quinta-feira, novembro 27, 2008

Crise e meio ambiente: pagamos e pagaremos um preço alto

Até agora, são 99 mortos, 16 desaparecidos, 27 mil desabrigados, 51 mil desalojados. Estado de calamidade em 12 municípios. Falta de água potável e médicos. Aulas suspensas e ano letivo terminado. Saques. Falta de energia elétrica e cidades ilhadas, sem comunicação.

Esta é a situação terrível em Santa Catarina, afetada pelas fortes chuvas das últimas duas semanas. Várias entidades colocam-se à disposição para ajudar os desabrigados e as doações chegam de todos os cantos do Brasil, de remédios a copos de água. Quem quiser ajudar de alguma forma, confira o site da DEFESA CIVIL DE SANTA CATARINA.

Chuvas torrenciais em Santa Catarina, incêndios e seca na Chapada Diamantina, cidades do Nordeste sem chuvas há meses. O mundo paga um preço alto pela farra de consumo de energia e desrespeito ao meio ambiente.

Se Deus escreve certo por linhas tortas ou se há alguma relação cósmica por trás disso tudo, o fato é que talvez a crise mundial tenha surgido em um momento oportuno.

Não dá mais para sustentar um modelo econômico perverso de concentração de renda e desrespeito à natureza em nome de certo desenvolvimento. O assunto já vem sendo tratado aqui nesta Grooeland há algum tempo. Basta conferir os posts “e nosso frágil planetinha” e “descaso ambiental”. Há nestes posts dados interessantes e assustadores sobre consumo, meio ambiente e falta de planejamento urbano ( com dados do livro "Planeta Favela", de Mike Davis, leitura obrigatória para entender como as grandes cidades do mundo estão se transformando em verdadeiras favelas, um desastre urbanístico, ecológico e em relação aos direitos básicos das pessoas).

Para exemplificar: com a crise, as vendas de carros caíram em Salvador. Em boa hora, afinal havia uma média de 160 veículos novos emplacados DIARIAMENTE. É muito carro pra pouca estrutura.

Claro que a crise provoca desemprego, mas há também oportunidades que surgem ou deveriam surgir. As cidades precisam de infra-estrutura. É preciso gente para trabalhar. Veja o caso do setor de reciclagem de lixo. Gera emprego e renda e dificilmente é afetado por crises e chiliques de dólares e petróleo, afinal o Brasil produz cerca de 240 mil toneladas de lixo DIARIAMENTE. Deste montante, 88% vai direto para os aterros sanitários.

Para driblar a crise e combater o desemprego há várias alternativas e que ainda ajudam o meio ambiente. Desenvolvimento não significa apenas indústrias, estradas e carros. Espera-se que esta visão, com a crise, tenha sido modificada. Os alertas são cada vez mais freqüentes e não aparecem apenas em palavras, números e relatórios frios recheados de estatísticas.

Os alertas aparecem no sofrimento das pessoas em Santa Catarina e no sertão nordestino. Não dá para virar as costas para o que está acontecendo.

UM POUCO SOBRE COTAS
Percebo uma predisposição em alguns textos e comentários favoráveis às cotas para afro-descendentes em qualificar até como “racista” quem se posiciona contra o sistema de “reparação”.

Durante o período de palestras e comemorações pelo dia da consciência negra percebi esse traço. Reportagens de jornais mostram, através de estatísticas e notas, que o desempenho de alunos cotistas é igual ou superior ao desempenho dos “não-cotistas” o que, segundo especialistas, “derruba o mito de que os beneficiados pelas cotas são incapazes de ter bom desempenho em um curso superior”.

Ora, evidente que todos são capazes. Tem que estudar. Uma das reportagens que li sobre o assunto, no jornal Correio da Bahia, destacava o feito de um aluno beneficiado por cotas estar entre os melhores do curso de psicologia da Universidade Federal da Bahia. Mas a própria reportagem traz um dado interessante: o estudante conseguiu êxito após a 6ª tentativa.

Ora, o aluno estudou, correu atrás, tentou várias vezes até conseguir se aprovado em um difícil vestibular. Dizer que um estudante desses entrou na universidade por conta da política de cotas é desmerecer o esforço e toda a perseverança do rapaz, que estudou muito para atingir seu objetivo.

Enquanto isso, em Salvador, parte do teto de uma escola municipal na periferia desabou sobre uma aluna, deixando-a ferida. No ínicio do mês, em Jequié (interior da Bahia), o muro de uma escola estadual desabou e matou 1 estudante e feriu outros 2. Enquanto luta-se por cotas e debates intensos são promovidos, muros e tetos desabam sobre os estudantes das escolas públicas, que tem clientela majoritariamente negra. E não vi nenhum debate acalorado ou movimentos que lutem por uma escola pública decente.

Com escolas caindo aos pedaços nos alunos, com professores desmotivados, mal pagos e mal formados e falta de compromisso total dos governantes e até mesmo de muitos pais, falar em cotas como instrumento de justiça social chega a ser uma insensatez.

VISITE
Ainda em fase de testes...mas visite também
http://grooeland2.wordpress.com

segunda-feira, novembro 24, 2008

CHINESE DEMOCRACY ( finally!!!) STARTS NOW!

Peço licença aos corajosos 3 ou 4 leitores deste tosco blog para tratar de um assunto banal desta vez, mesmo com discussões sobre cotas para afro-descendentes e para alunos de escolas da rede pública estarem na pauta de vários veículos e serem infinitamente mais importantes do que será tratado aqui.

Mas é que o ano de 2008 foi – e continua sendo - estranho. Estados Unidos e Inglaterra estatizando bancos, Eurico Miranda deixando a presidência do Vasco, terremoto em São Paulo, polícia x polícia, José Serra aclamado como “líder carismático”, a morte da Dercy Gonçalves e por aí vai. Quando pensamos que nada mais surpreendente poderia acontecer, eis que Axl Rose resolve lançar o lendário Chinese Democracy, já disponibilizado para audição no MYSPACE.

O álbum que vem sendo prometido há mais de uma década e que consumiu a fábula de US$ 15 milhões ao longo dos anos finalmente é lançado de forma oficial no último dia 23. De forma oficial, pois diversas músicas (mesmo em suas versões “demo”) do álbum já “vazaram” pela internet nos últimos anos e davam uma idéia do que poderia ser Chinese Democracy.

IRREGULARIDADE
É o que marca o novo álbum do Guns n’ Roses, que agora se resume a Axl Rose e um punhado de (bons) músicos. Na verdade, talvez esse seja o problema de Chinese: é um álbum que leva o nome do Guns n’ Roses e não do remanescente, o egocêntrico Axl Rose.

Quando se fala em Guns n’ Roses logo vem à mente grandes canções como Welcome to the Jungle, Sweet Child O’ Mine, Rocket Queen, You Could be Mine e mais uma coletânea de músicas com riffs certeiros e solos de guitarra envenenados. Cortesia dos ex-guitarristas Slash e Izzy Stradlin, base de quase tudo de bom que o Guns já lançou até hoje. Slash deixou a banda justamente pelo motivo do vocalista querer “mudar a direção e buscar novas sonoridades”, fascinado com Nine Inch Nails e seu rock industrial.

Ao ouvir Chinese..., a primeira coisa que qualquer fã ou simpatizante da banda faz é comparar este álbum de 2008 com qualquer outro que o GN’R tenha feito anteriormente. Quem fizer isso vai chegar à conclusão que o disco é ruim; mas quem ouvir Chinese e comparar com o que vem sendo atualmente no cenário rock, pode até chegar à conclusão de que o disco tem suas virtudes, podendo até ser classificado como bom.

Claro, há bons momentos: a faixa-título, a despeito de sua longa e cansativa introdução “repleta de suspense”, traz um bom riff de guitarra e é bem pesada; a música “Better” tem refrão ganchudo, boas guitarras e uns rococós eletrônicos que Axl tanto perseguiu ao longo dos anos para tentar soar “moderno”. Estes mesmos rococós acabam soando exagerados e desnecessários em músicas como “Shackler’s Revenge” (que soa como um Nine Inch Nails embolorado) e “If the World”.

“If the World”, falando nela, é uma das músicas mais singulares do álbum e até mesmo do que ouve-se por aí. Uma guitarra flamenca, uma base funkeada (não confundir com o batidão carioca!), os rococós eletrônicos aqui e ali. E a voz esganiçada de Axl temperando tudo. A música é uma herança do estranho e genial guitarrista Buckethead, que deixou o GN’R em 2005. Quem ouve os trabalhos solo do guitarrista não se surpreende com esse tipo de som. É incomum. Não é ruim, pelo contrário, mas a voz de Axl não “casou” com esse estilo.

Continuando com os bons momentos, eles reaparecem em “There Was a Time”, “The Street of Dreams” (que já era tocada ao vivo desde o Rock in Rio 2001 com o nome “The Blues e é uma belíssima canção, talvez a que mais lembre o Guns n’ Roses da época dos álbuns “Use your Illusion”) e “Madagascar” (outra velha conhecida dos fãs e uma música bastante interessante).

Há boas idéias que foram desperdiçadas por excesso de produção. “Catcher in the Rye” é uma música de altos e baixos que começa muito bem, mas torna-se uma confusão de solos e a voz do Axl da metade pra frente, deixando-a cansativa; “Sorry” é outra balada que tem potencial, mas a introdução nada inspirada acaba comprometendo o resultado; “IRS” era bem melhor e mais pesada nas versões “demo”.

Nota-se em outras baladas do álbum ( Prostitute e This I Love) toda a influência que bandas como Queen , Electric Light Orchestra e o cantor Elton John exerceram em Axl Rose. Infelizmente são músicas descartáveis, assim como as pesadas “Rhiad and the Bedouins” ( apesar dos bons solos) e “Scraped” ( o coral de vozes sobrepostas de Axl na introdução mata a música).
AXL ROSE SÉCULO XXI
Chinese Democracy vai tocar nas rádios e será sucesso comercial (já bateu recordes de execução no myspace: em 48 horas foram 1,3 milhões de execuções). Como disse o guitarrista Zakk Wilde ( ex-Ozzy Osbourne), Axl Rose é um cara muito esperto. A lenda de Chinese Democracy e suas jogadas de marketing quase deixaram a música em segundo plano. As demos “vazadas” na internet para o público se acostumar ao “novo GN’R”, sem Slash e cia...
Chinese Democracy entrou para a história, mais pela lenda e marketing do que pela música em si. Ao contrário do que dizem, Axl soube adequar-se a estes tempos onde tudo é fugaz e descartável. 15 anos sem gravar nada inédito é suicídio para qualquer artista. Mas Axl conseguiu manter fãs ávidos por um novo material durante esse tempo todo e provavelmente consiga mais alguns com essas novas músicas. Pra quem já falou que a Internet parecia uma "lata de lixo", Mr. Rose saiu-se muito bem.

Com tudo isso houve um superdimensionamento do álbum. Expressões como "o mais aguardado de todos os tempos" e "o lançamento mais desejado da história da música" estão aí. Não é revolucionário, não é um Apettite for destruction e tampouco um volume de Use Your Illusion. Não é ótimo, mas também não é péssimo e nem ruim. É apenas um álbum muito bem produzido com algumas boas músicas de rock e experimentalismos. Diante do que temos atualmente, está até bom demais.

sábado, novembro 15, 2008

O descaso ambiental

Pelo menos 13 mil hectares (de um total de 152 mil ha) do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, já foram devastados pelo fogo, que castiga a região desde o início de outubro.

Duas aeronaves vão reforçar o trabalho de combate aos focos de incêndio na Chapada Diamantina, sobretudo na cidade de
Rio de Contas, onde existem pelo menos 30 locais atingidos pelo fogo.

Cerca de 350 brigadistas trabalham neste domingo (9) para tentar controlar os focos de incêndio que atingem a região da Chapada Diamantina, na Bahia.

O que parece ser uma notícia só, na verdade é o recorte de três: a primeira é de 2005, a segunda é de 2007 e a terceira é a mais recente, de 2008.

Mas o que chama a atenção é que, segundo o corpo de bombeiros, os focos de incêndio são comuns na Chapada Diamantina nesta época do ano por causa do calor.

Eu posso ser bastante ingênuo, mas não posso deixar de observar: se praticamente nos anos anteriores, na mesma época, ocorreram os mesmos incêndios e já sendo sabido que isso é comum, o que é feito, afinal, para prevenir que grandes áreas da Chapada sejam dizimadas pelo fogo todos os anos?

Para o chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Christian Berlinck, 95% do fogo que ocorre no local é criminoso. De fato, na página do IBAMA que traz as características do Parque da Chapada Diamantina, um dos problemas citados pela equipe do órgão governamental é justamente o incêndio. E a causa natural mais comum para o fogo na mata é a queda de raios. E não está chovendo.

Ora, se todos os anos, no mesmo período e no exato local acontecem os incêndios criminosos de sempre, o que está faltando?

César Gonçalves, analista ambiental do Parque, dá a resposta que talvez você já tenha imaginado:

A verdade é que a gente faz de conta que administra um parque nacional. Ou alguém em seu juízo normal pensa que uma área com 152 mil hectares, com mais de 100 famílias morando dentro, cercada por cinco cidades que, de alguma forma, dela se utilizam para atender a suas necessidades, pode ser administrada por cinco analistas ambientais e está tudo bem?

O descaso para as questões ambientais no Brasil é vergonhoso. Este humilde blog já tratou sobre o meio ambiente e de como o país faz muito pouco pela preservação destes biomas ( para saber mais, confira o post "e o nosso frágil planetinha"). Faz muito pouco e investe muito pouco em políticas referentes ao tema. Pouco mais de 0,5% do orçamento é destinado ao Ministério do Meio Ambiente para TODAS as atribuições, inclusive fiscalizar e aplicar a legislação prevista para quem comete crimes ambientais.


Com escassez de recursos, os órgãos ambientais tem que se virar como podem. O desmatamento na Amazônia prossegue em níveis espantosos. Entre Agosto de 2007 e Julho de 2008 foram 8,1 mil quilômetros quadrados de área desmatada na região. Além da falta de fiscalização e apoio disponível, há outros interesses em jogo.

Como falamos em Amazônia, tomemos a região como exemplo. A pecuária e as plantações de soja são apontadas como as maiores causas do desmatamento da floresta, bem mais que a extração de madeira da mata. A agropecuária, aliás, é um dos setores mais beneficiados na região. Só em créditos, o governo já liberou quase R$ 2 bilhões para os pecuaristas, por exemplo; em relação à soja as questões são bem mais sérias e o governo faz vistas grossas. Grandes multinacionais do agronegócio como Bunge Corporation e Cargill são acusadas de todos os tipos de violações não apenas ambientais,mas também aos direitos humanos, inclusive com trabalho escravo. Há uma relação de promiscuidade entre essas empresas e o governo, afinal o governo concede todo o tipo de licença ambiental e "deixa pra lá"uma série de irregularidades e as empresas dão uma forcinha na infra-estrutura, construindo estradas, por exemplo. Em nome do progresso justificam-se todos os fins. Desde a derrubada de grandes hectares de floresta a expulsão de comunidades índigenas.

Não foi à toa, então, que o presidente Lula tenha dito que ambientalistas e índios constituem-se em entraves para o desenvolvimento.

E NÓS COM TUDO ISSO?

Se o governo não faz ou faz muito pouco pelo meio ambiente, provavelmente nós também não fazemos muito. E muitas vezes agredimos o meio ambiente sem nem perceber isso. Quer um exemplo? Seu celular. Este mesmo que você comprou há uns 4 meses e já quer trocar no natal por um "mais moderno". Qual o detino deste seu celular "velho"?

E aquelas sacolinhas plásticas que você pega aos montes no supermercado ou na quitandinha da esquina? Aliás, você já parou pra pensar que tem muito plástico por aí? Estas sacolinhas de plástico demoram pelo menos 300 anos para se decompor e desaparecer. Agora imagine o que são 1 bilhão de sacolinhas por mês distribuídas nos supermercados?

Vivemos em uma sociedade que preza o consumo excessivo e exibicionista, sobretudo. Você só é alguém "descolado e esperto" se tem o carro novo, o celular novo, tudo novo. Segundo relatório da organização WWF-Brasil, se os atuais padrões de consumo continuarem, em 2030 precisaremos de dois planetas para manter tais padrões. Portanto, reduzir esse consumismo desenfreado é uma das primeiras tarefas.

Mas, para variar, algumas empresas já tentam faturar em cima da "onda verde" ou "ecologicamente correta" com a venda de produtos "naturais, recicláveis e que não agridem o meio-ambiente". Há boas opções mas em boa parte não passam de produtos para exibicionismo típico de madame que adora mostrar "estar preocupada com o planeta".

Não precisa cair nessas armadilhas da "onda verde", virar um "ecochato" ou um 'bicho-grilo" para contribuir com o meio ambiente. Só precisa adotar alguns hábitos simples como usar pilhas recarregáveis pro seu MP3, por exemplo; você gosta de cantar "Stairway to Heaven" ou todos os clássicos da MPB debaixo do chuveiro? Escolha uma música de menor duração. Não precisa tomar "banho de gato", mas também não vá ficar mais do que 10 minutos com o chuveirão despejando em média 270 litros de água no ralo. Vai escovar os dentes? Ótimo. Mas enquanto escova, feche a torneira. Um minuto de torneira aberta consome 2,5 litros de água.

Estas medidas podem parecer pouca coisa, mas ajudam. Temos que cobrar dos governantes políticas ambientais bem mais efetivas do que as atuais ( adoraria ir e voltar do trabalho de bicicleta em uma ciclovia, por exemplo), mas é preciso que façamos nossa parte também.

Como muitos voluntários fizeram e fazem na Chapada Diamantina.

LINKS DIVERSOS - Abaixo relaciono alguns links interessantes com "dicas", sugestões, artigos e sites que trazem diversas informações a respeito do meio ambiente e de como podemos fazer um pouco, que seja, para melhorar as coisas em nosso sofrido e detonado planetinha.

http://www.wwf.org.br/participe/acao/dicas/index.cfm - dicas: como você pode ajudar o meio ambiente.
http://www.akatu.org.br/consumo_consciente/dicas - dicas e sugestões de consumo consciente;
http://www.terra.com.br/noticias/especial/pilha.html - notícia: “pilhas e baterias usadas devem retornar a fabricantes”;

http://www.maisnoticias.inf.br/ecomais_noticias/index.php?cn_id=23 – pequenas atitudes que ajudam o planeta;

http://oglobo.globo.com/blogs/nossoplaneta/post.asp?cod_post=98886 – artigo: consumo + sustentável = planeta – detonado;

http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=853 - artigo: “o meio ambiente pede socorro”;

http://planetasustentavel.abril.uol.com.br/home/ - site com muitas informações sobre o meio ambiente e sustentabilidade;

http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/gaiatos/ - mitos e vícios modernos em relação ao meio ambiente;

http://www.tvcultura.com.br/reportereco/artigo.asp?artigoid=19 - artigo: “consumo exagerado (Washington Novaes);

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u464978.shtml - algumas sugestões para o meio ambiente em sua casa;

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_280969.shtml - outro excelente artigo de Washington Novaes;

http://www.tvcultura.com.br/reportereco/artigo.asp?artigoid=27 – novamente um artigo de Washington Novaes desta vez sobre o desmatamento da Amazônia.

Tem pra todo o gosto. Divirta-se e procure aplicar algo.

segunda-feira, novembro 10, 2008

A internet e as novas tecnologias utilizadas pelos brasileiros


Ainda o Obama, mas não sobre o Obama. Uma das coisas mais interessantes que eu li sobre a eleição do novo presidente dos EUA foi no site do Azenha:

De uma forma considerável, dizem republicanos e democratas, isso é resultado de como a campanha de Obama buscou entender e tirar proveito da internet (e outras formas da assim chamada nova mídia) para organizar militantes e atingir eleitores que não se informam primariamente através de jornais e da televisão.

Descobriram por lá o que significa “Novas Tecnologias da Informação e Comunicação” e a internet como vedete deste novo paradigma de comuniação. Na verdade, os marqueteiros do Obama descobriram e se deram bem. Uma parte do público que se informava exclusivamente pela televisão e pelos jornais buscou novas fontes de notícias. Hugh Hewitt, em seu livro “Blog – entenda a revolução que vai mudar seu mundo” dá a pista:

Em setembro de 2003, metade das pessoas nos Estados Unidos – 150 milhões – entrou em rede, um recorde para o uso da internet. E entre metade e dois terços daqueles que entram na rede a utilizam pelo menos parte do tempo para receber notícias.

Isso foi em 2003, antes de algumas redes sociais como MySpace, Facebook e sites de vídeos como o Youtube surgirem e se popularizarem. No entanto, daqui pra frente, é por aí onde as pessoas “se encontrarão” e consumirão informações e notícias.

Dá para comprar com o Brasil, um país com inúmeros problemas sociais e educacionais e onde a maioria da população é excluída tanto socialmente quando digitalmente?

Apesar de tímido, vem crescendo os números de acesso à internet no Brasil. Hoje são 30 milhões de internautas que acessam a grande rede seja em casa ou em lan houses e uma em cada cinco residências já tem um computador. Parece e é pouco, mas mesmo assim o internauta brasileiro tem uma média altíssima de tempo destinados à internet: 23 horas e 51 minutos mensais. Isso é bem maior que a média de países como França ( 20 horas), Estados Unidos (20 horas) e Japão (20 horas).

E o que o internauta brasileiro anda fazendo em tanto tempo dedicado à grande rede?

Uma pergunta um tanto difícil de ser respondida, mas basta ir a qualquer lan house e verificar que o site de relacionamentos ORKUT e o comunicador instantâneo MSN são os campeões de acesso nesses locais. O ORKUT, na verdade, é praticamente um site “brasileiro”, pois mais da metade de seus acessos é composta de internautas brasileiros ( cerca de 55%, bem superior ao segundo colocado de acessos no orkut, que é a Índia com meros 16% ).

Evidente que o internauta brasileiro não é somente o das lan houses, mas não deixa de ser preocupante constatar que para muitos a internet resuma-se a ORKUT, MSN, Jogos on-line e pornografia. Pode não diferir muito do perfil do norte-americano, por exemplo, os quais gastam metade do tempo na internet com entretenimento.

Mas o que transparece é que o brasileiro desconhece o potencial da internet e de novas mídias como o celular. Afinal, a grande rede fornece uma quantidade imensa de informações (de forma caótica, é verdade) em que a grande questão é: como lidar com tanta informação?

Notemos que informação é diferente de conhecimento. As informações estão aí em grande escala e muitas vezes não passam de grandes lorotas. Mas como lidar com toda essa informação, selecioná-la e a partir daí transformá-la em conhecimento, em opinião, em algo que seja realmente útil para a sociedade ou para o individuo?

Seria a partir deste momento em que a educação entraria em cena, mas não é o que acontece, pois a escola brasileira, com poucas exceções, ainda não sabe como utilizar bem estas tecnologias na sala de aula. Mas antes que joguem pedras na escola e nos professores, é bom saber que essa falta de habilidade não é exclusividade brasileira.

Obama, o astro pop do momento, reconheceu que tal problema é comum também nos EUA:

"While technology has transformed just about every aspect of our lives, one of the places where we've failed to seize its full potential is in the classroom".

Tecla sap: Obama afirmou que enquanto a tecnologia vem transformando cada aspecto de nosso dia a dia, um dos lugares onde isso não vem acontecendo é na sala de aula. Veja, então, que neste aspecto, Brasil e Estados Unidos são bastante parecidos. Mas atenção: não é o computador ou a internet que vai "salvar" a educação. Nada substitui professores motivados, bem pagos, com boa estrutura de trabalho e com políticas públicas eficazes voltadas à educação e ao bem-estar social.

Voltando ao problema brasileiro: não há nada de errado em acessar ORKUT, MSN e jogos on-line; o problema é restringir a internet somente a isso. E é aí que falta orientação, falta uma visão de futuro, falta perspectiva, faltam boa educação ( a boa e velha educação doméstica, dos valores e dos limites). Sim, muito de que é feito na internet é também reflexo de como o adolescente ou jovem leva a vida no “mundo real”.

Ou será que é à toa que o este internauta brasileiro, cheio de vícios adquiridos em seu cotidiano, seja conhecido nos meios virtuais como “escória digital”?

Felizmente, existe um pessoal esperto que acessa a grande rede, bate papo no MSN e fuxica a vida alheia no ORKUT, mas também produz conteúdo bacana em blogs, youtube, fotologs, myspace, etc. São pessoas que se comunicam, trocam idéias, geram debates, opinam, concordam, discordam, produzem, levam o que assimilaram de bom do “mundo virtual” para o “mundo real” e procuram fazer a diferença.

Uma galera esperta como os alunos da Escola Estadual Profa. Ester Garcia, que sempre tem deixado comentários inteligentes ( com conteúdo e o uso correto do idioma, sem internetês do tipo “axu q naum”)neste blog, sob indicação do professor Fabrício. Não os conheço, mas são sempre bem-vindos para opinar por aqui. Parabéns a vocês! Troquem idéias, opinem, produzam, sejam sempre curiosos!

Afinal, é nessa galera que depositamos fé em um futuro bem melhor. E utilizando também a grande rede, é claro.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Obama rules!

O mundo conheceu o novo presidente da nação que ainda sustenta o poderio mundial: Barack Obama é o novo presidente dos EUA (para desespero da KKK e simpatizantes reaças).

O mundo, aliás, assiste nos últimos dias a ascensão de dois negros em situações onde havia uma espécie de hegemonia que parecia não ter fim: Lewis Hamilton foi o primeiro negro a sagrar-se campeão mundial de F-1( a categoria mais cara e "elitista" do automobilismo) e agora o negro Obama é o presidente dos EUA, coisa que o Monteiro Lobato já escrevera em 1926.

Mas por que o clima de festa, esperança e até de entusiasmo pela vitória de Barack Obama nos EUA, derrotando o republicano John McCain?

A resposta está aí. Em primeiro lugar, só pelo fato do mundo livrar-se do imbecil fundamentalista do George W.Bush já é digno de comemorações entusiásticas. A eventual vitória do republicano implicaria numa continuidade da política suicida de Bush para o mundo.

Em segundo lugar, abrem-se novas perspectivas ao retorno da diplomacia entre EUA e América Latina, cada vez mais progressista. Veja que Hugo Chavez, da Venezuela e Evo Morales, da Bolívia, já se mostram animados a retomar as boas relações com os EUA. Para entender um pouco melhor essa geopolítica, indico um excelente artigo do Eduardo Guimarães AQUI.

Na verdade, não apenas a América Latina, mas o mundo. Os EUA precisam rever suas relações para com os outros países. Os líderes de todos os países felicitaram Obama pela vitória, mas também já deram suas "cutucadas" clamando por mudanças. O presidente Lula deu suas felicitações e já mandou seu recado sobre os subsídios agrícolas e bio-combustíveis.

Até pelo discurso, a eleição de Obama mostra um avanço. Reconheceu que o planeta está em perigo, que há guerras em curso e uma crise econômica. Ora, discursos qualquer um pode fazer, mas já vemos um discurso bem diferente do fundamentalista George Bush, o qual contribuiu progressivamente e decisivamente para que o mundo se tornasse mais árido, aterrorizado e em crise ( e não apenas financeira).

Obama terá um caminhão de problemas para resolver. Desnudado sob o marketing hollywoodiano, os EUA constituem-se em uma nação doente, onde os mais pobres não possuem acesso a saúde de qualidade, com graves problemas educacionais (até o modelo da bolsa-família estão tentando viabilizar por lá) e habitacionais. Além disso, há a questão ambiental, onde os EUA são responsáveis por 20% da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, o aquecimento global, há a questão de Israel ( aliado) e da palestina, o Oriente Médio, Cuba e a América Latina.

Se vai mudar algo ou não é outra história. O sonho permanece até Janeiro, que é quando Obama assumirá de fato a Casa Branca. Grandes expectativas, às vezes, geram também grandes frustrações. Mas não custa manter algum otimismo.

Cotas
E já surgem aqueles que enxergam Obama presidente dos EUA como “fruto do sistema de cotas”e utilizam tal feito como justificativa para a implementação total do sistema no ensino superior brasileiro.

Ora, vamos devagar. Não devemos tratar de forma simplista a questão das cotas e principalmente relacionar o que é feito nos EUA com o que é feito no Brasil, até porque a miscigenação brasileira é muito maior e a questão da própria identidade não é definida por aqui.

Aliás, o próprio Obama prefere não tocar muito no assunto das cotas. Preferiu falar não apenas dos negros, mas dos pobres ( independente da “raça”), dos hispânicos, do norte-americano em geral. O posicionamento de Obama quanto às cotas é dúbio: em 1990 escreveu uma carta em que dizia ter sido beneficiado pela política de ação afirmativa, mas dez anos depois afirmara que não sabia, de fato, se sua cor ajudara no processo de admissão na faculdade.

Nos EUA esta política de ação afirmativa começa a ser questionado.

Educação de qualidade é direito universal de todos. Vários grupos de comunidades afros lutam pelo sistema de cotas nas universidades públicas brasileiras, mas em que isso efetivamente vai ajudar a educação de forma geral? Se há quem enxergue Obama como fruto de tal política, enxerguem também Condoleezza Rice e Colin Powell, representantes de uma “elite negra”, ao passo que milhares de negros norte-americanos continuam à margem dos direitos civis – e, ironicamente ou não, vários negros integram as linhas de frente de soldados que são enviados ao Afeganistão ou Iraque em guerras fabricadas por interesses econômicos diversos.


A educação básica brasileira tem sérios, seríssimos problemas para se resolver. E é preciso envolvimento de professores (se bem que estes são os últimos "bastiões" que tentam manter a escola com alguma dignidade - mesmo sozinhos e sem uma boa formação e que seja continuada), pais, sociedade e governo. O que adianta promover um sistema de ação afirmativa se a educação básica continua de péssima qualidade? Adianta destinar uma cota de vagas para alunos afro-descendentes se muitos zeram em exames vestibulares?

Cotas é sempre um assunto polêmico. Voltando à educação como direito universal, se muitos desses grupos que promovem a “conscientização” para uma política de cotas que não deixará legado algum para filhos e netos promovessem a conscientização pela melhoria do ensino público universal gratuito e de qualidade, seria uma luta nada polêmica, muito pelo contrário: todos apoiariam, diferentemente das cotas. Demore o tempo que for, mas é preciso deixar ao menos a esperança para as futuras gerações.

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