente tais necessidades.

É a velha falácia de que a “tecnologia resolverá todos os problemas da educação”. Os laboratórios de informática de muitas escolas estão aí, mal utilizados ou servindo como depósito de carteiras e cadeiras velhas. Recurso tecnológico é importante, mas não é apenas isso que tornará a escola mais atraente para novos professores que queiram se aventurar (este é o termo) pelos rumos da educação. O chamado “apagão de professores” poderia ao menos chamar a atenção para este grave problema que só vem aumentando ano a ano e medidas para a revitalização do magistério poderiam ao menos surgir como perspectiva para atrair novos professores.

Mas no país em que certos governadores vão à justiça para impedir um piso salarial milionário de R$ 950 aos professores e em que nossos nobres dePUTAdos torram dinheiro público com passagens de avião para a amante, namorada, sogra e amigos, talvez seja mesmo melhor acabar logo com o magistério de vez. Afinal, o que basta hoje é saber fazer conta de mais e de menos: para os trabalhadores entenderem a subtração nos salários; para os políticos, a operação de adição nos já polpudos salários e vantagens. E, é claro, para os deputados é válida a disciplina de Geografia, afinal eles precisam saber onde fica Nova Iorque, Miami, Buenos Aires...

domingo, abril 19, 2009

Papo (grampeado) entre deputado e amante

Devido ao enorme sucesso do grampo entre o empreiteiro e o deputado, prestando um grande serviço à nação que conheceu em detalhes as negociatas no Cãogresso Nacional, agora resolvi divulgar a conversa entre um deputado federal e sua amante linda e loira. Evidentemente que os nomes das personagens serão preservados, até porque o que precisa ser preservado de verdade é minha integridade física; os links são apenas referências de caso recentes ocorrido no Brasil, e qualquer semelhança com nomes e acontecimentos relacionados será mera coincidência...ou quase.

- Alô?
- Alô, eu quero falar com o deputado mais lindo, mais charmoso do Brasil?
- Loira! Benzinho, eu já falei pra não ligar pra cá...esses telefones podem estar grampeados, nunca se sabe!
- Ah, amor, é que eu tava morrendo de saudade!
- Eu também tenho saudades de você, minha gata, mas é preciso desligar, você sabe, estou visado agora e...
- É coisa rápida, querido. É só pra perguntar uma coisinha.
- Pois seja rápida.
- Tá. É o seguinte: estão me chamando de desonesta, falando que viajei às custas de dinheiro público...eu num to intendeno nada, morzinho. O que eu faço?
- Querida, acredite: você está indo muito bem. Continue dizendo que não sabia de nada, faça-se de desentendida e finja que está indignada.
- Mas morzinho, eu realmente não sei de nada, não tô intendeno nada e tô indignada de verdade! Se tem uma coisa que eu não sou é ingênua! Então diga sem rodeios: você mentiu pra mim?
- Não, não, você sabe que eu jamais faria isso, imagine se eu, um deputado federal com um nome a zelar, iria mentir! Tudo o que eu fiz foi legal!
- Ah, isso foi mesmo, morzinho! Foi tão legal aquela nossa viagem pra Europa!
- Europa?
- É, onde tem a estautua da Liberdade, aqueles prédios todos.
- Ai, meu Deus, deve ser por isso que falam das loiras...
- Oi? Alô? Morzinho? A ligação tá ruim...
- Ah, oi, meu benzinho, faz o seguinte: depois eu te explico tudo direitinho, tá? Agora preciso desligar, na verdade não podemos falar disso no telefone, sabe como é, os grampos...
- Ah, eu acho que esse negócio de grampo na linha é mentira. Quem consegue colocar um grampo dentro deste fio? Mas veja bem, querido: tão te acusando de ser ladrão. Eu não agüento isso, meu morzinho, você é deputado, não é ladrão, é diferente!
- Loira, não se preocupe com o que dizem por aí. Logo, logo ninguém vai se lembrar dessas coisas, é só fazer um discurso bonitinho falando que “meu compromisso é com a lei” e que “cometi erros, mas de boa fé” e pronto, volto aos braços do povo que me elegeu para esta nobre casa!
- Ai, meu lindo, quando você fala assim...hmmmm, eu fico toda arrepiadinha aqui! Você sabe, né, querido, eu sou um viciada em...
- Loira, peraí, vamos com calma, estou aqui no meio de um turbilhão político e você vem falar dessas coisas? E ainda mais no telefone que pode estar grampeado! Olha, faz o seguinte: vamos desligar e neste final de semana a gente se encontra, certo?
- Ainda vamos nos encontrar no final de semana?
- Mas é claro, chuchuzinho! E vamos botar pra quebrar!
- Ainda vamos jantar naquele lindo restaurante de luxo em São Paulo e você vai trazer o cartão cooperativo?
- É cartão corporativo! Claro que nossa programação está mantida, minha delícia...por que achou que mudaria algo?
- Eu sou uma mulher compreensiva, morzinho...olha, se não puder, tudo bem, eu vou entender. Eu li que você pagou um dinheiro que tomou emprestado, sei como são essas coisas, deve estar com dificuldades financeiras, mas o importante é o sentimento!
- Minha nossa, deve ser por isso que falam das loiras!

quinta-feira, abril 16, 2009

O que é ser um "Brahmeiro"?

Já está rolando na TV e em todos os horários possíveis a nova propaganda do Ronaldo Fenômeno de Marketing, o Brahmeiro que...como? Você ainda não viu? Tá na hora de ligar a TV e “ficar por dentro” dos fatos importantes que acontecem no Brasil, não acha? Pra sua sorte, ainda bem que existe o youtube!

Tem um monte de opinião na internet e em blogs falando desta propaganda do Ronaldo. Em linhas gerais, dizem que é um “absurdo um atleta fazer propaganda de bebida alcoólica”, etc e etc. Aqui mesmo no Grooeland tem um texto sobre isso.

Mas o que ninguém diz e ninguém tentou compreender foi o termo “brahmeiro”. O que é um brahmeiro? Como ele age? Tem alguma coisa a ver com “guerreiro”? (maldito Pedro Bial)

O Grooeland, sempre preocupado com estes fenômenos sociológicos, procurou e achou um Brahmeiro legítimo, que topou relatar um dia de sua vida para que vocês, meus fiéis 3 ou 4 leitores, entendam este termo. E o melhor é que essa pesquisa custou uma mixaria: foi só pagar uma cervejinha e pronto! Não se assustem com alguns palavrões, afinal isso faz parte do jeito brahmeiro de ser!

DIÁRIO DE UM BRAHMEIRO

06:00 – Hã? Que horas são? Droga! Tô atrasado! A essa hora eu já devia tá saindo pro trampo, merda! E por que a mulhé num mi acordou? Saco!

06:10 – Pô, num tem nem um pãozinho pra comer! Só esse cafezinho preto mesmo. O jeito vai ser traçar a média lá na padaria do portuga, mas é foda que só tô com o dinheiro da condução.Vida de guerreiro num é fácil!

07:46 – Esse supervisor tá começando a encher o saco! Falou que mais um atraso e eu vou pra rua! Vá se fudê! Porra, a loja vende um bocado, as entregas aumentam e eles não contratam mais gente e é a gente é que tem que se desdobrar?Ah, vá pra merda!

08:20 – O Carlão reclama de tudo. Ele só dirige, porra, e a pior parte fica pra gente. Tá pensando que é fácil levar essa geladeira pro 5º andar de um prédio com elevador quebrado? E a velha deu 2 real de caixinha! 2 real pra dividir pra eu, pro Toró e pro Carlão.

10:10 – A gente se perdeu, o Carlão tá cada dia pior! Mas a entrega foi leve, foi só um fogão na casa de uma coroa toda enxutinha, toda gostosa, uns peitão bem legal, ela num usava aliança, acho que ela deu mole pro Toró, pô, esse negão traça todas! Mas ela deu 5 real de caixinha, gente boa!

12: 13 – Hora do almoço. Termino rápido meu rango no bandejão e vou ali na esquina no boteco do Gegê pra tomar a minha Brahma, agora eu posso, tenho uns trocados, ah, eu mereço, ralei a manhã toda, sou guerreiro.

13:15 – Puta supervisor chato do baralho! Agora tá cismando com meu hálito! Eu só tomei uma cervejinha, isso não faz mal pra ninguém, velho nojento!

14: 30 – Agora entregamo uma TV de 42 polegadas na casa de um ricaço que parecia ser meio viado, porra, o cara deu em cima de mim e o Toró e o Carlão tão me tirano! Mas o cara foi gente fina, deu 10 conto de caixinha, ta vendo, não é porque é viado que não é gente boa!

15: 54 – Entreguamo outra TV mas essa de 32 polegadas numa quebrada perigosa. Porra, que merda de vida eu tenho! Todo mundo comprando TV bonita e eu lá com a minha porcaria de 20 polegadas e a mulhé nem pra ajudar com o dinheiro que ela ganha fazendo umas costuras lá. Mas uma dia eu consigo, quem é guerreiro consegue!

17:12 – Foi a última entrega do dia, uma máquina de lavar. A dona era uma gordinha gente boa que ofereceu um cafezinho pra gente e deu 5 real de caixinha.

19:04 – Finalmente, tô aqui no boteco do Zé, na minha quebrada! Depois de dar o maior gás no trampo eu mereço uma Brahma, todo guerreiro merece!

19:35 – Olha o Ronaldo na TV! Ele é brahmeiro, esse é guerreiro mesmo, um exemplo de vida, garra e dedicação! Acho que todo mundo devia se inspirar nele! Esse é o cara, sem falar que é do Timão!
19:55 – Ah zi fudê Zé eu num pago tudo qui devo? Intão porra bota outra brahma ae porra eu mereço sou brahmeiro!

20:19 – Zuzo bem traish outra qui agora o dominó tá isquentano!

20:36 – Cê ta robano borra ah zi vudê pô parcero vamo contá essas pedra direitcho borra!

21:00 – Ah zi vudê Zé cê tem qui atendê bem os cliente pur que vozê vai fechá agora? Hein? Craro qui vô pagá borra meis que vem eu pago zó mi dá um tempo! Borra, Zé, num impurra, baralho! Tô saino, tô saino!

21:15 – Eza mulhé zó recrama de tudo vá zi vudê recrama q a geladera ta vazia e num tem nem um pão nos armário e diz que eu fico nus buteco borra mulhé ah zi vudê cala a boca eu ralo o dia intero szô guerrero cala a boca borra!

21:23 – eu inda encho essa mulé di porrada cala a boca borra! E faiz esse moleque pará de chorá! Baralho cala a boca vozês dois! Eu djá falei qui o aluguel vô azertar tudo é atrazo piqueno de 3 mezis só!

21:30 – Ela diz qui num guenta mais então voda-zi vaimbora ela diz qui o moleque tá chorano de fome é mentira ela é qui num ciuda direitcho do moleque borra ah cala a boca vagabunda! Bêbado é o baralho! Cala a boca!

22:00 – eu vinalizo aqui meu diário como vozês pode vê eu tenho que zuperá um monti de obstáculo tipo um zefe zato, um zerviço de merda, uma mulhé que recrama de tudo, um moleque que chora o tempo todo e tudo izu porque eu fazo questão de manter meu istatus de brahmero eu zou brahmero eu zou guerreiro borra!!!

segunda-feira, abril 13, 2009

Nazaré das Farinhas e os Caxixis

Neste feriadão prolongado da Semana Santa resolvi fazer algo útil e bem mais interessante do que tentar entender o formulário simplificado ( quem falou que aquele troço é simples?) da declaração de imposto de renda e fui para a cidade de Nazaré das Farinhas, palco da tradicionalíssima Feira dos Caxixis.

Caxixi, meu corajoso e paciente leitor, na cidade de Nazaré, é o artesanato feito em barro, e leva este nome porque...boa pergunta! Estive na cidade e esqueci de perguntar por que a arte leva este nome. Procurando no São Google encontra-se “caxixi” para um instrumento de capoeira. Mas o porquê das peças de barro chamarem-se Caxixis ainda não descobri.

Liga pro meu jeito não, vamos continuar. A feira, no dizer dos moradores, é muito antiga ( e bota antiga nisso: tem uns 300 anos, mais ou menos a idade da Hebe Camargo) e os artesãos são extremamente habilidosos na confecção de suas peças, em belíssimos trabalhos. É tradição passada de pai para filho e demonstram toda a criatividade dos oleiros ( eu disse “oleiros”, não “olheiros”) da Vila de Maragogipinho, que é o “celeiro” dos artistas.

Tem todo o tipo de peça por lá. Desde as famosas meninas namoradeiras, passando por imagens sacras até algumas peças sacanas. Eu resolvi comprar um porquinho de barro, tamanho grande, para depositar umas moedinhas. Ao invés de apostar na mega-sena, acho que o melhor mesmo é depositar uns trocados no porquinho. Com as altas taxas de manutenção que esses bancos cobram e com a caderneta de poupança rendendo uma merreca, o porquinho hoje é a melhor aplicação financeira. Viram? Não dêem ouvidos a Miriam Big Pig, Joelmir Betting e outros amadores: leia o Grooeland para dicas quentes de economia!

Para chegar a Nazaré das Farinhas é fácil. Difícil mesmo é depender do serviço de balsa que faz a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, o famoso Ferry-Boat ( ou ferribôte, como chamam por aqui), pois é preciso muita paciência e uns bons trocados. E se você fica mareado como eu, o (mau) serviço está completo. Mas vale a pena: depois de finalmente desembarcar (são e salvo), dá uns 50km de estrada até Nazaré.

Nazaré das Farinhas não se resume à Feira dos Caxixis. E nem ao Vampeta, mas esse ninguém lembra mais quem é, felizmente. A cidade tem um belíssimo conjunto arquitetônico ( a cidade foi fundada em 1572), mas há prédios antigos e de grande valor cultural abandonados, em ruínas e o pior disso tudo é que há pouca ou nenhuma perspectiva para restaurá-los. Não deveria me surpreender, afinal o descaso que o Brasil tem para com sua história é...histórico, perdoem a redundância.

Uma pena também que o belo rio Jaguaripe, que corta a cidade, demonstre marcas de poluição. É fácil verificar as embalagens PETI de refrigerantes e embalagens plásticas de todo o tipo de produto que bóiam pelo rio, além de outros lixos. Se há alguma coisa conservada nesta parte do rio é o canoeiro, que ainda pega sua canoa e navega por aí, mas pelo o que vi essa cena em breve também ficará apenas para a memória.

Voltando à parte boa. O povo de Nazaré é muito simpático. Essa gente da cidade grande, que se diz “sofisticada e moderna” tem muito que aprender com o pessoal que mora no interior. Simpatia, por exemplo. Sem contar que a prosa é da boa e rende, como a que tive com uma moradora sobre...cobras!

- Eu tenho um chocaio de cascavel aqui em casa!
- Tem? É pra espantar mau-olhado, né?
- Oxe, dizem que serve até pra remédio. Ó, aqui o chocaio, ó. Tssssc-tssssc-tssssc!
- Cobra valente, a cascavel!
- Se é. E essa aí tinha 8 anos!
- Como é que sabe?
- Oxe, tem oito guizo. Cada guizo é um ano.
- Ah, essa eu não sabia.
- Pois é, já vi tanta cobra que até entendo um pouco.
- Tu conheces Tinga?
- Tinga? Não, como é?
- É uma cobra preta, que tem um ferrão na cauda...
- Ah, conheço, mas não por esse nome. Por aqui não tem não, tem pros lados de Amargosa. Essa cobra gosta de água.
- Isso, vive à beira dos lagos, cacimbas... não é venenosa, mas o ferrão machuca que só o que!
- E como é que um paulista* sabe dessas coisas? Lá em Sum Paulo num tem disso!
- Ah, mas eu conheço umas coisas. Soube do Tinga pelo meu avô lá de Mundo Novo que contou uma história: tinha um neguinho** que resolveu cortar caminho por dentro do pasto, passou na beira de uma cacimba e pisou num Tinga. Aí começou a correria: o neguinho numa carreira doida pra se livrar do Tinga que vinha também nas carreira dando chicotada. Diz meu avô que o sujeito chegou em casa branco de susto!
- É isso memo, é isso memo, parece um chicote memo. É cobra valente! Não tem bicho mais valente do que cobra! Por isso que essas casa aqui se chama Vila das Cobras: só tem gente valente!

* paulistano abestalhado radicado em Salvador há 10 anos e que mesmo assim ainda chama semáforo de “farol”, ao invés do popular “sinalêra”;

** Vai "neguinho" mesmo. Meu avô não era de rodeios e jamais falaria “um pequeno homem de traços negróides” ou “um rapazola afro-descendente”. Portanto, radicais e agentes do PC (politicamente correto), não encham o saco deste escriba. Ou, como dizem por aqui, "ô meu nêgo, num se estresse não..."

PS: Recebi alguns selos por aí ( e só de gente boa, escritores de primeira: do Renan, da Nat e do Marcelo). Tenham paciência, que ainda entro no joguinho e colo os selos em algum lugar. É que eu tinha que falar dos Caxixis, ora pois!

quinta-feira, abril 09, 2009

MANIFESTO DO EXCELENTÍSSIMO PREFEITO DE SÃO TOMÉ DO BREJO SECO, Sr. TENORINHO MAGALHÃES.

Povo de São Tomé do Brejo Seco, prezados baianos e irmãos brasileiros,

Meu nome é Tenorinho Magalhães e sou prefeito da grande cidade de São Tomé do Brejo Seco. Tenho 65 anos de idade dos quais dediquei 40 à vida pública da qual tenho amor imenso, pois isso aqui, ao contrário do que muitos pensam dá prejuízo; mas estou aqui porque gosto e porque o povo tem apreço pelos meus métodos políticos, tanto que fui eleito pela 7ª vez ao cargo de prefeito, e com muito gosto assumo esta responsabilidade.

A minha luta sempre foi em favor do povo. Nestes 40 anos sempre lutei para que nada, nada mesmo faltasse ao povo lá de casa. E basta observar a cidade, meus amigos, para verificar que neste período progredimos bastante, apesar de estarmos esquecidos na região do semi-árido!

Nossa indústria prospera! Hoje temos o frigorífico Magalhães, a indústria de laticínios Magalhães & Filhos, a indústria de calçados Magalhães & Magalhães, a indústria alimentícia Magafood ( fornece inclusive a merenda escolar para nossas crianças) enfim, um maravilhoso parque industrial que gera emprego e renda aos 5 mil brejeenses, sem contar as maravilhosas praças Tenório Magalhães pai e Valfrida Magalhães, espaços de socialização e lazer que embelezam nossa cidade.

Apesar de todos esses avanços, não podemos parar! A marcha do progresso tem que continuar e é por isso que vou lutar junto aos demais prefeitos da Bahia por mais verbas junto ao governo federal. Sim, povo brejeense, cidadãos baianos e brasileiros, comunico-lhes, por meio deste manifesto, que estou aderindo à paralisação dos prefeitos da Bahia no próximo dia 28 do mês corrente junto a outros colegas prefeitos no Brasil! E se tiver que acontecer greve geral, serei o primeiro a aderir!

Apesar de altamente desenvolvida e ocupar posição de destaque no cenário nacional, São Tomé do Brejo Seco, assim como centenas de cidades baianas, sobrevive graças à verba do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). O governo federal cortou parte das verbas e a renegociação das dívidas está complicada.

Queremos o que é justo para nós, e também não é justo que o povo, este povo que sempre me deu confiança, sofra com politicagens baratas e com justificativas na crise financeira por parte do governo federal, a quem peço sensibilidade. O São João está chegando e precisamos da verba do FPM para investir em projetos importantes para a cultura do brejeense. Grandes eventos como o carnaval, a MicaBrejo ( nossa famosa micareta) e o São João contam com a participação de artistas regionais, como Claudia Milky, Gleidivete Netuno e Dorinha Magalhães, artistas destacadas das quais a sociedade brejeense sente muito orgulho! Investir no meu povo: essa é a minha razão e história de vida!

Portanto, meus amigos brejeenses, baianos, nordestinos, brasileiros: não se deixem levar por mentiras infundadas que a oposição inventa! São denúncias de nepotismo vazias, sem provas e as contas do município são transparentes! A verba do FPM não é para promover o baile de 15 anos de minha neta, como tem alardeado os opositores, isso é uma mentira, pois ela tem 16 anos. O dinheiro será utilizado para alavancar a indústria em nossa grande cidade, gerando emprego e renda para meu povo!

E, no dia 28 de Abril, vamos à luta! Por São Tomé do Brejo Seco e pela Bahia!

Atenciosamente,
Toninho Magalhães
Prefeito de São Tomé do Brejo Seco-BA
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O GROOELAND ficou em segundo lugar (geral) no V concurso de blogs da comunidade “eu tenho um blog”. O merecido vencedor foi o ( muito bom) blog Interlouco; parabéns! Gostaria de agradecer a todos pelo apoio, pelos votos e pelos comentários cada vez mais inteligentes e de conteúdo que aparecem por aqui, muitos superando em qualidade o próprio texto postado no blog. Muito obrigado e...continuem prestigiando este humilde e inofensivo blog!

segunda-feira, abril 06, 2009

A cigana tinha razão?

Os meus 3 ou 4 fiéis leitores ( e eleitores também, assim espero) que acompanham este humilde blog sabem do apreço que tenho por uma fezinha de vez em quando na Mega Sena. Quando surge um prêmio acumulado vou à lotérica na fé cega de que “hoje é meu dia”.

Isso tudo porque há algum tempo fiz uma consulta com uma velha cigana que garantiu minha sorte nestes jogos de loteria. Desde então venho tentando o sucesso, embora nunca tenha acertado nem mesmo em rifa que sorteia liquidificador usado.

A princípio fiquei desconfiado com as previsões da cigana, mas somente agora, depois de tanto tempo, entendi suas enigmáticas palavras quando perguntei não apenas sobre o meu futuro, mas também o futuro deste imenso país e do mundo:

- Vejo um mundo em constante mudança. Vejo um presidente negro na maior nação do mundo...não, não, isso aqui tá com algum defeito, não é possível, imagine só se isso vai acontecer! Peraí...ah, agora vai! Pois então, vejo uma mudança nos mapas, na América Latina, inclusive no Brasil, que perderá terras e estas darão origem a nações independentes! E vejo também que você não tem os 5 reais para pagar a consulta e...

Hã... deixemos o restante pra lá. O que a cigana viu em sua bola de cristal (que eu pensava ser um aquário pintado de branco e com uma pequena lâmpada dentro) agora faz todo o sentido. Sabem aquele tipo de notícia que passa batido nos rodapés dos jornais, fica escondido nos sites de notícias e a televisão nem divulga?

Pois é. Saibam vocês que uma ONG espanhola quer comprar um belo pedaço da Amazônia. Os espanhóis tem um orçamento de pouco mais do que R$ 500 mil e esperam conseguir financiamentos para comprar área de 100 mil hectares na floresta. Não, modéstia não é o forte destes espanhóis.

Isto não se constitui em novidade. Que tem muita ONG estrangeira na Amazônia deitando e rolando com as possibilidades oferecidas pela rica floresta todo mundo já sabe, menos os deputados (de "oposição" e "governo") que praticamente sepultaram a CPI das ONGs e o Gilmar Mendes.

E “deitando e rolando” é o melhor termo, pois o governo admite desconhecer quem compra terras na região amazônica, o que dá margem para várias teorias como a de que “laranjas” são usados por organizações não-governamentais estrangeiras para adquirirem terras. E há alguma verdade nisso: em 2007 a ONG Cool Earth afirma possuir 2 mil hectares de terras no Brasil, enquanto um milionário sueco adquiriu 160 mil hectares em 2005. É bom repensar se “a Amazônia não está à venda”.

Será que a cigana tinha mesmo razão? Teremos em breve um mapa do Brasil bem diferente do atual, com várias nações independentes no território que corresponde hoje à Amazônia? Mesmo que a cigana tenha visto em sua bola de cristal um mapa da América do Sul com base nos livros de Geografia feitos pela secretaria de educação do estado de São Paulo, não duvido de nada do que possa acontecer.

Até mesmo eu realmente ganhar a mega sena acumulada.
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sexta-feira, abril 03, 2009

Pela reabilitação de uma categoria injustiçada!

(clique na imagem para visualizar melhor)

Sempre há algumas profissões que admiramos por vários motivos. Médicos que salvam vidas, professores que se dedicam a alfabetizar e a ensinar, jornalistas que se desdobram pela informação, veterinários que amam e respeitam os animais e por aí vai um leque de inúmeras profissões e cada qual com seu encanto.

No entanto, há uma categoria profissional que precisa ser reabilitada e respeitada urgentemente: os nossos nobres políticos. É exatamente isso o que você leu, meu paciente leitor. ( e eleitor, espero. Vote no Groo!)

Claro que eu também pensava como você. Quando me referia aos políticos, emendava um “é tudo safado” ou “cambada de vagabundo”. Mas uma grande virtude que o ser humano possui é rever seus conceitos. E eu repensei tudo aquilo que pensava sobre políticos e agora eu posso dizer sem medo: não há profissional mais dedicado ao país!

Duvida? Veja o José Sarney, reeleito como presidente do Senado outro dia. Ele só aceitou concorrer à presidência do senado por “amor à vida pública”. Não é bonito? Quem foi que disse que ninguém faz mais nada por amor? Quer dedicação maior do que esta?

E tivemos também, há pouco tempo, a declaração maravilhosa do senador Mão Santa, do Piauí. Olhem só como o senador utiliza bem as palavras e nos emociona: “Mas nós representamos o que há de melhor neste País. (...) Nós somos virtuosos. Nós devemos e somos os pais desta Pátria”. Pode pegar o lenço, eu aguardo.

Para fechar esta pequena coletânea com exemplos para que possamos rever nossos (pre)conceitos em relação aos injustiçados políticos, um trecho do discurso do senador Tasso Jereisati, do Ceará, que também demonstra o altruísmo desta gente: “Isso aqui não dá lucro, não. Isso aqui dá prejuízo. Se faço é porque é um trabalho que me orgulho de fazer, e farei a vida inteira”.

Depois destes exemplos tenho a firme convicção de que os profissionais de outras áreas deveriam seguir os modelos destes políticos citados. E não apenas por demonstrarem amor e dedicação aos seus trabalhos; mas sobretudo pela postura ética e absolutamente profissional que eles mantém. Por exemplo, você já ouviu falar em greve de senadores, deputados e vereadores? Bem diferente dos professores, que todos os anos inventam uma greve para trabalhar menos e ganhar mais, um verdadeiro absurdo, já que ganham um excelente salário e tem as melhores condições de trabalho.

Portanto, meus caros, revejam seus conceitos e passem a observar com maior atenção o trabalho de nossos políticos, a fim de que possamos reabilitá-los moralmente e principalmente reconhecer todo o esforço, toda a dedicação e todo o amor destas pessoas em suas extenuantes funções no Congresso Nacional – e tenho certeza de que o entusiasmo deles seria o mesmo recebendo um salário mínimo por mês, afinal de contas o que importa é o amor.
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quarta-feira, abril 01, 2009

Papo (grampeado) entre empreiteiro e político

Tão pensando o que? Que só a Polícia Federal e a ABIN podem grampear telefones? Estamos no século XXI, meu caro, tempo em que a tecnologia da bisbilhotice avançou e está ao alcance de qualquer cidadão. Imagine se eu, fã do Big Brother (ícone da bisbilhotice nacional), ficaria de fora dessa?

Consegui grampear uma conversa entre o dono de uma empreiteira e um político. Não tenho autorização da justiça para isso, mas quem liga para esses detalhes? Não divulgo nomes porque até a bisbilhotice tem seus limites.

- Podemos falar por aqui?
- Não se preocupe, esta linha é livre de grampos. Pode falar.
- E então, tá tudo certo?
- Ainda não, falta acertar a parte que cabe ao nosso partido.
- Ué, mas não ficou acertado 30 mil?
- O pessoal aqui do diretório achou pouco. Querem um pouco mais.
- Quanto?
- 80 mil.
- Porra, aí já é demais!
- Vocês pagaram 70 mil pro partido de oposição. Nós da situação queremos só 10 mil a mais.
- Como vocês sabem deste valor pra oposição?
- Ah, pelo amor de Deus! Esse papo de “oposição e governo” é só jogo de cena pra imprensa e pro povo, né?
- Tá, tá, eu sei...mas vamos combinar o seguinte: eu dou os 80, só que quero mais.
- Mais o que? Você não conseguiu a licitação para a construção das escolas?
- Eu sei, mas é que tô de olho naquela área do horto florestal, que dizem ser reserva de Mata Atlântica. Ali dá um excelente condomínio clube e um shopping.
- Aí é mais complicado, tem que lidar com o IBAMA, aqueles eco-chatos...
- Vocês têm deputados que são líderes de bancada e comissões. Ajeita tudo pra mim num projetinho igual desse aí das escolas que eu te arrumo os 80.
- Aí vai ser 100.
- Porra, mas é por isso que dizem que todo o político é filho da puta mesmo!
- Alto lá, não precisa ofender. Entenda: nós temos lobistas bons em algumas áreas, como na educação, e isso você sabe muito bem, tanto que arranjamos uma parceria muito boa com uma empresa que fornece alimentos para a merenda escolar. Disso nós entendemos. Agora, nessa área ambiental é mais complicado, mas a gente dá um jeito.
- Ó lá, hein? Investir 100 mil não é pouca coisa não.
- Fica tranqüilo. Alguma vez falhamos com você? Lembra daquela rodovia lá no interior? Então, rapaz! Parceria é isso.
- É verdade, aquela estrada rendeu um bom dinheiro. Rodovia continua sendo bom negócio mesmo. Bom, então fica assim. Esquema de sempre?
- Esquema de sempre. Divide na conta do motorista, do caseiro e da empregadinha.
- Certo. É sempre bom fazer negócios com o partido.
- E pensa direitinho naquele nosso projeto...Copa do Mundo no Brasil é certeza de grandes negócios. Mas para isso precisamos estar lá, né?
- Amigo, se depender de mim, eu apoiava uma ditadura com vocês no poder! E com essa Copa do Mundo eu me aposento, ah, se aposento! Me mando pra Miami e largo a empreiteira na mão dos meus filhos!
- hahaha! É a certeza de que o futuro de nossos filhos estará garantido, pois já tô preparando os moleque aqui para a vida pública!
- hahaha! É isso aí! Abração!
- Outro!

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