terça-feira, dezembro 28, 2004

Papai Noel X Jesus Cristo: Nocaute do garoto-propaganda da Coca-Cola!

O Natal é a época preferida da imprensa brasileira. O “espírito natalino” está por todas as partes, mas há um local onde a imprensa concentra seus holofotes: O shopping center.
O roteiro é sempre o mesmo: apresentadores com aquela carinha alegre-contido chamam as reportagens que mostram como o brasileiro deixa tudo para a última hora e lá vem as tomadas em algum shopping center absolutamente lotado, com pessoas ávidas para comprar presentes de Natal.
O que vem acontecendo nos últimos anos é a “madrugada de compras”. Shoppings que não fecham as portas durante a madrugada. Para quem apostava num fracasso retumbante, a idéia vingou e é “sucesso”. Os corredores lotam, as pessoas se acotovelam nas lojas, as lojas criam um sistema para controlar a entrada de clientes, outras tentam transformar o ambiente para uma espécie de casa noturna, passando um clima de “balada” aos consumidores mais jovens.
A mídia exulta. Em todo o país a madrugada das compras é sucesso. Isso mostra que o Brasil está no caminho certo, o crescimento econômico está aí e os empregos estão voltando. Uma era de prosperidade anuncia-se graças a essa demonstração de poder aquisitivo da população!
Mas a Folha de S.Paulo matou a pau. Há certas restrições a serem feitas sobre a linha editorial do grupo Frias, mas a capa do jornal do dia 25 de Dezembro foi um belo tapa em muitas Pollyanas da imprensa chapa-branca do tipo Globo e sequazes.
Eram duas fotos, coloridas: Uma, mostrava o grande movimento de um shopping center em São Paulo durante a madrugada; A outra mostrava a geladeira de uma dona de casa do nordeste completamente vazia.
A mensagem é clara. Ao assistir os telejornais da TV tem-se a impressão de que o brasileiro passa por um período de pujança como há muito não se via a ponto de espaços como shopping center lotarem durante a madrugada. Mas a coisa não é bem assim. O povão continua com a geladeira vazia. Com o poder aquisitivo baixo esse consumismo todo ainda vai render mais reportagens: Janeiro, o mês dos impostos, escola, material escolar,prestação disso, daquilo...e, claro, os juros do cartão de crédito. E sai de cena o shopping center e entra o SERASA – SPC.

Enquanto isso...

O Papa mal conseguia pronunciar as palavras durante a missa do galo.
Parece que o bom velhinho(ops!) tá prestes a se aposentar...se é que vocês entendem...

Enquanto isso...

“Isso é hora de criança tá na cama!” Lembram-se disso? Já passou por isso? Ainda fala isso aos seus filhos?
Retrógrado! Ultrapassado! Tá na hora de ser um papai descolado ou uma mamãe moderna: Leve seu filho de 05 anos à madrugada das compras nos shoppings! Quem sabe ele não aparece na TV como um “futuro cidadão brasileiro que não mede esforços para conseguir aquilo que quer?” Tipo...”sou brasileiro e não desisto nunca...nem diante da fila do provador!

Enquanto isso...

Impressionante o terremoto na Ásia e as ondas gigantes ( os “tsunamis”, já devidamente na boca do povo porque repetidas ad nauseum pelos âncoras dos telejornais). As informações são um tanto quanto desencontradas, mas já dão conta de mais de 32 mil pessoas mortas nesta verdadeira tragédia.
Geologicamente, esses movimentos das placas tecnotônicas são comuns, segundo os especialistas.
Mas o velho Groo aqui, sempre atento, tem outra explicação para o fato.
A verdade é que a natureza, constantemente agredida, reage violentamente. E a coisa vai piorar, pois o cowboy maluco que é presidente dos E.U.A. prefere preservar as indústrias poluidoras dos E.U.A ( somente elas responsáveis pela destruição de 1/3 da camada de ozônio) e os hábitos consumistas estadunidenses ( o que um estadunidense médio consome em 1 semana, dá pra alimentar um africano por 1 mês ou mais).
Guerras, catástrofes naturais, desrespeito à nautreza, violência crescente... que 2005 seja melhor. Ou menos ruim, como preferirem!

Enquanto isso....

Groo arruma as malas e dia 30/12 se manda pro sertão baiano baiano a fim de traçar uma carne de sol rebatida com umas brejas bem geladas. Groo só volta, então, ano que vem ( ha ha ha, vocês não podiam passar sem essa, hein? Vão ouvir muito disso, ainda...). É rapidinho! Esse retiro espiritual pelo sertão só durará 03 dias, mesmo.

Então, a todos os amigos, que visitaram esse trem em 2004, desejo de coração um 2005 cheio de grana no bolso e poucas dívidas pra pagar, com bastante saúde e paz! Vocês são ótimos!

domingo, dezembro 12, 2004

Reflexões Grootescas

Fenômeno curioso esta tal de “Tati Quebra-Barraco”. Só havia ouvido falar, mas sem saber direito do que se tratava. Descobri nesta semana que passou, zapeando pela TV à noite em um programa de um tal Leão.
Dei uma olhadinha na Internet e não é que a tal Tati é um sucesso? Só no Orkut tem a comunidade da “funkeira” com mais de 9.000 membros com direito a divulgação de show exclusivo para 200 pessoas em cobertura de Hotel e buffet na festa da “musa”.
Fenômeno parecido ocorre aqui na Bahia, com o sucesso do ritmo conhecido como “arrocha”( uma lambada mais sacana com letras mais bregas ainda)) e de sua “rainha”, Nara Costa.
O que a Tati quebra-barraco e a Nara Costa tem a ver? O “sucesso”? Os “15 minutos de fama”? O mau-gosto do público?
Sim, talvez tudo isso, mas o que as duas moças tem em comum é que ambas são oriundas da chamada classe baixa da população. Pessoas que não tinham lá muita perspectiva de futuro e nem tanto acesso à outras manifestações culturais e que viram nestes estilos musicais tão contestados a chance da ascensão social, a chance se serem vistas, a chance, claro, da fama, do sucesso, do dinheiro.
Não é novidade. A mídia tenta, nestes tempos de Internet e comunicação global, um contato mais próximo ao seu público. A chamada “interatividade” é presente em diversos canais de TV, onde o telespectador “escolhe” o que quer ver, pode palpitar sobre notícias, jogos, novelas...enfim tudo o que ele faria se aquilo fizesse parte de sua “realidade”.
Gente como a gente...estrelas de novelas siliconadas , lipoaspiradas, plastificadas...tão artificiais que foram em clínicas e muitas moças sonhavam em ser como elas...sonhavam é o termo ideal. O que explica o sucesso dos “reality shows” como Big Brother, por exemplo, é justamente o sonho dessa ascensão social, o desejo da fama e do dinheiro, o sonho de uma lipo e de próteses de silicone.
A mídia – sobretudo a TV- aposta neste segmento. E dá certo. Basta lembrar da tal Cida, vencedora do último Big Brother. Para o povão é significativo o fato de “gente como a gente” derrotar modelos sarados e patricinhas siliconadas. Portanto, não se espantem se surgirem mais e mais Tati Quebra-Barracos, Naras Costa, Cidas e similares.
Afinal, estudar é chato e não torna ninguém famoso hoje em dia, né mesmo?


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Relatório da UNICEF revela que o número de adolescentes infectados com o vírus na AIDS no Brasil é crescente.
Vejo na TV uma entrevista com alguém ligado ao relatório. A pessoa diz que esses números advém de uma série de fatores, mas que os principais seriam a pobreza e a desinformação.
Tudo bem que pobreza e desinformação caminham juntas, mas em relação ao HIV e as formas de contágio, com a TV martelando dia e noite como se dão e cartazes espalhados em escolas e sedes de comunidades, com esse monte de ONG por aí...
Sei não. Só fiquei pensando...é falta de informação ou falta de formação?

domingo, outubro 17, 2004

Processo Bokanovsky


Os livros e o barulho intenso, as flores e os choques elétricos – na mente infantil essas parelhas já estavam ligadas de forma comprometedora; e, ao cabo de duzentas repetições da mesma lição, ou de outra parecida, estariam casadas indissoluvelmente. O que o homem uniu a natureza é incapaz de separar.
- Elas crescerão com o que os psicólogos chamavam de um ódio “instintivo”aos livros e às flores. Reflexos inalteravelmente condicionados. Ficarão protegidas contra os livros e a botânica por toda a vida. – O Diretor voltou-se para as enfermeiras. – Podem levá-las.

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

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Antes da reflexão em si, convido-os para analisarem 3 situações reais.

*Professor de Inglês passa trechos do filme “The Wall”, do Pink Floyd para turma de 1o ano do ensino médio ( colegial); Há cenas de um professor reprimindo alunos, espancando-os e humilhando-os na sala de aula. Ao término do filme, o professor pergunta à sua turma o que eles achavam: Se era melhor estudar nos tempos atuais ou há 40 anos, quando os professores utilizavam até violência física em alunos que “não aprendiam”. Para surpresa do professor, a maioria da sala preferia o tempo passado, pois daquele jeito “aprendia, mesmo”.

*Professora de História passa o filme “A lista de Schindler” para o 3o ano do ensino médio. A temática do filme não sensibiliza os alunos, que se portaram como se estivessem assistindo a uma comédia. “Eles riam de tudo, até das cenas mais fortes!”, afirmou, revoltada e perplexa, a professora.

*Professor de filosofia, ao apresentar o assunto sobre “Existencialismo” ao 2o ano do ensino médio lança a seguinte pergunta: “É certo ou errado matar?”. Notem que ele não define quem ou o quê. Para alguns alunos, “dependia do crime”, se fosse algo grave, tinha mais que matar, mesmo; Outro grupo achava que tinha que matar tudo quanto é ladrão. “Eles falavam em matar com a maior naturalidade”, disse o professor.

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Há muitos estudos que demonstram, ou ao menos tentam, a tênue relação entre mídia e violência. É um tema polêmico. Será certo atribuir à TV todo esse sentimento de violência nos adolescentes?
É assunto para mestrado, e não um simples post no blog. As situações descritas acima são reais, todas passadas em um colégio que leciono. Os amigos com alguma lembrança devem lembrar que já comentei sobre o filme “The Wall”, do Pink Floyd no antigo blog grooeland.zip.net .

Pesquisas mostram que o adolescente brasileiro passa, em média, quase 4 horas por dia na frente da TV. Basicamente a quantidade de horas passadas em frente à TV é a mesma quantidade de horas nas escola. Mas a TV é sedutora. A TV educa de forma eficaz. A frase atribuída ao ministro das comunicações de Hitler, Goebels, confirma isso: Uma mentira contada mil vezes torna-se verdade.
Quatro horas na frente da TV para seres na fase da descoberta e ainda com personalidade em formação pode ter vários efeitos. Um deles é a banalização da violência. Mas não o pior. Creio que a coisa torna-se perigosa quando este adolescente, já narcisista e com “instintos consumistas”, chegue à conclusão que a violência é a única forma de resolver problemas imediatos, como acontece em relação à pena de morte.

A escola pública ( que é a escola ainda democrática, de certa forma) ainda não acordou para este porém. Certo, há todo um histórico familiar e social na vida do aluno que não deve ser desprezado e certamente contribuem para a forma como encaram a violência.
Mas urge fazer algo. Os jovens estão condicionados a aceitar violência, gravidez precoce e drogas como situações comuns e até engraçadas. Famílias em ritmo de extinção; Educação brasileira privatizada; Governo inoperante ( as TV’s são concessão pública. O que o governo estaria esperando?); Falta de perspectivas; Utopias finadas.

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Não sei porque vem-me à cabeça Sex Psitols, com Johnny Rotten berrando: no future! no future! no future for you!
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