quarta-feira, dezembro 30, 2009

O que aprendi em 2009


Peço aos meus 3 ou 4 eventuais leitores que me perdoem, mas não vou falar sobre o Suriname ( agora, todo mundo sabe onde fica) e nem sobre o “apagão” do blogger em algumas regiões do Brasil que dependem da péssima e horrorosa “prestadora” de serviços OI/ VELOX. ( novamente peço desculpas por não ter visitado alguns blogs preferidos neste período)

Hoje a postagem terá um tom confessional, quase de auto-ajuda. E como essa é a última postagem do maldito ano de 2009, é assim que deve ser. Vai ficar piegas, portanto, se não quiser continuar, visite os links aí no menu à direita.

O que aprendi em 2009

- O trabalho enobrece, e o trabalho em excesso enlouquece. Pense nisso antes de considerar apenas o aspecto financeiro.

- Encontrou alguém que o ama? Não seja idiota e acomodado e trate de cuidar, regar este amor, sempre.

- Ciúme e sentimento de posse destroem qualquer possibilidade de relacionamento feliz e equilibrado.

- Controlar o temperamento faz muito bem à saúde. De ambos.

- É ótimo ter amigos. Mas é bom descobrir, de fato, se poderá contar com esses “amigos” nos momentos em que você mais precisar de apoio ou apenas de um ouvido. Aliás, é bom descobrir também o que é o conceito de "amizade" para alguns.

- Nunca, nunca se anular como indivíduo. Jamais!

- Dizer “não” às vezes faz bem. E saber como aceitá-lo faz muito bem.

- Um passo atrás não significa exatamente uma regressão na carreira ou vida pessoal: pode representar o maior passo dado até então.

- A frustração machuca e é ruim. Mas é necessária para reconstruir.

- Tem talentos? Mostre-os para o mundo, mesmo que você seja tímido.

- O que passou, use como aprendizado. É hora de olhar para o presente e planejar o futuro.

Ficou piegas, ficou um texto típico de manuais de auto-ajuda, é verdade. Mas poderá ser útil para alguém que cair de pára-quedas por aqui; poderá ser útil para alguém que precise repensar algumas coisas em sua vida. O que está escrito aí me foi útil. Escrever frases tão simplistas não foi tão fácil como parece: foi o aprendizado de um longo ano, um ano que deixou marcas terríveis – claro, houve coisas boas, também - mas que servirão para a (re) construção de uma pessoa muito melhor, pois não sei como será o ano de 2010, mas certamente já sei o que NÃO fazer neste ano que se inicia.

A mudança e a (re) construção acontece em qualquer dia do ano, mas como há um simbolismo todo especial na chamada “virada de ano”, desejo a todos os amigos ( um carinho especial para meus amigos mafiosos), leitores, desafetos e visitantes do grooeland um FELIZ 2010, com muita saúde!

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quarta-feira, dezembro 23, 2009

Feliz Natal! ( à maneira do...Serjão)


- Incrível! O Serjão fez as malas e foi viajar neste fim de ano!
- Não acredito! Ele ligou pra você?
- O Serjão, telefonar pra alguém que não seja do sexo feminino? Até parece! Eu passei lá no prédio e o zelador disse que ele deixou uma carta pra mim.
- Uma carta? Ué...tô estranhando.
- Eu também. Bom, ele deixou um bilhete, dizendo o seguinte: “Leia no boteco, por favor”. Então, vamos ler, né?
- Pô, começa, tô curioso.

Meus queridos amigos, então é Natal e...Natal? Natal? Ora, deixem de bobagem! Não me digam que vocês ainda caem nesse apelo consumista, nessa historinha de “espírito de confraternização e paz”. Digo e repito: é pura bobagem, tudo muito bem armado para que vocês, manteigas derretidas, gastem seu suado décimo terceiro salário com presentinhos e lembrancinhas bobas. E em Janeiro estarão todos aí, endividados com IPVA, IPTU, matrícula, material escolar e outras taxas, que chegam todas de uma vez só!

E vocês ainda se dizem cristãos! Eu, que não piso na igreja desde o meu casamento ( tudo bem que eu fui amordaçado e dopado e quando vi estava no altar), sou mais cristão ou religioso do que vocês, seus materialistas vazios! Sigo quase todos os dez mandamentos, menos aquele que diz “não cobiçar a mulher do próximo”. Se a mulher do próximo me dá mole, o que eu posso fazer? Não vou arrancar meus olhos, certo? Bom, pra começo de conversa, o que Jesus - que pra mim sempre foi um grande agitador político-cultural-social, nada de divino, curador, milagreiro, nada disso - tentou ensinar e os cristãos não conseguem colocar em prática? Uma coisa simples como “amar ao próximo”. É bonito, mas desde que o próximo não esteja "tão próximo" assim e te deixe em paz, afinal o cristianismo só é levado a sério nessa época do ano, certo? Por isso os cartões virtuais são ótimos, pode-se mandar mensagens amorosas sem encher o saco e nem aparecer de surpresa na casa para filar a ceia!

Aliás, a ceia natalina seria até bacana, se não recebêssemos em nossas casas o cunhado chato, a sobrinhada pentelha, aquela prima metida à grã-fina que repara em toda a decoração. É, eu sei, lá em casa tá assim, tudo decorado, mas isso só acontece por iniciativa da patroa. Por mim, não movia um músculo, nem um pisca-pisca montaria! E as crianças, coitadas...a mulher diz que elas querem viver a “magia do natal”. Que magia que nada, elas querem é o presente do natal, isso sim! E lá vai o trouxa aqui se espremendo nos corredores de shopping procurando brinquedinho barato, suportando aquelas musiquinhas chatas, principalmente “Natal das crianças” tirada no cavaquinho!

Como ninguém merece esses shoppings e tampouco os preços praticados por lá, o jeito foi cair no comércio popular. Lá também tem “Natal das crianças” no cavaquinho, mas ao menos os preços são ótimos. O meu filho mais velho quer um tal de Playstation 2 e eu nem sei o que é isso, só sei que é a maior grana. Fui lá no camelô e comprei por um precinho camarada um videogame bem parecido, o Play Zation. Eu não entendo dessas coisas, mas o chinesinho me disse que o aparelho era galantido, né?

O que? Vocês acham que me rendi ao consumismo e tô bancando o Papai Noel? Ah, vão pra...deixa pra lá. Hoje não vou dizer um palavrão, prometo! Mas quero que o Papai Noel se...deixa pra lá, eu tô me controlando. Vocês sabem que essa atual figura bizarra aí do “bom velhinho” em nada lembra o São Nicolau, né? Esse que fica aí num casacão vermelho num calor de 30 graus foi vendido para o resto do mundo a partir de uma campanha publicitária de certa marca de refrigerantes e aí pegou, digo, colou, sacaram? A única ideia boa do Natal foi a substituição daqueles duendes ridículos por deliciosas ajudantes do Papai Noel! Parabéns a quem pensou nisso, ideia fantástica!

Como não posso remar contra a maré, não teve jeito: fui viajar para a casa da sogra. O que a gente não faz para manter um casamento, não é? Passar o natal na casa da sogra com um monte de cunhado mala é dose, tem que ter muito “espírito” mesmo! Então ao invés de deixar um cartão pros amigos, deixei essa carta para que vocês leiam aí no boteco. Além do mais, quero que esta epístola seja publicada lá naquele blog mequetrefe, o tal de Grooeland, já que o autor disse aqui mesmo nessa mesa, enquanto tomava uma limonada ( todo mané!),que estava pouco inspirado para escrever algo na época do Natal. Duvido que ele publique, pois é medroso e não concorda com algumas de minhas ideias, e certamente seus leitores também não concordariam.

Deixei aí umas 10 cervejas pagas para vocês. É minha forma de desejar um Feliz Natal! Até a volta, só depois do Reveillon!

um abraço do Serjão!

- Maluco até o fim, grande Serjão! Ei, será que o Jaime vai publicar o texto no blog?
- Sei lá. Duvido, também. Se publicar, pode ter certeza de que ele vai fazer a ressalva: as ideias contidas na carta são de inteira responsabilidade do autor da mesma, não cabendo ao dono do blog reponder por isso. Mas o negócio é aproveitar o presente que o Serjão deixou!
- Um brinde ao Serjão! Um brinde ao Grooeland e aos seus leitores!
- E um Feliz Natal a todos, porra!
- Você tinha que estragar tudo com um palavrão...!

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terça-feira, dezembro 15, 2009

Tem um blog? Cuidado: você pode ser processado.



Você é blogueiro? Gosta de escrever, desenhar e publicar suas ideias na internet e visita outros blogs contribuindo com comentários por essas páginas? Então, tome cuidado: você pode ser processado, censurado e acredite, passar pelo constrangimento de ter o seu comentário editado.

Muito interessante o que vem acontecendo na blogosfera ultimamente. Parece que certas empresas e advogados descobriram um novo filão para engrossar a rede de processos neste inferno judiciário que é o Brasil: processar blogueiros que tem algo a dizer e praticam essa tolice chamada “liberdade de expressão”.

Alguns casos nas últimas semanas deram uma boa amostra de como a situação de blogueiros que insistem nessa tal de liberdade pode se tornar difícil daqui pra frente. Ironicamente, o dono de um blog chamado “Liberdade de Expressão” foi condenado a pagar R$ 16 mil por conta de um comentário feito por um internauta sobre uma freira no Ceará; e até mesmo um blog feito por um casal de noivos que relata os preparativos para o casório foi ameaçado de processo judicial caso não retirasse uma postagem sobre a avaliação dos produtos de uma doceria.

Há muitos outros casos por aí. Basta procurar por “blogs censurados” no São Google.

É um assunto que ainda vai levantar muitos debates e polêmicas. Há quem diga que os blogueiros não podem sair por aí escrevendo sobre tudo e sobre todos. Mas aquele livrinho chato que geralmente fica esquecido no canto de alguma repartição pública chamado “Constituição Brasileira” prevê, em seu 5º artigo:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.


No mesmo artigo 5º da Constituição Brasileira, no dispositivo V, é assegurado o direito de resposta e indenização por dano material, moral ou à imagem; no entanto, a Liberdade de Expressão é garantida e a censura não pode ser imposta:

Art.220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 2º - é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Deixo claro que não sou nenhum advogado ou estudioso profundo das leis, portanto que os amantes da jurisprudência fiquem à vontade para esclarecer ou apontar falhas nesse texto, evidentemente não serão censurados e tampouco seus comentários serão editados, como no incrível caso no blog do jornalista Augusto Nunes, da revista VEJA. A ideia aqui é promover o debate e difundir informação.

Tais episódios demonstram que os blogs incomodam e o acesso à informação fora do controle de certos setores tradicionais e conservadores é uma “novidade” da qual poucos ainda estão acostumados.

E se algo incomoda, o que é feito em um país cuja democracia é recente e anda fragilizada por sucessivos escândalos políticos? Se quiser uma pista, basta verificar o projeto do senador Eduardo Azeredo, que procura “moralizar” e “vigiar” a internet. Imagine só, quem essas pessoas pensam que são ao publicar textos e charges à vontade por aí? Ora, bolas!

Uma pena que a inclusão digital no Brasil ainda não seja tratada com a seriedade necessária para que se torne também inclusão social e cidadã. Se essa galerinha que lota as lan houses espalhadas pelos quatro cantos do país descobrisse toda a potencialidade das mídias sociais, “muita gente” estaria em sérios apuros.

E é por conta disso que tentativas de censura e intimidações vêm se tornando comuns aos blogueiros - sim, tem muita porcaria e irresponsabilidade na blogosfera, mas também tem muito conteúdo excelente. Vale a pena dar uma olhadinha no projeto sobre o “Marco Civil da Internet” e acompanhar, pois é um projeto muito diferente daquilo que propõe o senador Azeredo.

Em tempos politicamente corretos e repletos de “não me toques” e onde tudo é “passível de processo” (leia-se “tentativa de levantar um trocadinho” em certos casos), é bom ficar esperto no que vem sendo discutido por aí – até para garantir que censura, realmente, nunca mais! Afinal, ninguém quer ter um post censurado ou sofrer alguma intimidação por emitir opiniões e exercer a autoria. E nem pagar indenizações, ainda mais se você for um pobre blogueiro que só tem uma guitarra velha, uma dúzia de cuecas, umas camisetas e calças de lojas de departamento e uns livrinhos chatos na estante.

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

A Copa de 2014 já deveria ter começado


(Pra variar, charge de mau gosto de "autoria do autor", como diria o filósofo Gessinger. Clique para visualizar melhor)

O genial Nélson Rodrigues já dizia: “o futebol é passional porque é jogado pelo pobre ser humano”. Reclame quem quiser, mas o fato é que o futebol está incorporado na vida do brasileiro com tanta força que é impossível ficar alheio a certas discussões sobre o esporte bretão – há controvérsias sobre a origem do jogo, mas duvido que os chineses fossem capazes de inventar algo tão estranho como o futebol. Minhas fontes ( que eu não revelo por dinheiro nenhum) dão conta que o futebol surgiu próximo a Roma, no ano de 451, em uma partida amistosa entre os Hunos de Átila x Romanos de Aecius. Os exércitos ficaram sem munição e começaram a chutar cabeças de cristãos capturados até uma meta. Ganhava quem acertasse mais cabeças em um determinado espaço no campo do adversário. Como os romanos tinham mais cristãos disponíveis e já eram os "pais da matéria", venceram a partida e Átila tirou o time de campo. Mas essa é uma longa história.

Mas retornando ao século XXI no Brasil ( qua qua qua) e a questão da paixão do brasileiro pelo futebol, todos sabemos que em 2014 teremos a sensacional Copa do Mundo aqui mesmo, no Brasil. E (quase) todos ficaram encantados com a possibilidade de assistir, pertinho de casa, um grande clássico do futebol mundial como Costa Rica X Bahrein. Mais encantados ainda ficaram os empreiteiros que vão construir/reformar estádios – e em 2016 tem Rio Olímpico, uma beleza. O brasileiro, apaixonado por futebol, festa e feriados, vai “emendar” 2015 logo de uma vez ( em Salvador é provável que o carnaval nem acabe).

Eis aqui o grande problema: todo mundo fala da festa, dos estádios, da alegria, da paixão...mas será que essa paixão toda resistirá aos pitacos daquela velha nojenta e que dá palpites em tudo chamada Dona Organização? E daquele chato (dizem que é amante da Organização) conhecido como Sr. Planejamento?

Talvez você estivesse em um tour por Plutão e Netuno, então te deixarei atualizado: o campeonato brasileiro terminou e o Flamengo, quem poderia imaginar isso, foi campeão! E o mais surpreendente de tudo: Fluminense e Botafogo NÃO foram rebaixados! Isso é realmente incrível. Sobrou pro Coritiba, que vai disputar a segundona no ano que vem.

Do campeão ao rebaixado, dois fatos dão uma boa amostra do que o Brasil ainda terá que fazer para não ficar de mal com Dona Organização e Sr.Planejamento em 2014. Na semana em que a procura de ingressos para o Maracanã foi intensa, houve muita confusão e a polícia agiu pra valer para tentar conter certos ânimos. Cambistas, correria, filas imensas, uma bagunça total; E em Curitiba, ao final da partida que rebaixou o Coritiba ( sai o CU entra o CO, estranho, não?) um quebra-quebra generalizado, a polícia com um efetivo insuficiente ( e sem muito preparo, pelo visto) e não conseguiu conter a fúria de torcedores rebaixados que por pouco não botaram fogo na cidade – e olha que torcem pro Coritiba, e não pro Botafogo.

Esses fatos apenas escancaram o que já se sabia: a Dona Organização é barrada na questão da venda de ingressos nos estádios brasileiros. Aliás, as bilheterias em boa parte deles são ótimas: um buraco na parede que mal passam os bilhetes e os ingressos. Já houve confusão parecida nos Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007 e parece que a lição não será aprendida; e em Curitiba o sr. Planejamento não foi convidado à mesa de negociações, pois será que ninguém imaginava que no último jogo do campeonato, valendo a “vida e a morte” dos dois times, a tensão era tão grande que poderia ser necessário talvez reduzir a carga de ingressos e reforçar o efetivo de policiamento? A cidade de São Paulo, por exemplo, já é descolada nessas providências, afinal o Corinthians é de lá e...ops!

A Copa de 2014 não começa em Junho daquele ano, isso se o calendário Maia estiver errado – ei, não fiquem nessa bobagem cinematográfica de blockbusters hollywoodianos (adoro clichês que os críticos de cinema utilizam em suas colunas pseudo intelectuais, e vocês?), procurem saber que barato é a profecia Maia e não deixem de ler sobre a profecia de São Malaquias, são geniais; voltando ao plano real, para a Copa no Brasil ser um sucesso é preciso arrefecer um pouco toda essa paixão ufanista e deixar que Dona Organização e o sr. Planejamento batam uma bolinha no meio de campo. E podem chamar a Sra. Transparência, ela não pode tomar cartão vermelho.

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segunda-feira, novembro 30, 2009

Serjão ou o otimismo (Panetones e cia)


AVISO: Em respeito às nobres senhoritas e senhoras que acessam este tosco blog e, principalmente, para conservar a pureza e inocência das crianças e adolescentes que caem aqui por acaso enquanto fazem “pesquisa escolar” na net, omitimos os palavrões vomitados por uma das personagens desta inútil crônica, afinal aqui é um espaço familiar, p****!

Gosto de sentar numa mesa de bar com o meu amigo Serjão, que em termos de beberagem só fica atrás do Bukowski e do Fausto Wolff e ainda assim tenho dúvidas se ficaria mesmo em desvantagem. Mas ao contrário do velho safado, que dava vexames e do velho lobo que chorava como criança quando ficavam bêbados, Serjão desanda a falar e geralmente fala com propriedade e lucidez impressionante para quem acaba de secar copos e mais copos de cerveja. Não perde a erudição, mas só abusa um pouquinho dos palavrões, mas nada que seja muito assustador perto de uma sala de aula, por exemplo. Eu, que encontrei Jesus ( a dra. Cristina de Jesus, que me aconselhou ficar longe do álcool, salgadinhos e outros venenos que entopem as artérias e causam impotência), fiquei com a minha limonada trocando uma ideia com o Serjão.

- É, Serjão, meu velho...o ano tá acabando! E passou rápido!
- Foi, e esses filhos da p**** aceleram o tempo! Desde Outubro já estavam com essas musiquinhas chatas de Natal pra todo o lado! P***, que negócio irritante!
- Ah, qualé, Serjão, cadê o seu lado criança? Deixe-se levar pela magia do Natal, do Papai Noel...
- Que p**** de Papai Noel o cacete! Natal é negócio, meu caro, é dinheiro! Vê se a molecada pobre lá da favela tem essa p**** de magia do c**** dessa m**** de Natal importado dos EUA! P***, os caras fazem uma decoração com motivos de inverno em plena periferia sob um calor de 30 graus! Somos é muito otários mesmo!
- Serjão, não precisa ficar nervoso, toma aí sua cerveja. O seu problema é que tu é um cara muito pessimista, sabe?
- E como não ser, c****? Como é que alguém pode ser otimista neste c* de país? Me diz aí, senhor Pollyana, como?
- Sei lá, cara, mas ficar xingando...
- Xingo porque não tem outro jeito e se o povo ao menos xingasse melhorava! Mas nem isso. Só xingam a mãe do juiz que roubou o time, só isso. Aliás, nem a m*** do meu time tem mais dignidade: entregaram o jogo praquele time que conta com a simpatia da maior rede de televisão do país, aqueles mafiosos!
- Peraí, Serjão, aí já é demais, cê tá delirando!
- Delirando? P***, vai t**** no c***, c****! Eu já estou com quase 40 anos, já passei da fase de acreditar em duende e sei bem o que estou dizendo! É como diria a Margarida lá do Fausto, livro daquele alemão metido a filósofo, o Goethe: Tudo gira em torno da grana, meu caro, aprenda isso, você que ainda é jovem!
- Sou extremamente jovem!
- E burro, pelo jeito. Olhaí outro escândalo de um político filho da p***! E o pior é que o desgraçado já aprontou uma vez e deveria ter sido condenado, mas nessa m**** de país a cadeia é só pra pobre e o filho da p*** voltou pro poder e, diga-se de passagem, graças a um monte de c**** que votou nele de novo! E pra justificar a propina, veja só, o cara teve a cara de pau de falar que 50 mil reais era pra comprar Panetone pros pobres! P**** que p****!!! Vá se f****, raça maldita!
- É, é a versão moderna da Maria Antonieta...hehehe! Pena que não tenha uma guilhotina pra esse caso.
- Que guilhotina o que, rapaz! Tinha que ter uma revolução nesta m*** de país, isso sim! Primeiro cortava as cabeças dessa raça toda e depois invadia o palácio e expulsava a corriola a chutes e pontapés mesmo!
- Calma, Serjão, não precisa ser radical também...
- Pô, vou te dizer uma coisa: gosto de você, mas você é ingênuo pra p***, hein? As coisas aqui nesse país só se conseguem mesmo na base da porrada, da truculência, a história do Brasil foi construída assim, na base do cacete e da malandragem!
- Quer dizer que não tem solução?
- Lógico que tem, p****! É entrar no ritmo do povão, que nem liga pra essas coisas e é até capaz de cobrar os panetones na cesta básica! E logo tá todo mundo dançando o “pagode do Panetone” ou “a dança da arruda” porque aqui tudo termina em festa mesmo. Mas eu prefiro a outra solução!
- Qual?
- Ô Manolo, traz mais uma garrafa, c*****!

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quarta-feira, novembro 25, 2009

E quem se importa com livrarias fechando as portas?

(yes, a charge é minha. Pode xingar, mas seja gentil)
Outro dia me perguntaram qual era o meu local preferido no Shopping Center. Respondi que era a porta de saída, o que não deixa de ser uma verdade, mas uma meia verdade: tem também as livrarias, que eu sempre gosto de visitar e folhear algumas obras interessantes – e quando sobra um trocado, levo o livro para casa.

Há poucos dias fui ao Shopping e, claro, dei uma passadinha em uma livraria que eu gosto bastante. Mas havia algo estranho: primeiro, parecia que o estoque não renovava e algumas prateleiras estavam vazias; e o mais estranho de tudo: a loja oferecia um desconto de 30% em todos os livros.

Então o negócio é aproveitar! Não é todos os dias que tem uma “promoção” assim na livraria, não é? Mas antes de caçar alguns bons livros, vou tirar uma pequena dúvida com o proprietário da livraria:

- Não me diga que estão fechando a loja...
- Digo, sim. Infelizmente.
- Bom, nem vou perguntar o motivo.
- É, é só dar uma olhada na loja.

Quase vazia, mesmo com o cartaz enorme na fachada anunciando o desconto. E desta forma mais uma livraria na cidade fecha suas portas, ao passo que casas de shows e bandas de pagode que fazem sucesso com letras didáticas proliferam na capital baiana.

É complicado apontar apenas uma causa para o fato do brasileiro não dar importância para a leitura. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro apenas confirmou o que já se sabia: o contingente de leitores no país é muito reduzido. Há diversos fatores para que isso aconteça: falta de estímulo à leitura, preço dos livros, concorrência com a mídia eletrônica, analfabetismo, enfim, há uma gama de justificativas.

De fato, pagar R$ 20 por um pocket book, por exemplo, é uma afronta, mas se pensarmos que um sábado à noite em um pagodão “Todo Enfiado” ou nos funks “Atoladinhos” regado com a cervejinha leva tranquilamente 30 conto do cidadão não há muito sentido falar em “custo”, e sim em “prioridade” e “estímulo”; o livro continua sendo caro, sim, para quem ganha um salário mínimo e precisa sustentar a família.

E as bibliotecas das escolas: por que quase sempre vazias ou até mesmo servindo como “motelzinho” para namoricos de alunos, como acontece em algumas unidades escolares? Há quem diga em falta de incentivo à leitura nas escolas, mas eu prefiro dizer que falta continuidade. As crianças, na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental I ( o velho primário) começam a ouvir as histórias contadas pelas professoras, frequentam a biblioteca, escolhem livros para ler, são movidas pela curiosidade de uma ilustração e assim são “fisgadas” ( o trabalho de um ilustrador de livro infantil é muito importante e deveria ser mais valorizado, assim como as Histórias em Quadrinhos). No entanto não há continuidade ao longo dos anos escolares, chegando ao ensino fundamental II (ginásio) quando finalmente há a “obrigatoriedade” da leitura. Isso afugenta as crianças e pré-adolescentes, que vêem a mídia eletrônica como algo muito mais prazeroso e divertido. E a leitura deveria ser isso nas escolas: prazerosa e divertida.

Mas não é só a escola. A própria pesquisa do Instituto Pró-Leitura demonstra que 63% dos não-leitores jamais viram os pais lendo algum livro. Aí poderíamos ter variantes como analfabetismo, baixa formação ou simplesmente desinteresse nas camadas sociais mais “privilegiadas”. O tempo passa, novas formas de se pensar e se relacionar assumem papeis relevantes na sociedade, mas a boa e velha ‘formação familiar’ ainda é fundamental. Uma pena que o próprio conceito de “família” vem se modificando, mas essa é outra história.

E o que irá substituir aquela livraria no shopping? Não sei e nem procurei saber. Talvez uma dessas lojas que vendem aparelhos de celular ou um stand do estilo “Central do Carnaval”. Ou, quem sabe, uma grande lanchonete de fast food pra entupir as artérias de todo mundo. Isso, sim, faz falta para as pessoas. Uma livraria a menos não importa.

PS: aproveitei a promoção e adquiri o delicioso “Confissões de um Anjo da Guarda”, de Carlos Trigueiro e “À Mão Esquerda”, do genial Fausto Wolff. Enquanto isso, o stand de vendas pro Reveillon com Ivete Sangalo e Psirico (ao menos tem Vanessa da Mata pra salvar a passagem de ano), com ingressos mais baratos custando R$ 130, “bombava”!


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terça-feira, novembro 17, 2009

FEBEAPA II - Mais do mesmo

(pra variar, outra charge tosca para rodar o mundo! Eu sei que deveria ter vergonha disso...)

Já escrevi em outra oportunidade aqui mesmo neste pouco acessado blog sobre o FEBEAPA – Festival de Besteiras que Assola o País, termo criado pelo genial coleguinha Stanislaw Ponte Preta para referir-se de forma muito bem humorada e sarcástica às...bobagens que assolam o país, ora essa!

Herdeiro da tradição do grande Stanislaw, mas sem o talento do falecido cronista, resolvi trazer 3 exemplos de como o FEBEAPA continua firme e forte no país e o material é de (pouca)qualidade! Gostaria de agradecer a todas as personalidades que ajudam a manter o festival.

Olhem que legal: Dona Canô desistiu de ligar pro presidente Lula! Que? Não sabem quem é Dona Canô? Ah, é porque você não mora na Bahia. É uma simpática velhinha de 102 anos que é apenas mãe do Caretano Seboso e da Maria Betânia. E isso basta para torná-la celebridade por aqui, com o seu nome batizando viadutos, ruas, praças, sambas e o que mais puder para puxar o saco dos filhos ilustres. Mas Dona Canô queria ligar pro Lula para pedir desculpas pelo filho, o Caretano, que chamou o presidente de analfabeto, grosseiro e sei lá mais o que. Eu fiquei decepcionado: esperava que Dona Canô falasse algo mais interessante pro Lula, coisa do tipo “aumenta a nossa aposentadoria”.

Aliás, quem chama o Lula de analfabeto, sem querer defender o ex-cumpanhero, deveria aproveitar que é alfabetizado e procurar saber o que é de fato um analfabeto. O presidente pode não saber de um monte de coisa ( e isso ele sabe muito bem), mas analfa, definitivamente, não.

E eu, em nome dos milhares de blogueiros que existem no Brasil, gostaria de agradecer ao juiz Pedro Sakamoto, da 13ª Vara ( por que chamam de “vara”? que estranho!) civil de Cuiabá, que proibiu dois blogueiros de “emitirem opiniões pessoais” sobre o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Pedro Riva. Segundo o Ministério Público, o cidadão faria parte de um esquema que desviou cerca de R$ 80 milhões da Assembleia.

Desta forma, gostaria de agradecer ao juiz por: a) multiplicar bastante o número de blogueiros que emitirão opiniões pessoais sobre o assunto; b) tornar tais denúncias conhecidas em todo o território nacional; c) dar uma lição, na prática, de como os blogs incomodam um bocado os setores mais conservadores que ainda não se deram conta da revolução que está acontecendo em termos de comunicação no planeta. Gracias, juiz!

Vocês já estão com a paciência mais curta do que minissaia quando ainda lêem alguma coisa relacionada à doce Geisy, aluna da UNIBAN que desfilou toda sua graça, simpatia e belas coxas nos corredores da faculdade e deu aquela confusão toda. Mas ainda há muitos que buscam respostas para um comportamento tão agressivo com a moça da minissaia. O genial jornalista Gilberto DimEINSTEIN parece ter encontrado a resposta,recheada de dados e estatísticas: a culpa, pelo jeito, é da “ascensão das classes C e D ao ensino superior”. Trocando em miúdos: pobre, na faculdade, só faz merda! Talvez tenha sido isso que o jornalista quis dizer com “esse pessoal vai fazer cada vez mais barulho”. É, pobre é PHoda, mesmo! Baixa o som ae, mano!

Diante de tantos exemplos do FEBEAPA, durma-se com um barulho desses! O coleguinha Stanislaw continuaria tendo um vastíssimo material para trabalhar.

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sexta-feira, novembro 13, 2009

Foi a Pirataria que venceu?

(sim, a charge tosca é minha. Clique para ver melhor os detalhes grotescos)

Eu já afirmei por aqui que não sou muito chegado a cinema de um modo geral. Para eu entrar em uma sala de cinema e desfrutar da “sedução da 7ª arte” tem que haver muito poder de convencimento por parte da outra pessoa - evidentemente que do sexo feminino, afinal estamos falando em “sedução”e, se o filme for ruim, parte-se para outras atividades no escurinho. E ser for bom, também. Mas essa é outra história.

Nem sala de cinema, nem TV, nem DVD. Sempre preferi a literatura e a música para meus momentos de lazer. Uma questão de gosto, apesar de ter assistido a alguns bons filmes na vida. Gosto de alguns clássicos como as comédias incríveis do Monty Phyton, um e outro do Hitchock, “Cidadão Kane” ( que já assisti umas 3 ou 4 vezes) e uns filmes mais "atuais" e esquisitos como o sensacional “Trainspointing” (e a trilha sonora é ótima!), “Cães de Aluguel” e “Corra Lola Corra”.

Mas recentemente estive assistindo os filmes da trilogia de “O Poderoso Chefão” por indicação muito feliz de uma amiga (que tem bom gosto, diferentemente de mim) e gostando muito da trama. Assisti as partes I e II e no fim de semana passado fui buscar a parte III na locadora. Só que a locadora estava com um aspecto diferente. Algumas prateleiras vazias, cartazes retirados...perguntei ao dono se eles estavam planejando alguma reforma. Mas não era nada disso:

- Infelizmente, vamos encerrar nossas atividades. A gente tá até vendendo uns filmes aqui para fechar mesmo o negócio.
- Puxa, que chato! Mas vocês vão encerrar as atividades aqui no bairro ou vão fechar de vez?
- É, vamos fechar de vez. Não dá mais pra continuar.
- Mas o que houve, desculpe perguntar...
- A pirataria venceu, simplesmente isso.

Fiquei triste pela família que era proprietária da locadora, mas pensei nessas palavras: “a pirataria venceu”. Será que é só isso mesmo?

Já escrevi por aqui o que eu penso sobre a pirataria. Acesse que é interessante (modéstia à parte, eu já escrevi melhor, sei lá o que está havendo). Retornando: a pirataria tem grande parcela de culpa no fechamento das locadoras no Brasil. Só em Salvador, nos últimos 02 anos, mais de 600 locadoras fecharam as portas. Mas convenhamos: vídeo locadora é um tipo de negócio que mais cedo ou mais tarde sofreria este baque.

E não apenas por causa da pirataria: com a popularização da internet e o acesso cada vez maior a conexões banda larga ( embora de forma tímida, os números são favoráveis e mostram crescimento a esse tipo de serviço, mas precisa melhorar muito – principalmente o preço e a qualidade da conexão) fica muito fácil baixar filmes na grande rede. Ainda há as chamadas “TV’s por assinaturas”e, embora as mensalidades ainda sejam caras para a maior parte da população, é mais uma “concorrente” para as locadoras.

Muitas ainda resistem e vão resistir por algum tempo. Por anos ou décadas, talvez. Mas é natural que isso aconteça: profissões desaparecem ou assumem novos perfis, instituições são extintas ou se adaptam aos novos tempos. A própria internet é um exemplo que se renova o tempo todo. Como diz o grande Nelson Ned, “tudo passa, tudo passa”.

PS: Infelizmente, chegaram bem antes e levaram pela bagatela de R$ 15 a trilogia de “O Poderoso Chefão” e por R$ 5 outros filmes muito bons, entre eles Monty Phyton. Não sobrou nem mesmo “Garganta Profunda”, afinal esse é um grande clássico.

POLUINDO A BLOGOSFERA – Além deste texto chato e charge horrível que vocês conferiram aqui, fui convidado pela Vivi Righi para escrever um texto no blog “Fluindo o olhar”. Enviei um texto e uma charge e ela, muito gentilmente, publicou. Agradeço a Vivi e à equipe que faz o blog “Fluindo o Olhar”. Acesse AQUI para ler o texto. E seja gentil!

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sexta-feira, novembro 06, 2009

Concurso: adivinhe qual é o único que não vale a pena?

(charge de autoria do autor do blog que é autor dessas mal digitadas linhas. Péssimos trabalhos de autoria!)

Navegando pela internet entre twitter, blogs, portais de notícias e sites educativos como o x-tube, resolvi dar uma olhadinha na minha caixa postal para ver se aquela gatinha do msn se lembrou de mim e enviou alguma mensagem cheia de amor, afeto e spam erótico. Numa dessas eu poderia até ganhar uma indenização, quem sabe, não é? Ah, sim, eu falava sobre minha caixa postal. Continuemos.

Recebi uma newsletter sobre concursos públicos, pois estou atento e propenso a mudar de profissão já que na mega-sena não tem jeito, eu não acerto sequer 2 míseros números. O jeito, então, é estudar um bocado e concorrer com milhares de candidatos que também buscam a estabilidade de um emprego público ( todo mundo reclama do serviço público, mas todos querem essa boquinha!).

E tem muito concurso bom! Tem, por exemplo, o concurso do Ministério Público do Trabalho, para todos os estados do país, que oferece R$ 21 mil de salário! Com uma grana dessas, eu trabalharia até no Pará, a terra sem lei! Pena que é só para aqueles que possuem curso de Direito, e na minha época de faculdade eu fui de esquerda, desses que usavam até camiseta do Che Guevara. É, eu sei, mas eu tinha 18 anos, pô!

Mas há outros concursos. Tem o concurso da ABDI, Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial, da qual eu nunca ouvi falar e, provavelmente, nem você. Os salários variam entre R$ 4 mil e R$ 9 mil mensais, para trabalhar no Distrito Federal. Seria uma boa, se não fosse somente para “formação de cadastro”. Ou seja, uma espera quase eterna a depender da colocação.

Até aqui na Bahia tem um concurso: para a Empresa Baiana de Água e Saneamento, conhecida como EMBASA (ou ENVASA, porque só envasando a água no balde para que ela chegue até em casa). Salários que variam entre R$ 800 para quem possui nível médio e está disposto a trabalhar na “manutenção” ( no esgoto, inclusive) e R$ 4 mil para quem possui nível superior. Deu sede!

A listinha de concursos é em ordem decrescente. E lá no final vejo o concurso da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí, a SEDUC. Por mera curiosidade, resolvo dar uma olhada. É um concurso para preencher cargos de professores e supervisores pedagógicos, e exigindo nível superior. O salário é estupendo: R$ 670,00.

É isso aí: um sujeito com nível médio que vai limpar as latrinas e lidar com o esgoto aqui na Bahia vai ganhar bem mais do que um professor com nível superior no Piauí. Não se trata em desvalorizar o profissional que trabalha no depto. de saneamento - que tem uma função importante, é claro – mas isso demonstra bem o quanto vale um professor no Brasil e porque não adianta o MEC fazer propaganda bonitinha e nem os discursos demagógicos sobre educação que ouvimos por aí de autoridades e “especialistas” que assinam colunas repletas de tolices: se a coisa continuar assim, voltaremos aos tempos do Brasil colonial, onde a educação ficava a cargo dos jesuítas.

Eu gostaria muito que esse concurso não tivesse nenhum inscrito, nenhum profissional ou recém-formado disposto a pagar a inscrição de R$ 60 para preencher essas vagas. É preciso ter alguma dignidade, mesmo diante do desemprego. Porque uma coisa é trabalhar no esgoto limpando a merda da cidade inteira, outra coisa é estar literalmente na merda, abaixo do esgoto, no fundo do poço. Joguem uma corda e resgatem os professores...enquanto eles ainda existirem. Senão ninguém mais passa em concurso nenhum!
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domingo, novembro 01, 2009

Tempo, tempo, mano velho!


( sim, fui eu que fiz a charge. Pra visualizar melhor esse desastre rabiscado, clique na imagem)

Um blog vive de atualizações frequentes e este Grooeland tem passado por atualizações apenas esporádicas ultimamente. Meus 2 ou 3 leitores que sobraram perguntam se eu esqueci do blog ou se não estou inspirado para escrever ( como se um dia eu tivesse inspiração para alguma coisa). Há até quem pense que eu esteja fazendo parte de alguma campanha do tipo “por uma internet com menos bobagens” ao não contribuir com esses textos e charges que são verdadeiras bobagens na grande rede.

Mas se preocupem – sim, se preocupem, pois não tenho intenções de matar este blog, não sou roteirista da Marvel ou DC Comics que gosta de matar, aleijar e clonar (para depois matar e aleijar) super-heróis ( é por isso que só compro gibis do Tex e edições históricas do Homem-Aranha). Ah, desculpem pela digressão, prometo que não faço mais.

O fato deste blog não ter passado por atualizações mais recentes é por falta do elemento mais caro que existe hoje na sociedade. Não, espertinho, não estou falando de dinheiro, água ou garotas de programa que durante o dia são dançarinas em programas de auditórios imbecis: estou falando do tempo.

Quantas vezes você falou esta semana “estou sem tempo”? Algumas vezes, não é verdade? Talvez você tenha até se surpreendido ao ver na televisão uma propaganda sobre o Natal. Sim, estamos em Novembro e o Papai Noel já começa a seduzir as pobres almas consumistas que estourarão o cartão de crédito e o 13º salário no final do ano.

O tempo está "correndo" mais rápido? Essa é a impressão que se tem. Na verdade estamos passando por uma espécie de transição para um período que divide até mesmo os sociólogos, filósofos e achólogos (como este que vos escreve) que se debruçam sobre essas questões; você pode escolher: sociedade pós-moderna, sociedade contemporânea, sociedade da informação, enfim, fica a gosto do freguês.

Um blog como este é perda de tempo, porque tem muitas palavras (alguns “blogueiros” desses joguinhos de orkut “comente no blog acima” que o digam), mas o twitter com 140 caracteres(!) é ideal, é rápido, dinâmico e teoricamente não se perde tempo (é o que dizem, ha ha ha); catar o feijão, deixar de molho, preparar o tempero, botar na panela de pressão e esperar uns 40 minutos é algo impensável quando se tem refeições prontas, em pacotinhos que podem ser preparadas em 30 segundos com o forno microondas; um fato que tenha ocorrido há apenas 30 minutos já é considerado “old”.

Reparem como a nossa concepção de tempo está alterada. Um dia com 24 horas ainda é “lamentado” por algumas pessoas – e nessas horas eu recomendo que elas se mudem para o planeta Vênus: lá, um único dia é equivalente a 243 dias terrestres (neste caso eu sou defensor de que o carnaval ocorra no planeta Vênus). Assumimos tantos compromissos e com a velocidade das informações e inovações tecnológicas parece mesmo que um dia é muito pouco para dar conta de tantas coisas. Interessante perceber como as tecnologias mais recentes (sobretudo as TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação) vem modificando não apenas valores, comportamentos, mas também a própria distribuição do tempo e o relógio biológico das pessoas.

Organizar o tempo é o grande desafio que o próprio tempo nos oferece e nisso não tem nada de “lição de moral”, até porque eu mesmo preciso me organizar, vide as atualizações no blog. Existe até um movimento chamado "slow movement", que prega a "desaceleração" neste ritmo de vida corrido que levamos em nosso dia a dia. Kafka, que mastigava cada pedaço de comida pelo menos 10 vezes, adoraria a ideia.

Mas pode passar o tempo que for, a sabedoria de minha avó continua super atual: “apressado come cru”. Ou, pior ainda, não come e quando o faz não deixa ninguém satisfeito.

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Se tiver (MUITO) tempo, siga-me no twitter, lá sou forçado a escrever bem menos: http://twitter.com/jaimeguimaraess

quarta-feira, outubro 21, 2009

Computador é PHoda!*

A charge bizarra acima é do autor deste blog. Tá esquisita, igual à mente deste que vos escreve.

Seu Noquinha era um senhor de hábitos bem simples. Viúvo e aposentado, não gostava de televisão, ouvia de vez em quando um rádio e conservava no pulso o velho relógio que funcionava muito bem há mais de 20 anos – segundo suas próprias palavras. Nem carro o seu Noquinha possuía: “faz bem caminhar, esses jovens de hoje é que são uns folgados!”.

Deve ter sido por isso que o velho Noquinha viveu até os 90 anos e carregou pro túmulo uma fortuna que todos acreditávamos que ele escondia – o que explica a luta dos parentes pelo detonado colchão como herança. Se havia mesmo uma fortuna escondida, esse é um dos maiores mistérios de minha infância!

Mas como vocês notaram, o seu Noquinha não era muito chegado em tecnologias mais modernas. Eu me lembro que ele dizia “essas coisas modernas servem pra gastar dinheiro duas vezes: pra comprar e pra consertar!” E olha que isso foi num tempo em que os produtos eram feitos para durar. Minha mãe usou a mesma geladeira durante 25 anos e até hoje funciona, é um fenômeno!

Se o velho Noquinha conhecesse o computador, aí ele teria todos os motivos possíveis para desancar esta tecnologia. O computador é o tipo de máquina que guarda estranhos segredos dos quais ninguém consegue desvendar, ainda mais se o sistema operacional for o Ruindows, que nem o Bill Gates consegue entender direito como funciona.

Ficar uma semana inteira sem computador é terrível. Quase tudo depende deste monte de placas, chips e cabos: trabalhos, dados, textos, comunicação, jogos, vídeos, música, notícias. A falta deste monstrengo que gosta de criar problemas estranhos para desafiar os experts em informática causa uma indisfarçável angústia, principalmente quando o técnico lá da assistência diz:

- É, não tem jeito, vou ter que formatar o HD.
- Não dá para salvar nada? Por favor, diga que dá!
- Infelizmente, não. Você teve sorte de não perder o HD, é só formatar.
- Ouça, não dá pra salvar pelo menos a minha tese de mestrado? Por favor?

Mas não tem jeito. E lá se vai a sua tese de mestrado sobre o “processo civilizatório de Liliput sob uma abordagem Malthusiana”, que você levou 2 anos para escrever. Mas isso não é o pior: você não fez backup de nada e perdeu até as fotos da Dorotéia, aquela gata que você conversa todos os dias pelo MSN. E pode ficar ainda muito pior se a Dorotéia “cair na net” graças a você! Ela ficará muito grata pela fama.

Computador é PHoda mesmo. Por mais que você trate bem desta máquina, desfragmente e faça limpeza do disco, atualize antivírus e todos os cuidados básicos, ele sempre surge com alguma coisinha para te deixar em pânico. Portanto, meu caro usuário (ops), assuma que é praticamente um refém diante desta máquina e faça backup de tudo aquilo que você julga importante e essencial aí na pasta “Meus Documentos”. Eu fiz e pude deixar meu computador tranquilamente na assistência técnica, até porque não tem fotos de nenhuma Dorotéia e tampouco filmes das Brasileirinhas; mas confesso que tenho fotos da Cacinilda, uma amiga que é uma beleza, tá com tudo em cima ( os peito em cima da barriga, a barriga em cima das coxa e assim por diante). Além do mais OC FAIL, PLEASE ENTER SETUP TO CHANGE OC FAIL SETTINGS. FOI DETECTADO UM TEXTO CHATO SENDO ESCRITO E O WINDOWS FOI DESLIGADO PARA EVITAR A CONTINUAÇÃO DESTAS BOBAGENS. STOP:0x0000007b (0xf894c528, 0xc0000034, 0x00000000, 0x00000000)

*PHoda é marca registrada de Renan Barreto Online, RBD, digo, RBO e não pedi autorização para utilizá-la, mas acredito que não receberei uma intimação da Barretech Attorney & family por isso.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Dia do Professor: e daí?

(a charge acima foi feita pelo autor do blog, na escola. Tosca, sem colorização, feita em 3 minutos entre um intervalo de aula e outro. Se tiver coragem e quiser ver melhor, clique nela)

15 de Outubro é oficialmente considerado como “Dia do Professor”, o que eu discordo totalmente, pois o “Dia do Professor” deveria ser mesmo em 12 de Outubro, porque só Deus ou Nossa Senhora Aparecida para derramar bênçãos e graças sobre a “catiguria”.

Que me perdoem os idealistas, otimistas e ocasionalmente “Pollyannas”, mas tornar-se professor hoje, no Brasil, é realmente para aqueles que possuem muita fé. Quem acompanha este humilde e tosco blog já se deparou com alguns textos relacionados à escola, professores e educação em geral. E para quem acha que estes textos são escritos por alguém leigo ou por um “especialista em educação que, restrito ao ambiente acadêmico, desconhece a realidade da escola, principalmente da rede pública”, está enganado: quem assina essas mal digitadas é um sujeito que há tempos também foi idealista, otimista e ocasionalmente Pollyanna.

Não vou cansar os eventuais leitores deste Grooeland carente de atualizações ( obrigado, computador, por ter pifado de vez só depois do feriadão!) com os velhos problemas que atingem o magistério e dos quais todos já sabem: baixos salários e excessiva carga de trabalho para professores, violência, péssima infra-estrutura, etc e etc. Aliás, tem vários artigos aqui neste blog sobre educação, é só procurar.

Há quem pense que tudo isso é lamúria, é chororô, é coisa de “professor ligado à sindicato de esquerda”, “desculpinha pra trabalhar menos” e outras bobagens ditas por aí, mas a coisa é tão séria que já faltam professores de algumas disciplinas nas escolas - e não pense que é só no Brasil: segundo a ONU, o mundo precisaria de cerca de 18 milhões de professores para que houvesse, de fato, o “educação para todos”.

O número impressiona e o que um professor passa durante sua jornada de trabalho também. No começo da profissão todos são idealistas e tem grandes e ambiciosos sonhos. Depois de alguns anos de trabalho, muitos desanimam e é muito comum encontrarmos profissionais doentes nas escolas. Há professores que mesmo diante de tantas dificuldades e entraves conseguem manter uma motivação e executam projetos muito bons nas escolas, mas graças a um esforço pessoal muito grande e contando apenas com a parceria dos alunos. Não esperem muita coisa de certos setores da sociedade e principalmente dos governos.

Do governo, aliás, esperem muita propaganda e muito markretino, digo, marketing. E muita, mas muita demagogia mesmo em torno dos novos salvadores da pátria da educação: o computador e a escola em período integral. E sem contar as lindas frases para ornamentar peças publicitárias, como “professor, você é importante”, “professor, você é fundamental para o crescimento do país” e tantas outras emocionantes e sinceras demonstrações de respeito e carinho.

No dia 15 de Outubro veremos uma enxurrada de homenagens à figura do professor. Não vou finalizar o texto com o chavão de que o professor (em todas as profissões há bons e maus profissionais, evidente) quer mesmo é respeito e valorização. Prefiro encerrar com um pedido de desculpas pelo desabafo que foi este péssimo texto e agradecendo aos que tiveram a paciência de chegar até aqui.

E dizer que sim, queremos grana, queremos comprar livros, ir a cinemas, teatros, bom vestuário, cuidar da saúde, frequentar uma academia ou dispor de tempo para atividades físicas, ter uma casa própria, tempo para a família. Sejamos justos: o sacerdócio é para os sacerdotes!

terça-feira, outubro 06, 2009

Re: Os normais 2 e a preguiça do baiano


(politicamente corretos de plantão: a charge é minha e não boicotem o blog por isso)


De: XXXXX
Para: Jaime Guimarães
Assunto: Os Normais 2 – preconceito!!!

AOS MEUS AMIGOS

ESTOU REPASSANDO MENSAGEM SOBRE ESSA PROPAGANDA NEGATIVA QUE VEM PREJUDICANDO OS BAIANOS!!! FUI ASSISTIR AO FILME "OS NORMAIS-UMA NOITE INESQUECÍVEL", E TIVE O DESPRAZER DE ME DEPARAR COM UM FILME DE BAIXÍSSIMO NÍVEL, ALÉM DE UMA PIADA DE MUITO MAL GOSTO SOBRE BAIANO: "VC SABE O RESULTADO DA MISTURA DE UM BICHO PREGUIÇA COM UM SER HUMANO? UM BAIANO DE SUÉTER!" EM SEGUIDA APARECE UM BICHO PREGUIÇA VESTIDO!

POR ESTES MOTIVOS É QUE PEÇO A TODOS OS BAIANOS QUE NÃO GASTEM SEU TEMPO E DINHEIRO COM UM LIXO DE FILME ACULTURADO E PRECONCEITUOSO. BOICOTEM!! POR FAVOR, REPASSEM!!!

De: Jaime Guimarães
Para: XXXXX
Assunto: Re: Os Normais 2 – preconceito!!!

Meu caro XXXX: você sabe o quanto aprecio receber seus e-mails sempre muito bem humorados, principalmente aqueles que trazem coletâneas de piadas sobre portugueses, bichas e corintianos. Continue enviando-os, são bastante divertidos!

Ora, todos nós sabemos que o baiano não é preguiçoso. O que dizer dos espanhóis, então, com a hora da siesta? Na verdade essa história toda de preguiça não é só com os baianos: é também com o brasileiro em geral, diversas vezes rotulado como “preguiçoso e indolente” ( isso é histórico, mas não vou discutir isso por aqui, não é?); no entanto estamos no ranking entre os povos que mais trabalham no mundo, mesmo com todos esses feriados e carnavais fora de época por aqui.

Portanto, relaxe, meu rei! Vai ficar ofendido por conta de uma piadinha boba num filme que eu nem assisti (nem pretendo porque não sou chegado a cinema) e que se propõe a ser um besteirol? Oxe, menos, meu velho, menos! Além do mais, você sabe que esse mito da “Bahia preguiçosa, que faz festas todos os dias” vem sendo perpetuado por conta de gente aqui “da terra”. Lembre-se do Dorival Caymmi, do Caetano, da própria indústria cultural e turística aqui mesmo da Bahia, que vende essa imagem do baiano festeiro "com outro ritmo de trabalho" para o país todo e para o resto do mundo.

Ao invés de repassar essas revoltinhas bobas do tipo boicote a um filme de besteirol, você poderia soltar por e-mail a excelente tese da antropóloga Elisete Zanlorenzi que desmistifica toda essa história do baiano preguiçoso. Faça isso, mesmo sabendo que a maior parte dos que estão na sua lista de contatos gosta mesmo de receber mensagenzinhas de powerpoint com textinhos de auto-ajuda (com música melosa, claro!) e garotas posando nuas com closes ginecológicos.

E a Bahia e os baianos têm coisas mais sérias com o que se preocupar, não acha? A capital tem um prefeito que admitiu ter desviado dinheiro da merenda e da saúde pro carnaval; a capital vai receber uma Copa do Mundo e não tem nem metrô e a infra-estrutura da cidade é péssima; os casos de dengue no estado já passam de 100 mil; a Bahia possui quase 2 milhões de analfabetos e etc, etc e etc!

Repasse isso, meu rei!

Atenciosamente,


Jaime Guimarães

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quinta-feira, outubro 01, 2009

Homenagem a uma nobre e relevante "catiguria"!

(sim, esta charge tosca e de péssimo gosto é de minha autoria. Para vê-la melhor, dê um clique)

Confesso aos meus 4 ou 5 leitores de que ultimamente ando sem muita inspiração para escrever as bobagens que vocês já se acostumaram a ler neste humilde espaço. E olha que há muita coisa acontecendo por aí: a crise de Honduras, o nENEM parindo antes do tempo e “caindo na net”, os últimos dias do IPI reduzido para todo mundo comprar carro e contribuir para o progresso, tsunami e terremoto no Pacífico Sul e Indonésia respectivamente, os jogos olímpicos no Rio em 2016, o SantosFC que não ganha de mais ninguém, etc e etc.

Eu até ensaiei umas linhas aqui e ali sobre estes e outros temas, mas não saiu nada que fosse muito interessante. Aliás, muito pouco do que sai aqui neste blog é interessante, e até me surpreende que eu tenha tantos seguidores e comentaristas e além disso...

Desculpem, eu estou enrolando pra ter assunto e achei um, embora tenha aparecido meio sem querer. Regra número 1 se você não tem ideia do que escrever e não sabe nem como e por onde começar: faça uma homenagem a uma pessoa, um personagem, uma data, um motivo qualquer.

É uma boa ideia! E justamente esta data de hoje, 01/10, não poderia passar em branco, pois homenagearei uma nobre categoria que é fundamental para a nossa sociedade, que é comprometida com o povo e está sempre disponível para atender as demandas da população: Hoje é o dia do vereador!

O vereador tem diversas funções em âmbito legislativo. Dentre outras funções como dar nomes a ruas e praças, ele pode ajudar a fiscalizar as contas públicas ( a parte preferida de 10 entre 10 nobres vereadores), licitar obras e outras benfeitorias para o município ( principalmente se for sócio de empreiteira, casa de material de construção, etc); Para este árduo trabalho, ele recebe um salário muito interessante – em Salvador, até o ano passado, um vereador ganhava R$ 7100 mensais. Não é uma boa?

Mas os nossos vereadores merecem. Além do salário "coisa à toa", eles possuem verbas indenizatórias, verbas de gabinete, auxílio combustível e mais um algumas pequenas vantagens. Aqui na capital dos Estados Unidos de Todos os Magalhães um único vereador custava (em 2008) cerca de R$ 39 mil mensais para os cofres públicos. Enquanto isso, um professor da rede municipal custa em torno de R$ 700 mensais para os cofres públicos. Eu acho uma proporção justa. Vereadores tem mais relevância do que esses professores que reclamam de tudo.

Como forma de antecipar as comemorações do dia do Vereador, o Congresso Nacional - sempre ele! - criou a emenda que possibilita a criação de mais de 7 mil cargos de vereador no país! E ainda tem gente que reclama! Vejam como o nosso Congresso, representado pelas figuras probas de Sarney e Temer ( quem Temer, tem medo!) se preocupa conosco!

Sem dúvida, uma bonita homenagem aos nossos vereadores e, com este humilde textinho em um blog que quase ninguém visita, deixo também minha singela saudação a tão importante e relevante categoria deste país! Parabéns, senhores vereadores! ( e eleitores também)

***
Fotolog: http://www.fotolog.com/jaimeguimaraes
Revista Sunshine edição primavera (eu contribuí com texto e charge) - download aqui.

domingo, setembro 27, 2009

Tá falido? Não sabe fazer nada? Filie-se a um partido político!

(é isso aí, parceiro: a charge é do autor do blog. Quer ver melhor? Clique nela)

É, meu caro...você foi “o cara” até pouco tempo atrás. Você foi considerado o ator mais talentoso do país e chegou a fazer até umas pontas em Hollywood. Aproveitando a fama, aventurou-se na música ( seu CD não saía das paradas de sucesso), escreveu um livro ( com o título “Confissões”, permanecendo na lista dos mais vendidos durante meses), ganhou muito dinheiro fazendo propaganda até de papel higiênico e, claro, traçava todas que apareciam pela frente, desde as modelos e deusas da TV e até as mamães das filhas que faziam festinha de 15 anos (que tempo bom, hein? Um baita cachê só pra aparecer, dançar com a aniversariante e tchau!).

Mas você envelheceu...bom, nem tanto assim na verdade, mas seu livro é vendido em baciada das Americanas por R$4,99, ninguém dá notícias de seu CD e os convites para fazer uma novela não aparecem. Você teve que vender sua linda mansão à beira mar porque não aguentava mais pagar o condomínio e seus possantes veículos foram a leilão para saldar dívidas. E as mulheres? Ah, que ingratas, só lembram de você para cobrar a pensão alimentícia de um monte de filhos!

Você não estudou, não investiu em um negócio, os “amigos” sumiram, em resumo, você não sabe fazer nada e está falido da Silva. E agora?

Não se desespere, pois há uma saída (ou entrada, como preferir): torne-se político!

É isso mesmo. Siga o exemplo do Romário e do Popó: filie-se a um partido político e tente uma vaga na Câmara dos Vereadores, na Assembléia Legislativa, no Senado, enfim, sonhe alto! Lembre-se do Ronald Reagan e do Arnold Schwarzenegger! Ou do Clodovil e do Túlio Maravilha!

É o melhor “emprego” do mundo, ideal para falidos que não souberam aplicar a dinheirama que ganharam enquanto a fama e o sucesso batiam à porta até mesmo quando não queriam. Entrar para a política, no Brasil, significa “tirar o pé da lama”, levantar um troco, descolar umas vantagens aqui e ali. Sem falar na imunidade parlamentar, é claro.

Não, não estou duvidando das nobres intenções do Popó e do Romário na política. Sei que lutarão (principalmente o Acelino!) não apenas pela criação de uma séria política de esportes no país, mas também defenderão o equilíbrio nas finanças públicas e o planejamento familiar. Afinal, é de gente assim que a política brasileira precisa, parceiro!

Portanto, amigos e amigas, larguem essas bobagens como estudo, qualificação e leitura. Filiem-se no diretório do partido político mais perto de suas residências ( tanto faz de “esquerda”, “direita”, “centro”, é tudo igual), coloquem seus carismas em ação de preferência acompanhados de um bom jingle e sejam felizes nas próximas eleições, livres de problemas por 4 anos! Tempo suficiente pra fazer um bom pé de meia. E, se falir novamente, é pra isso que existe a reeleição!

Revista Sunshine edição primavera (eu contribuí com texto e charge) - download aqui.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Revista Sunshine nº 03 - É primavera! E eu estou por lá!

Meus queridos 4 ou 5 leitores que me prestigiam aqui de vez em quando ( obrigado, pessoal!) devem sentir a falta de atualizações mais freqüentes. Não se preocupem, já tem um texto prontinho para a próxima atualização, para azar da blogosfera e dos que arriscam a passar por aqui e ler estas mal digitadas.

“Ah, hoje não tem texto e nem charge?” Tem, sim senhor. E em grande estilo: estou na REVISTA SUNSHINE – Edição Primavera.

É um trabalho primoroso do grande Rubens Medeyros ( guardem este nome com muito carinho: vocês ouvirão falar muito deste grande talento!) que dá um verdadeiro show na diagramação, design e ilustração desta revista virtual, enriquecendo mais ainda as brilhantes contribuições dos colabores. Tem para todos os gostos: poesia, contos, crônicas, mitologia, ensaios fotográficos...

Apenas para citar um exemplo do naipe dos colaboradores e do que vocês vão encontrar lá, tem a extraordinária Nat Valarini com um ensaio fotográfico maravilhoso e um texto com o já reconhecido talento de nossa Garota Pendurada.

E tem eu, ora, cafezinho pequeno, com um texto e charge sobre “tatuagens”. Deem uma lida por lá. Aliás, gostaria de agradecer publicamente ao Rubens pela oportunidade. Gracias, Rubens!

Bom, chega de enrolar e faça logo o download da revista, clicando AQUI ou no link direto AQUI.

Prestigiem, vale muito a pena! Recomendo entusiasticamente!

quarta-feira, setembro 16, 2009

"Punheteiros do asfalto"

(sem estresse: clique na charge para visualizar melhor. E relaxe...)

De que forma você extravasa sua irritação no trânsito? Você xinga todo mundo, cola no carro da frente, irrita os outros com gestos obscenos, grita sozinho, disputa acirradamente com outro motorista um espaço na rua de 5 cm?

Tome cuidado, meu prezado leitor. Você pode ser um “punheteiro do asfalto”.

A definição não é minha. Partiu de uma vistosa (e como...digo, e como é vistosa!)garota que, ao relatar como procura suportar um trânsito cada vez mais carregado, saiu-se com esta. E justifica com a seguinte tese: “Esses homens todos sofrem de impotência. Olha só: no trânsito são todos apressadinhos, ignorantes e mal educados. Imagine nas preliminares e na hora de transar. Bando de punheteiros, é o que eles são, punheteiros do asfalto!”

Achou esta tese absurda? Até que não. Ela está certa: quando falamos em trânsito, lembramos do que? Tá, dos flanelinhas sacanas que cobram fortunas para deixarem seu carro intacto, meu patrão; mas lembramos principalmente de estresse ( or stress, if you speak english). E, caso você não saiba, o estresse não causa apenas nervosismo, dores de cabeça, alteração na pressão arterial, insônia e mais um monte de outras coisas; o estresse causa também impotência sexual.

Não é fácil manter a mente quieta e a espinha ereta diante de um trânsito caótico. Afinal, enquanto você dirige, o seu ilustre cérebro tem que processar cerca de 1300 informações visuais por minuto – e isso em um trânsito ameno; agora imagine isso Em uma cidade como São Paulo, que possui uma frota de 6 milhões de veículos e nos horários de pico ( eu falei pico) chega a ter em média 4 milhões de carros nas ruas.

É mole? Não, neste caso é duro, mesmo. Trânsito é Phoda. E não pensem, mocinhas, que estão livres dos males do estresse. Neste caso, no trânsito, o conselho é: fique fria, para esquentar os motores mais tarde, e não o contrário...se é que me entendem.

Portanto, ao invés de extravasar como os “punheteiros do asfalto” fazem, prefira ouvir uma música (nem que seja Ministry ou AC/DC), ache graça da cara que os manés fazem ao xingar os outros, enfim, procure não se enervar tanto. Ou então escolha: broxar ou engrossar...as estatísticas de 34 mil mortos ao ano no trânsito brasileiro.

Evite que o carro te deixe na mão, em vários sentidos.

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domingo, setembro 13, 2009

Salve Salvador!

(clique na charge para vê-la melhor e não se preocupe: não são seus olhos, é ruim assim mesmo)

The city’s a blaze, the town’s on fire
The woman’s flames are reaching higher
We were fools, we called her liar
All I hear is “Burn”!


Quem acompanhou os noticiários nos últimos dias viu que a coisa em Salvador tá pegando fogo: ônibus queimados e módulos policiais metralhados por ação de bandidos em suposta represália à transferência de um traficante para presídio de segurança máxima em Catanduva, Paraná.

As pessoas que moram em outros estados ficam impressionadas com tanta violência e se questionam o que está acontecendo “nesta terra tão maravilhosa e tão tranquila”.

Salvador é uma cidade que tem belezas e histórias fantásticas, mas é uma capital com quase 3 milhões de habitantes e boa parte desta população é pobre, sem acesso a serviços essenciais de qualidade como educação e saúde, por exemplo. Mas permanece o marketing construído há muitos anos e mantido até hoje como um verdadeiro mantra: “Salvador, terra da alegria, da felicidade”. Axé! Sai do chão, vai rolar a festa!

E é neste mito que muita gente por aqui ainda se apega. A violência na cidade é crescente, mas isso não aconteceu da noite pro dia. É o resultado da falta de planejamento, de infra-estrutura, de investimento em educação, esportes, cultura, lazer. É um terreno fértil para a criminalidade e as drogas tomarem conta do pedaço. Tais ações necessárias para a melhoria de vida da população foram desprezadas por governantes passados e atuais, privilegiando apenas o marketing da cidade “movida a festas o ano todo”, na promoção “do maior carnaval do planeta” e da “cidade mais linda do mundo”. Bom para o turismo, então pensemos pelo lado positivo: são apenas ônibus e módulos policiais. Os trios elétricos foram poupados.

“Seu amargo, seu infeliz! Isso é coisa de gente invejosa, chata e hipócrita!” Calma, calma...e quem não gosta de festa, praia e um clima ensolarado e alegre? Eu gosto, mas também gostaria de uma cidade com infra-estrutura melhor – não apenas para o turista; e gostaria também que boa parte da população que gosta de se iludir com a imagem de uma Salvador de 50 anos atrás finalmente “caia na real” para o presente, deixando de lado a filosofia passiva do “fique na sua. (que chega ao ponto do prefeito admitir ter desviado verba da merenda e saúde para o carnaval e não haver reação nenhuma)

Enquanto a cidade vive no marketing da “minha cidade é linda demais” e “a cidade de luz e prazer correndo atrás do trio”, a fumaça da violência chega até o exterior e a bandidagem dá um suadouro nos soteropolitanos. Eu, particularmente, prefiro o calor do sol numa bela praia tomando uma água de coco e observando o que a baiana tem. Ah, e sem churrasquinho.

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quarta-feira, setembro 09, 2009

Seja um professor e seja o que Deus quiser!

(clique na imagem para visualizar outra ilustração de mau gosto do autor deste blog)

Eu sei que você está interessadíssimo (a) na reta final do “Caminho das Índias” para saber qual será o destino da Maya (parente do Tim?) e de tantos outros personagens tão numerosos quanto os deuses indianos, mas preste atenção no intervalo comercial da novela. Se você, jovem de 18 anos, está indeciso quanto seu futuro, a propaganda do MEC dá uma forcinha: seja um professor.

Esta é a forma que o Ministério da Educação encontrou para atrair futuros professores e assim tentar contornar um grave problema que é o défict de profissionais nas escolas, sobretudo das matérias de Química, Matemática, Física e Biologia. É um verdadeiro “apagão” de professores e as perspectivas não são das melhores: o número de formandos em cursos de licenciatura vem caindo ano a ano.

Não é difícil saber o porque. A propaganda do MEC é linda, afinal os professores são mesmo as pessoas mais interessantes, inteligentes, charmosas, lindas, gostosas e gente fina que há – ei, alguém tem que falar bem, certo? Tá, eu sei que você tem más recordações daquela professora de Matemática que só pegava no seu pé...mas o fato é que apenas uma propaganda bonitinha não vai atrair ninguém para o exercício do magistério e tampouco "disfarçar" os inúmeros problemas da educação no país.

Até porque todos sabem a realidade da profissão, menos o Gustavo Ioschpe e “especialistas” em educação da VEJA. Baixos salários, violência nas escolas e infra-estrutura precária são apenas alguns motivos que tornam a docência cada vez menos interessante. Há quem enumere vantagens de se tornar um professor, como ter duas férias no ano, maior autonomia nas atividades ( e essa autonomia nem sempre é possível) e estabilidade de emprego, caso seja concursado; no entanto estas vantagens acabam diluídas diante das cargas horárias excessivas, desvalorização do magistério, assédio moral e ausência de plano de carreira, sem contar nas dificuldades com material didático, tecnologias da informação/ comunicação na escola e trabalho extra para casa.

Como percebem, atrair os jovens para o magistério vai muito além de uma simples propaganda. Ainda há o idealismo, a vontade, a vocação em ser professor ou professora e estes são alguns dos fatores que vem mantendo diversos cursos de licenciatura espalhados por aí. Mas não há "amor" que resista ao descaso e o MEC precisa parar de fazer cinema água com açucar, deixar o “luz, câmera, ação” de lado e utilizar apenas “ação”. E um piso salarial de R$ 950 não é o que chamaria de uma ação atrativa. (aliás, lembrem-se que alguns governadores entraram na justiça contra este piso. Lembre-se disso principalmente em 2010)

Quem sabe com menos holofotes, menos maquiagem e mais planejamento sério e execução os professores não tenham um destino mais auspicioso? Hare baba!
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quinta-feira, setembro 03, 2009

Semana da Pátria, filhos da mãe...gentil!

Ah! Finalmente, Agosto se foi! Ufa! Eu não deveria perder tempo com crendices, pois é apenas um mês no calendário, mas definitivamente desgosto de Agosto (ei, foi proposital, viu?), apesar do meu pai e de uma amiga da qual gosto imensamente festejarem seus aniversários neste período.

Mas arranquei a última folhinha do mês de Agosto e lá apareceu... 01 de Setembro! Ah, que maravilha! Já me senti bem melhor. E mais ainda quando li as efemérides: dia do professor de educação física e inicio da Semana da Pátria!

Imediatamente coloquei-me na posição de soldado, pousei a mão direita sobre o peito e comecei a cantar mais desafinado do que a Vanuza: "Ouviro dos Piranga..."

(uma digressão rápida, prometo: privacidade, hoje, é luxo. Quase todo mundo tem um celular que “tira retrato e faz filme”. Portanto se você, anônimo ou sub-celebridade, fizer alguma burrada em espaço público e até privado, corre o risco de “cair na net”. E depois não adianta pedir pro youtube remover o vídeo, porque já “espalhou” por aí. Exposição de imagem, é assunto pra outra vez )

Onde eu estava mesmo? Ah, sim, em casa, detonando o hino nacional. Eu me lembro bem da semana da pátria quando eu ainda estava na escola, há uns 300 anos como aluno: todas as manhãs deste período cívico nos enfileirávamos e cantávamos o “Ouviro dos Piranga” e acontecia o hasteamento da bandeira. E em nossos cadernos fazíamos duas faixas com lápis de cor, verde e amarelo, para lembrarmos do amor à Pátria.

Não é querendo bancar o saudosista até porque não tenho esse perfil, mas estive reparando este princípio de ‘Semana da Pátria’ nas escolas e na cidade em geral. Não há nenhuma menção ao fato, a não ser o jogo entre Brasil x Chile. As bandeirinhas e bonezinhos do Brasil estão à venda por "5 real"; o Hino Nacional está na contra-capa dos livros didáticos, mas a verdade é que pouca gente se arrisca a cantá-lo. Também, quem é que sabe o que significa “plácidas”, “retumbantes”, “penhor”, “lábaro”?

Mas não estou jogando a responsabilidade para a escola, afinal ela tem muitas atribuições como servir de posto para Bolsa-Família, creche, boca de fumo e até ensinar. Patriotismo, na minha humilde concepção, vai além de vestir uma camisa amarela, pegar uma bandeirinha, um bonezinho e berrar “Brasil, Brasil! Pen-ta-cam-pi-ão!” – isso é ufanismo bobo e muita gente confunde o meio de campo – pra isso já temos o Dunga; a melhor demonstração de “amor à pátria” que pode haver é exercer a cidadania e o espírito crítico. E isso, evidente, não deve ficar a cargo exclusivamente da escola.

Pensei nisso tudo enquanto terminava o “pátria amada Brasil” e logo fui prestar uma homenagem aos professores de educação física: o relógio deu o sinal, saí correndo, saltei as sujeiras que os cachorros das madames deixam nos passeios, driblei os buracos das ruas, arremessei o lixo numa cesta certeira de três pontos e cruzei a linha de chegada em cima da hora no trabalho! Melhor que as tradicionais 10 voltas na quadra! E a galera já cantava o hino do momento: “todo enfiado/ todo enfiado”!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Rubens Barrichello e os brasileiros

(outra charge tosca – pra variar – do autor do blog)

Nunca liguei para automobilismo e nem para carros, apesar de depender de um para chegar ao trabalho. Pra mim, Piquet, Senna, Fittipaldi são apenas nomes de pilotos que arriscaram suas vidas pilotando carros a 300 km/h atrás de fama e fortuna. Para alegria dos fãs há quem os considere como ídolos e tentem imitá-los nas ruas e avenidas de nossas cidades.

Sem muito que fazer no domingo pela manhã assisti a parte final da corrida em que Rubens Barrichello venceu um grande prêmio de F1 depois de 5 anos. O tão ridicularizado “Rubinho Pé de Chinelo”, quem diria, foi o protagonista da 100ª vitória brasileira em GP’s.

Mas por que este sujeito é tão criticado? Fui procurar saber um pouco mais do histórico do nosso Pé de Chinelo, digo, Barrichello. E vi números interessantes:

- é o piloto que mais participou de grandes prêmios: 282;
- pontuou em 185 corridas, perdendo apenas para Schumacher;
- 4º maior pontuador da história da F1;
- 67 pódios ( quarto piloto na história da F1 que mais subiu ao pódio).

Ou seja, não é pra qualquer um. Não entendo nada desse negócio de automobilismo, mas não me parece que sejam façanhas fáceis de serem realizadas por aquele cunhado bebum que se acha o “Senna do volante”. Imagino que seja por conta destes dados que Barrichello é respeitado (dizem) no circuito da F1. Mas no Brasil o cara é motivo de chacotas. Por que?

Simples: porque ele não é o primeiro colocado. No Brasil só se dá valor a quem é o primeiro, o vencedor, aquele que ganha sempre, da mesma forma que em nosso dia a dia só é valorizado o “esperto”, o que se dá bem de qualquer jeito, mesmo com o “jeitinho”.

Recentemente, no campeonato mundial de atletismo disputado em Berlim, o atleta Jadel Gregório não conseguiu um bom salto na final do torneio. Ficou na 8ª colocação. Foi o que bastou para um site soltar a chamada: Jadel decepciona.

Eu acho certos comportamentos bizarros. Ninguém se preocupou com o histórico do atleta, o que ele passou e de como teve que se virar para treinar em um país que não valoriza o esporte (sim, há outras modalidades além do futebol). Se o cara vai lá e ganha, é “orgulho do Brasil”; se não conquista a vitória, é “decepção”.

É o velho complexo de inferioridade, o ufanismo do “com brasileiro não há quem possa” e da necessidade em ser o “melhor do muuuuundo”. Quer melhor exemplo do que a seleção brasileira de futebol? Quando a seleção perde uma Copa do Mundo, apontam-se mil fatores, desde teorias conspiratórias divertidas a desarranjos intestinais. Os brasileiros apenas se esquecem que do outro lado há um adverário que também almeja a vitória e que procura jogar melhor. Maradona, Zidane e Paolo Rossi viram “carrascos”.

Você acha que o Rubinho é um azarado, um chorão que só reclama do carro e rende boas piadas. Bom, as piadas até são legais, mas vamos dar uma chance ao nosso Barriquebra, digo, Barrichello. Afinal, quem insiste em dar chances a Collor, Sarney e tantos outros nobres representantes de nossa democracia, não tem muito a reclamar e cobrar do piloto brasileiro.

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